CONTOS & CRÓNICAS – CARLOS REIS – OS ARTIGOS IMPUBLICÁVEIS – PÁSCOAS

 

 

Espero que ninguém fique chateado ou ofendido com todas as faltas de respeito que por aqui vou exarar, nesta data tão eminentemente própria. De feriados, eucaristias e vivas.

Sei que vamos estar num dia vernáculo, mais castiçal do que castiço, todo ele virado para cima, para o Senhor e respectivos acessórios. Não, não quero, não posso de modo algum faltar ao respeito, perdoem-se-me estas aleivosias heréticas, ele é por vezes mais forte do que eu, mas eu não torno, pronto. Ou prontos, terminologia hoje mais consentânea, mais decorrente e mais compreensível para a maioria dos nossos imberbes e prometedores jovens.

Eu desejo a todos, naturalmente, uma Boa e Santa Páscoa (já estou melhor, mais cordato, como se pode constatar) com letra grande, bem como a todos os familiares que por perto gravitem.

Não posso, no entanto, deixar de evidenciar a minha perplexidade por estes fenómenos religiosos, talvez mal explicados enquanto eu era pequenino e me ocupava mais do Pai Natal. É que, por exemplo, o Mistério da Santíssima Trindade já toda a gente percebeu, menos talvez o S. José (claro que de um humilde e iletrado carpinteiro não pode haver muito a esperar, sejamos compreensivos) porquanto se tratava de uma história mais ou menos policial, sobejamente conhecida e explicada e em que o culpado até podia ser o mordomo, como quase sempre – o que toda a gente já sabia e era aliás um hábito nestes policiais antigos, de cordel –  evitando-se assim e desde sempre, quaisquer gaffes ou más interpretações, à época.

Agora em relação à Páscoa a minha estranheza vai para o facto de haver sempre um coelhinho que põe ovos. Onde é que já se viu alguma vez algum coelho ovíparo? Como é que isso se pode conceber, à luz que seja das teorias de Darwin ou de qualquer parteira encartada? Peço-vos imensa desculpa, por estar a desassossegar-vos e a tirá-los do recolhimento em que decerto vos encontrais. Pensei, no entanto, que pessoas da cultura e do saber,  pudessem talvez obviar a todas estas minhas dúvidas, afinal pertinentes e de carácter eminentemente teológico.

Carlos

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Nome completo: João Manuel Pacheco Machado

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