CONTOS & CRÓNICAS – CARLOS REIS – OS ARTIGOS IMPUBLICÁVEIS – A ESQUERDA CONFORTÁVEL

 

 

O Trump ganha eleições e está tudo dito.

A May, conservadora que se farta, muda de ideias como quem muda de camisa, sobre o Brexit (era contra mas agora já aderiu) e sobre eleições antecipadas – que também era contra mas afinal acha melhor, pois tem o eleitorado mais ou menos na mão e há que aproveitar. E no aproveitar é que está o ganho.

O Erdogan faz o que quer e lhe apetece e o maralhal gosta, vota e aceita – até a renovação da pena de morte, em delírio.

A Le Pen está em grande, popularucha como sempre, os outros candidatos não se entendem – um deles é quase tão mau como ela e lá está também, razoavelmente colocado na corrida. E ela, se ganhar, pira-se a correr da Europa e do sonho europeu. E vai correr com os árabes do seu país, como é evidente. Deve ser por iso que votam nela, o bom e fraternal povo francês.

O Putin é o que se sabe – e ainda pior do que isso, o que não se sabe.

O Kim Jong-un (um rapaz bonito, que respira inteligência e bom senso) insiste naquelas merdas, manda uns traques ameaçadores sobre o Pacífico (alguns são flops, coitado) e bélico como só ele, desafia o resto do mundo – tudo sobras, restos de um raro comunismo, que quanto menos comentado, melhor.

O José Eduardo dos Santos vai retirar-se, próspero e rico, com aquele povo na miséria, uma miséria quase igual à do nosso colonialismo, depois de tantos anos. E quanto menos comentado, também melhor.

E a Esquerda clássica, coitada vê-se a braços com contradições terríveis com que nunca sonhou. Uma parte dela também se quer pirar do Euro e esta coincidência com alguma Direita e nazis, deve ser-lhe incomodativa que se farta, coitada.

Uma maçada, enfim.

Uma outra Esquerda mais fresca, mais leve e descontraída, acha que não. Que o ideal europeu se mantém. Apesar dos anos de miséria e desemprego que a União Europeia gerou e com que nos lixou,  insiste no sonho europeu e espera pela redenção, pela vitória final do vilipendiado povo europeu.

O conforto da Esquerda oficial, bem pensante, dócil e educada está a ser posto em causa. O maniqueísmo do costume já não é, nem poder ser o maniqueísmo do costume. De contradição em contradição, esta Esquerda – esvaída, doente e senil – não sabe o que fazer, o que dizer ou como agir. Nem como explicar-se. Porque em vez de enfrentar as realidades e as contradições mundiais (sobretudo estas) insiste nas mesmas fórmulas. Na ideologia e nas teses, como a religião católica nos testamentos e nos dogmas – em detrimento da realidade, das realidades.

E o poveco? O poveco foge-lhe. Pira-se-lhe. Caga-se-lhe. Desorientado, coitado (e também por culpa dela, da tal Esquerda) para além da barata tonta que sempre foi e vai sendo, quando se decide a votar, ameaça agora votar nos maus.

E isto é uma verdade e uma chatice, não vale a pena evocar razões, invocar comportamentos, explicar a História.

É assim.

carlos

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Nome completo: João Manuel Pacheco Machado

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