PRAÇA DA REVOLTA -A GUERRA NA SÍRIA E A PÓS-VERDADE (Enviado por Manuel Simões)

Numa revoada de leituras sobre as notícias e comentários no Público sobre o bombardeamento da Síria por ordem de D. Trump constato que apena um leitor nas cartas ao director, no dia 8 (Carlos J. Sampaio) e dois outros, no dia 9 (José Alberto Tomé e A. Carvalho) põem em dúvida a atribuição do “ataque” com armas químicas ao regime sírio. O ataque foi tão feliz que um jornalista americano com alguma cotação, Zacarias qualquer coisa, afirmou que, finalmente, Trump é presidente. Tomou posse do cargo com os apoteóticos misseis-foguetes. É natural: o poder está na ponta dos mísseis. Sendo os EUA o imperialismo na sua forma mais agressiva e todo-poderosa era importante dar o sinal. Toda esta conversa vem a propósito da mentira e da verdade. Acredita-se no que se quer e no que convém. Antecedentes notórios como as “armas de destruição maciça” exibidas por Collin Powell nas Nações Unidas, etc. Creio porque é absurdo (Tertuliano), uma mentira mil vezes repetida é verdade (Goebels). O bom senso está definitivamente arredado da informação oficiosa que cabe aos publicistas contratados. Os leitores fazem leituras da realidade mais prováveis porque não estão arregimentados.

Acredita de facto que o governo Sírio tinha algum interesse em bombardear com armas químicas populações? Será que esse governo é tão estúpido e tolo que iria utilizar essas armas “inúteis” para precipitar a onde de choque que “esperava” um pretexto para “retaliar” a coberto da ideologia da hipócrita grande Indignação “humanitária”, que vem justificando as guerras imperialistas do novo milénio? É incrível essa crença! Tão incrível como outras crenças fantasmagóricas místicas ou delirantes. Mas a repetição sem questionar, sem duvidar, sem verificar, sem apurar no teatro dos acontecimentos, só pode traduzir, pela pressa, a conveniência do facto para a acção premeditada que arremessou os mísseis. A verdade não foi apurada, mas a lei internacional foi bombardeada. De facto, a Síria agrediu alguma vez os EUA? E o país não tem acento na ONU de pleno direito? As leis internacionais são para cumprir por todos ou apenas por alguns Estados? Do outro lado, em Idlib, quem controla a verdade? A Al-Nusra, da velha Al-Qaeda, será? Não seria de crer que os terroristas que exterminaram os cristãos de Idlib não são gente de fiar? Não seria de acreditar que eles mesmos pudessem sacrificar a população com armas químicas “suas” para que as explosões fossem atribuídas ao regime sírio? Possivelmente um bombardeamento aéreo fez explodir um armazém da reserva terrorista.  A quem convém o crime? Onde procurar o criminoso? Tudo parece uma cena trágica montada para justificar. Lembro que quando Hitler atacou a Polónia, no começo da II Guerra, acusou a Polónia de agressão… O incêndio do Reischtag, idem!  A guerra é também controlo da informação para manipular as consciências. Vivemos na era das mentiras como disse El Baradei num importante livro sobre o Médio Oriente. Será proibido pensar? Quando do lado de quem está a perorar se encontram as monarquias wahabitas, regimes do mais retrógrado e traiçoeiro, podemos ficar descansados?

Com os melhores cumprimentos

José Manuel Jara

 

One comment

  1. franciscogtavares

    Efetivamente, depois da notícia do dito “bombardeamento químico” seguiu-se:
    – Um dito lançamento da também dita “mãe de todas as bombas”……… no Afeganistão;
    – Ameaças trumpianas á Coreia do Norte;
    – Silêncio sobre o tal “bombardeamento químico”.
    Voltas e reviravoltas do poder e do dinheiro.

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