CONTOS & CRÓNICAS – CARLOS REIS – OS ARTIGOS IMPUBLICÁVEIS – O MARCELO

 

 

É interessante, é muito interessante mesmo, o comportamento do Marcelo (do Rebelo, do de Sousa, sim é esse) o inteligente comportamento do nosso presidente da república. Estou mesmo convencido de que nunca gozou tanto na vida, que nunca deve ter tido prazer igual em anteriores lugares, em anteriores instituições ou situações por onde passou.

Nem mesmo quando presidente do PSD, director de um jornal, ministro disto ou daquilo, ou quando decidia o que os portugueses deviam pensar, enquanto profissional da opinião e da televisão  –  meu Deus, que saudades.

Ao vê-lo ali hoje, numa âlha qualquer dos Açeúres, nas Lóges crêo eu, a palmatipar e a engraxar aqueles pobres indígenas, aquelhas gràdes figuiúras polítiques locais, encantades que estave de o ter alhi, não pude deixar de pensar na sua inteligência e paternalismo, no como ele maneja e embala o pagode que o imensamente rodeia, feliz e contente de ter nascido e poder usufruir da sua companhia e das suas selfies.

De facto – e ao contrário do seu incognominável antecessor, recordista de uma imbecilidade sólida e resoluta e de um savoir non faire irredutível e grotesco – o Marcelo é um homem inteligente e culto, é um excelente psicólogo.  Muito mais do que o palhaço do Portas, dos seus bonés e das suas feiras, por exemplo. Ou do que a maestrina da pirosidade obsoleta e dele digna sucessora, a nossa querida e emérita Assunção Esteves, das calças de ganga, botas velhas e conversa fiada.

(O que aliás para quem era, bacalhau bastava, afinal é Portugal. Era Lisboa e chovia).

O Marcelo é assim. Vai a todas, está em todas, é apaparicado em todas, está-se a cagar na solenidade e na circunstância, sabe ser popular e agradar simultaneamente ao pagode e à intelectualidade (tirando a Direita pura e crua, que o detesta) e consegue mesmo fazer do cargo mais abstruso e inútil que a nossa Constituição alguma vez inventou, um lugar incomum. Divertir-se, passear-se (sem gastar um tuste) sair-se bem, ficar bem visto. Sem ser tido nem achado (como qualquer presidente da república que se preza) nas grandes – horriveis, assim-assim ou menos horríveis – decisões dos governos a que preside ou presidirá.

É um must. Eu acho.

carlos

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Errata – Cristas.

E não Esteves.

As nossas desculpas. Às vezes são parecidas

(remetida pelo autor em tempo, mas só publicada hoje, 8 de Junho, por exclusiva responsabilidade de A Viagem dos Argonautas)

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Nome completo: João Manuel Pacheco Machado

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