CONTOS & CRÓNICAS – CARLOS REIS – OS ARTIGOS IMPUBLICÁVEIS – PENSAMENTOS DA ÉPOCA

 

 

Eu acho notável os apóstolos do chamado Povo, que o defendem, aplaudem e apoiam exaustiva, indiscriminada e veementemente – nomeadamente a tradicional, enfática, acalorada e empenhada Esquerda clássica, embora discretamente decrépita – ao constatar, por exemplo, a inteligência e o apurado sentido de humor patenteado na capital do Norte, onde os respectivos cidadãos acham o máximo dos máximos passar uma noite inteira a baterem com martelos de plástico sonorizados na cabeça uns dos outros, numa clara demonstração de cultura e maioridade cívica e cultural.

Não posso também deixar de enfatizar mais povo, um outro povo de outras latitudes, que embora simples e oriundo de uma localidade mais humilde – Benavente, de seu nome (seria certamente acusado de pretensioso e classista se o não divulgasse)  –  desportivamente se entretém a pôr uns archotes a arder nos cornos de um pobre boi, embevecendo-se e emocionando-se com o desatino do infeliz quadrúpede, enquanto este escoceia, aterrorizado, pela ruas da cidade, perante a justa alegria daqueles bons e generosos habitantes, que assim tranquilamente se divertem na chamada noite de S. João.

Poderia servir-me de mais melhores óptimos exemplos – nomeadamente dos promissores jovens e estudantes coimbrões, também eles decididamente detentores de uma vasta cultura histórica e política, que na chamada e popular Queima das Fitas e no intervalo das suas deliciosas e azougadas praxes, encarregam o magnífico acordeonista Quim Barreiros de musicalmente os emocionar, enquanto se embebedam ruas fora até cair pró chão, numa evidente e sã demonstração de como a juventude é inquieta e irreverente.

Quando crescerem irão certamente uns para o Porto e outros para Benavente, a darem continuidade à saga daqueles interessantes divertimentos tão portuguêsmente ancestrais. Alguns virão mesmo a ser ministros e secretários de estado e assim.

Porque há que acreditar em alguma coisa, quanto mais não seja no futuro deste sub-país.

Esperemos que a Esquerda, que a tal Esquerda permaneça atenta, fiel e depositária destes novos valores, que se adivinham no tempo.

carlos

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Nome completo: João Manuel Pacheco Machado

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