CONTOS & CRÓNICAS – CARLOS REIS – OS ARTIGOS IMPUBLICÁVEIS – ASSEMBLEIA PARALAMENTAR E A DÚVIDA METAFÍSICA

 

 

Eu adoro estas pequenas, ridículas, quase submersas (já que ninguém as vê ou ausculta, nem o povo nem os intelectuais – apenas sossegados, melancólicos e adormecidos reformados, certamente) adoro estas controvérsias proto-portuguesas, proto-patrióticas, proto-ideológicas. Sejam elas na televisiva Assembleia da República, sejam elas no remanso cervejado, vinícola ou jantarado convívio entre amigos (quase todos eles pessoal de Esquerda, diga-se de passagem, salvo incontíveis porém pouco representativa presença de alguns pequeno-burgorreaccionários, hoje quase sem voz ou proteica audiência) seja lá onde for. São sempre queridas, estas neo-manhosas, performativas e banhodacobrenses controversas, do faxavor, do voxelência, senhor deputado, muito obrigado, senhor deputado.

Da puta que os pariu, senhor deputado.

É tão simples, tão causal (tão cansativo, disso e por isso mesmo) este diz-que-disse, este nós-é-que sabemos! Como há paciência?

Caraças!

Pena o povão, ao fim de tantos anos (antes e depois da abrilada, tanto faz a geração, os circuitos neuronais permaneceram os mesmos) não ter percebido ainda o que lhes vai nei alma, a eles, àqueles políticos de nascença, portadores de doença insidiosa e incurável desde a mais tenra infância.

E é afinal muito simples: para a Esquerda – ortodoxa, combativa, inalienável e sem dúvidas – tudo o que seja privado ou privatizado, pertença de alguém ou grupo económico, é horrível, maldoso, hipócrita, só olha a lucros, quer lá saber do bem comum.

(Ainda estou para saber o que é isso, do bem comum – a História nunca me elucidou a preceito).

E ainda igualmente simples: para a Direita, tudo o que seja, ou vier a ser nacionalizado, estatizado, pertença dos meios de produção do Estado – é um horror, uma massificação, uma burocracia, uma ditadura, uma desgraça política, nossa senhora nos valha. Ou valide.

Confesso. É-me insuportável aturar transportes, hospitais, serviços de saúde, de correios e de segurança social – como pertença de privados, esses cães que petendem lucrar com algo absolutamente de direito dos cidadãos. E por tal me considero com uma formação de Esquerda.

Mas também confesso: ter de frequentar tascas, bares, clubes de Jazz, mercearias e tabacarias de bairro, talhos e retrosarias – como pertença do EstadoNá. Nem pensar!

Era o que faltava. A cinzentude institucionalizada, a marca única de tabaco, a bica igual para todos, o vinho, a cerveja, as conservas, etc., tudo feito no mesmo formato, na mesma forma estadual? Pior ainda que o Braz-e-Braz.

Que fazer? Para onde ir?

carlos

About joaompmachado

Nome completo: João Manuel Pacheco Machado

One comment

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: