Que puta de televisão é esta (todas) que passa dois dias (dois) a mostrar as mesmas imagens, a dizer as mesmas coisas, a entrevistar as mesmas pessoas e a todas as horas possíveis?
Já toda a gente sabe que o avião aterrou na praia e matou duas pessoas e pouco ou nada mais se lhe sabe. Nem terá muito mais de que se saber.
A insistência imbecil, idiota e inútil de mostrar mais do mesmo – ou seja, nada – e de falar do assunto (já) sem assunto, nem nada para dele falar, além de matar a paciência e insultar a inteligência das pessoas, atinge laivos de fria crueldade, de jornalismo de merda, de sensacionalismo ultra-barato e reles, através de profissionais (?) incompetentes, inescrupulosos e sem respeito por nada nem por ninguém – muito menos pelas vítimas daquele estúpido acidente.
Se calhar sou eu que sou estúpido ou ingénuo, ao pensar assim. E estou sozinho, não chego para uma estatística. Se o sensacionalismo barato existe, se continua a existir (tvs, correios das manhãs, revistas tv, marias, caras, vips, nova gente, eles e elas, etc) é porque tem freguesia. Se tem freguesia é porque há quem goste. É porque são crueis, estúpidas, reles, idiotas e imbecis, as pessoas, os consumidores daquelas trampas a que alguém chamou de jornalismo.
(Eu já nem falo em povo, para não ferir susceptibilidades…).
Eu bem as vejo, às cívicas, sensíveis e cultas pessoas da minha área, aos sábados de manhã, acotovelamontoadas no escaparate da venda de jornais, a adquirirem, febris, aquela tralha, toda aquela porcaria editada, na ânsia de saberem quem o Ronaldo comeu ultimamente, com quem anda agora a Judite de Sousa, os graves problemas do Tony Carrera, ou o nome da futura filha da Bernardina Brito, que afinal se reconciliou não sei com quem.
Vivo num país cujo presidente vai a correr apresentar condolências aos familiares das vítimas do avião. Não sei o que irá ser dele, a continuar assim – se por cada acidente, automobilístico e mortal nas nossas estradas e cidades (e são diários) insistir em ir aos locais e oferecer os pêsames aos familiares. Já não bastam os incêndios e a urgente e utilíssima presença do tal nosso presidente nos locais, com os beijinhos, os abraços e as promessas do costume – onde vai ele arranjar tempo para tudo?
E o que é que eu estou afinal aqui a fazer? Estou é a mais, com certeza.