VISIBILIDADE DA COMUNIDADE CIGANA por Luísa Lobão Moniz

No jornal Público de quinta feira pode-se ler um artigo intitulado “Governo vai rever estratégia para a integração das comunidades ciganas”. O Governo vai contratar 50 mediadores ciganos.

Fiquei um pouco surpreendida com esta decisão do governo, pois revela alguma falta de conhecimento do que se tem vindo a fazer, nas escolas, há já algum tempo.

A secretária de Estado para a Cidadania e a Igualdade revela com o entusiasmo de quem vai começar um novo caminho e, assim, um ministro, um secretário de estado e as diversas comunidades ciganas sentam-se à volta da mesa numa tentativa de se encontrarem soluções.

Se o governo quiser fazer o caminho, para trás, da “integração” de crianças ciganas no sistema educativo, na saúde, na assistência social vai ver que é já um caminho longo feito com muitas dificuldades, alguns sucessos e, obrigatoriamente, com todos os outros da comunidade.

Como professora e cidadã tive o prazer de viver na escola essa época em que finalmente a comunidade cigana começou a ter visibilidade por muitas razões e não só pelas más.

Há tanto para aprender com os Territórios Educativos de Intervenção Prioritária, com o Projecto do DEB (Departamento de Ensino Básico) que deu formação a ciganos/ciganas para moderadores culturais.

Bem-vinda a preocupação de “integrar” as comunidades ciganas, mas sem esquecer o que já foi feito e qual o resultado.

As palavras representam conceitos e são de extrema importância na comunicação, por isso, existem Integração e Inclusão que representam diferentes conceitos sobre a relação entre grupos de diferentes culturas e com diferentes posições de poder.

Integrar é fazer com que o outro viva ao pé de nós, e que cumpra com as regras já existentes na comunidade maioritária.

Incluir é fazer com que as várias comunidades culturais possam interagir sem preconceitos ou receios, em relação aos diferentes papéis que podem ter na comunidade.

Qualquer elemento da sociedade pode, não só ter acesso a todas as funções sociais, como o de exigir que a possibilidade de acesso não seja um fim, mas um meio para a transformação social.

Ora, o esforço é em vão se nas escolas, e em outras instituições, a questão da inclusão está a ser trabalhada por e para todos, e na loja mais perto o dono não cigano ponha um sapo à porta do estabelecimento para que os ciganos não entrem. Segundo este dono, e outros donos, o cigano tem medo dos sapos porque lhes atribuem a responsabilidade de algumas desgraças que lhes possam acontecer.

Qual é o significado deste comportamento discriminatório contra os ciganos? Onde está a intervenção cívica que questione, este e outros não ciganos, à luz dos Direitos Humanos de que não estão a cumprir a Constituição Portuguesa?

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