CARTA DO RIO – 167 por Rachel Gutiérrez

Hoje, a minha intenção era a de fazer um passeio recordando palavras, frases e versos que, ao longo da vida, me impressionaram e me acompanham como velhos amigos, como, por exemplo, entre tantas outras, esta surpreendente afirmação de Clarice Lispector, que sempre me emociona quando releio Água Viva, seu penúltimo livro:

Eu sou à esquerda de quem entra. E estremece em mim o mundo.

Frase, aliás, que por sua vez me remete logo aos pungentes versos do início da Tabacaria, de Fernando Pessoa:

Não sou nada. / Nunca serei nada./ Não posso querer ser nada./ À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

Clarice se vê à esquerda, “gauche na vida” como diria Drummond, mas sabe que carrega o mundo inteiro, então diz que estremece nela o mundo. Assim como Pessoa, que se julga nulo em tudo, mas, apesar disso, tem dentro de si todos os sonhos do mundo…

E eu ia assim me permitindo flanar e sonhar, mas eis que a proximidade do dia 7 de setembro, que motivou o último artigo do Senador Cristovam Buarque, publicado em O Globo de sábado, se impôs como assunto incontornável. O Senador dizia :

(…) aos 195 anos de nossa independência, é possível comemorar o que nossos antepassados conseguiram. (…) Chegamos ao nosso terceiro século divididos tão brutalmente que podemos nos considerar um sistema de apartação, um país onde a população está dividida e separada por “mediterrâneos invisíveis” intransponíveis.

Então, não foi só do que escreveu o excelente senador que senti necessidade de falar, foi o desejo de divulgar uma entrevista extraordinária que um dos homens mais ilustres do Brasil concedeu ao jornalista Pedro Bial. Sim, porque além do Senador Buarque que não me canso de citar, temos, felizmente, homens íntegros e ilustres que muito nos orgulham, apesar da situação caótica que enfrentamos, apesar de todos os escândalos de corrupção que mancham a nossa história e nos envergonham.

Por isso, à luz de outra frase que prefacia o livro mais conhecido de meu querido poeta – Rainer Maria Rilke! – o das Cartas a um Jovem Poeta, resolvi dar a palavra ao Ministro Luis Roberto Barroso, do STF (Supremo Tribunal Federal). A frase do jovem poeta Franz Xaver Kappus é:

Quando fala um dos grandes, que só uma vez aparecem, os pequenos devem calar-se.

Portanto, como sei que vários leitores apreciaram vídeos por mim aqui divulgados (o primeiro, com o próprio Senador Buarque, e um outro, com o pensador búlgaro-francês Tzvetan Todorov), tenho certeza de que os leitores e amigos da Viagem dos Argonautas vão apreciar.

Tenho o prazer de passar a palavra ao Ministro Luís Roberto Barroso:

Com homens como esse, podemos acreditar que o Brasil tem jeito.

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