A HUMILHAÇÃO DO HOMEM por Luísa Lobão Moniz

Qual é a coisa qual é ela que mais humilha e vexa um homem?

Não podia ser outra coisa senão a liberdade da mulher.

Casaram, separam-se e a mulher teve outra relação amorosa, ainda casada…

Marido e amante juntaram-se, premeditaram o castigo dado à mulher adultera. Muniram-se de um bastão com pregos, tal era a fúria, e lá descarregaram a suas frustrações de machos “traídos”. Foram traídos e humilhados, e agora? o conhecimento público, a censura social?

Como se sabe a sanção social é de relevante importância para qualquer homem ou mulher. Ninguém pode perder a face.

Violência contra as mulheres é não cumprir a Declaração dos Direitos Humanos, dos Direitos das Mulheres, da Constituição Portuguesa.

Ninguém tem dúvida de que houve um acto de violência contra uma mulher, por dois homens que premeditaram a sua morte. Uma pancada forte na cabeça de alguém com um bastão com pregos inevitavelmente poderia ter levado esta mulher à morte.

Isto não é crime passional, é vingança e poder porque o homem é, ainda, uma espécie de dono das mulheres, podem castigar e até matar.

A ver pelas penas suspensas aos agressores não há dúvida que a vida da mulher é diferente da do homem, vale menos, tem menos liberdade e é mais violentada do que a dos homens…

 O magistrado Joaquim Neto de Moura tem vários acórdãos polémicos em relação às penas aplicadas. Aquele, de que se fala e enche páginas de jornais, teve a ignorância de citar a Bíblia fora de contexto e de misturar religião com Justiça.

Este magistrado confunde violência doméstica com adultério.

Adultério? A palavra adultério foi desaparecendo do vocabulário popular e erudito. A relação extra conjugal ainda é vista como algo condenado pela sociedade e com certa aprovação das consequências.

Através das épocas o adultério foi perdendo a importância de que se revestia, começou por ser merecedor de pena de morte e hoje, apesar dos Direitos das Mulheres e da luta pela igualdade de género, ainda dá alguma satisfação a certos homens e a certas mulheres que têm os pés no século XXI, mas têm os mesmos preconceitos de épocas há muito passadas.

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