NATAL SAIU À RUA por Luísa Lobão Moniz

O Natal saiu à rua e com ele inúmeras lâmpadas de variadíssimas cores enchem os olhos de quem passa.

E quem passa? Passa o que não dá por nada, o que diz mal das iluminações, o que se maravilha e comenta a semelhança, ou não, com as luzes do ano passado. Há quem passe e fique maravilhado com a magia que o Natal trazia quando éramos crianças e acreditávamos no Pai Natal.

Lá muito longe na Lapónia o Pai Natal, ajudado pelas renas, embrulhava e separava as prendas para as crianças. A magia do Natal para os adultos era ver a alegria de meninos e de meninas, que de carinhas já rosadas, pela excitação, desembrulhavam as prendas de Natal.

Não havia catálogos do Continente, e afins, para seduzir as crianças e fazê-las pôr uma cruz no quadradinho que já lá vem para o efeito.

“Vê lá se já puseste as cruzinhas todas nos brinquedos que queres ….oh! esse é muito caro, não sei se tenho dinheiro para o comprar”

Onde está a magia do Natal quando os meninos e as meninas já sabem que não há Pai Natal, que são os pais que compram as prendas com os filhos ao lado…

A magia, o encantamento do que não se explica esvai-se…

“Eu no Natal ganhei a “

Não meus queridos, no Natal não se ganha nada material.

No Natal aproximamo-nos mais uns dos outros, queremos que todos estejam felizes e com esperança para o próximo Natal.

Não, não é preciso os pais gastarem muito dinheiro com as prendas, o que interessa é a relação afectiva que existe entre quem dá e quem recebo.

Os meninos e as meninas que cresceram a acreditar no Pai Natal até mais tarde guardam recordações que nada têm a ver com o valor da prenda.

Fico tolhida quando oiço uma criança dizer “Oh, não me compraste os ténis com luz!!! Eu queria tanto”, mas tanto estava à sua volta ainda por abrir…

Hoje o Pai Natal é um comerciante, até faz saldos…Serve-se do comércio, dos anúncios, dos catálogos.

Mas o Natal é o Nascimento do Menino Jesus e tal como este menino que recebeu muitas prendas dos pastores, das lavadeiras, dos Reis Magos, também todos os meninos e meninas deveriam receber um presente…

Como se podem dar presentes às crianças desalojadas pela guerra, às crianças que sofrem maltratos juntamente com as suas mães, às crianças que estão nos campos de refugiados?

A vida é por vezes injusta: quem tem menos recebe menos; os poderosos mostram através da televisão as suas enormes árvores de Natal, faustosamente decoradas com bolas, sinos e fitas.

 

Só se lembra dos caminhos velhos
Quem tem saudades da terra     

Zeca Afonso (O Natal dos Simples)

Natal agora

Neste solstício de inverno ele vai nascer
algures no Mundo entre ruínas
no lugar do não ser ele vai nascer
deitado nas palhinhas entre
bombas naufrágios minas
cada mulher que foge o traz no ventre
o mesmo coração um só destino
algures no mundo ele vai ser
em todos os meninos o menino.

                                                               Manuel Alegre

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

%d bloggers like this: