O ENCONTRO COM LULA – por FIDEL CASTRO

OBRIGADO A JONAS DUARTE E CAMILO JOSEPH

 

Espontaneamente, Lula decidiu visitar Cuba pela segunda vez como Presidente do Brasil, embora minha saúde não garantisse um encontro dele comigo.

Antes, como ele mesmo disse, visitava a Ilha quase todos os anos. Conheci Lula por ocasião do primeiro aniversário da Revolução Sandinista na casa de Sergio Ramírez, então vice-presidente do país. Digo de passagem que este último, de certa forma, me enganou. Quando li seu livro “Castigo Divino” – excelente narração – cheguei a acreditar que era um caso real ocorrido na Nicarágua, com todos os enredos legais que são habituais nas antigas colônias espanholas; ele mesmo me contou um dia que era ficção pura.

Também me encontrei ali com Frei Betto, hoje crítico embora não inimigo de Lula, e com o padre Ernesto Cardenal, militante sandinista de esquerda e atual adversário de Daniel Ortega. Os dois escritores procediam da Teologia da Libertação, uma corrente progressista que sempre vimos como um grande passo para a unidade dos revolucionários e dos pobres, além de sua filosofia e suas crenças, ajustadas às condições concretas de luta na América Latina e no Caribe.

Confesso, entretanto, que via no padre Ernesto Cardenal, diferentemente de outros na direção da Nicarágua, uma imagem figurada do sacrifício e das privações qual monge medieval. Era um verdadeiro protótipo de pureza. Deixo de lado outros que, menos conseqüentes, alguma vez foram revolucionários, inclusive militantes de extrema esquerda na América Central e outras áreas, que depois se passaram com armas e bagagens, por ânsias de bem-estar e dinheiro, às filas do império.

O que é que isso tem a ver o com Lula? Muito. Nunca foi um extremista de esquerda, nem subiu à condição de revolucionário a partir de posições filosóficas, mas sim das de um operário de origem humilde e fé cristã, que trabalhou duramente criando mais-valia para outros. Karl Marx viu nos operários os coveiros do sistema capitalista: “Proletários de todos os países, uni-vos”, proclamou. O raciocínio demonstra com irrebatível lógica; sente prazer e se burla demonstrando quão cínicas eram as mentiras empregadas para acusar os comunistas. Se as idéias de Marx eram justas então, quando tudo parecia depender da luta de classes e do desenvolvimento das forças produtivas, a ciência e a técnica que dessem sustentação à criação de bens indispensáveis para satisfazer às necessidades humanas, há fatores absolutamente novos que lhe dão razão e, em definitivo, se chocam contra seus nobres objetivos.

Novas necessidades surgiram que podem dar ao traste com os objetivos de uma sociedade sem exploradores nem explorados. Entre estas novas necessidades surge a da própria sobrevivência humana. Não se falava de mudança climática na época de Marx. Engels e eles sabiam que um dia o sol se apagaria ao consumir toda sua energia. Poucos anos depois do Manifesto Comunista nasceram outros homens que aprofundariam no campo da ciência os conhecimentos das leis químicas, físicas e biológicas que regem o Universo, desconhecidas então. Em mãos de quem estariam esses conhecimentos? Embora estes continuassem desenvolvendo-se, e inclusive superando-se, e mais uma vez sejam negadas e contestadas em parte suas teorias, os novos conhecimentos não estão nas mãos dos povos pobres, que na atualidade integram três quarta parte da população mundial. Estão nas mãos de um grupo privilegiado de potências capitalistas ricas e desenvolvidas, associadas ao império mais poderoso jamais visto, construído sobre as bases de uma economia globalizada, regida pelas leis do capitalismo que Marx descreveu e esmiuçou a fundo.

Hoje, que a humanidade sofre ainda essas realidades em virtude da própria dialética dos acontecimentos, devemos fazer frente a esses perigos.

Como se comportou o processo da Revolução em Cuba? Escreveu-se muito na nossa imprensa durante as últimas semanas sobre diferentes episódios dessa etapa. Rende-se tributo a diversas datas históricas nos dias que correspondem aos aniversários que cumprem cifras redondas de cinco ou dez anos. Isso é justo, mas devemos evitar que na soma de tantos fatos descritos por cada órgão ou espaço, segundo seus critérios, não sejamos capazes de vê-los no contexto do desenvolvimento histórico de nossa Revolução, a despeito do esforço dos magníficos analistas que dispomos.

Para mim, unidade significa compartilhar o combate, os riscos, os sacrifícios, os objetivos, idéias, conceitos e estratégias, aos que se chega mediante debate e análise. Unidade significa a luta comum contra anexionistas, vende-pátrias e corruptos que não têm nada a ver com um militante revolucionário. A essa unidade em torno da idéia da independência e contra o império que avança sobre os povos da América, é a que sempre me referi. Há poucos dias voltei a lê-la no Granma em edição às vésperas de nossas eleições, e o jornal Juventude Rebelde reproduziu um fac-símile de meu punho e letra sobre a idéia.

A velha ordem pré-revolucionária de unidade não tem nada a ver com o conceito, pois no nosso país não existem hoje organizações políticas em busca de poder. Devemos evitar que, no enorme mar de critérios táticos, diluam-se as linhas estratégicas e imaginemos situações inexistentes.

Num país sob intervenção dos Estados Unidos, no meio de sua luta solitária pela independência da última colônia espanhola junto à irmã Porto Rico — “as duas asas de um pássaro”, os sentimentos nacionais eram muito profundos.

Os produtores reais de açúcar, que eram os escravos recém-liberados e os camponeses, muitos deles combatentes do Exército Libertador, convertidos em precaristas ou carentes totalmente de terras, que eram lançados aos cortes de cana em grandes latifúndios criados por companhias dos Estados Unidos ou latifundiários cubanos que herdavam, compravam ou roubavam terra, eram matéria-prima propícia para as idéias revolucionárias.

Julio Antonio Mella, fundador do Partido Comunista junto a Baliño – que conheceu Martí e com ele criou o Partido que conduziria à independência de Cuba – tomou a bandeira, somou o entusiasmo que emergia da Revolução de Outubro, e entregou a esta causa seu próprio sangue de jovem intelectual conquistado pelas idéias revolucionárias. O sangue comunista de Jesus Menéndez se somou ao de Mella 18 anos depois.

Os adolescentes e jovens que estudávamos em escolas privadas nem sequer tínhamos ouvido falar de Mella. Nossa origem de classe ou grupo social com maiores rendimentos que o resto da população nos condenava como seres humanos a ser a parte egoísta e exploradora da sociedade.

Tive o privilégio de chegar à Revolução através das idéias, escapar do aborrecido destino que me conduzia a vida. Em outros momentos expliquei por que. Agora recordo apenas no contexto que escrevo.

O ódio a Batista por sua repressão e seus crimes era tão grande que ninguém reparou nas idéias que expressei na minha defesa ante o Tribunal de Santiago de Cuba, onde inclusive um livro de Lênin impresso na URSS – resultado do crédito que eu desfrutava na livraria do Partido Socialista Popular de Carlos III em Havana – figurava entre os pertences dos combatentes. “Quem não lê Lênin é um ignorante”, espetei no meio do interrogatório nas primeiras sessões do julgamento oral, quando o expuseram a reluzir como elemento acusatório. Ainda me julgavam junto a outros prisioneiros sobreviventes.

Não se compreenderia bem o que afirmo se não se levar em consideração que no momento em que atacamos o Quartel Moncada, em 26 de Julho de 1953, ação devida aos esforços organizativos de mais de um ano sem contar com ninguém mais senão a nós mesmos, prevalecia na URSS a política de Stálin, que morreu repentinamente meses antes. Era um militante honesto e consagrado, que mais tarde cometeu graves erros que o levaram a posições extremamente conservadoras e cautelosas. Se uma revolução como a nossa tivesse tido êxito então, a URSS não teria feito por Cuba o que mais tarde fizeram os dirigentes soviéticos, liberada já daqueles métodos tenebrosos e tortuosos, entusiasmada com a Revolução Socialista que estalou em nosso país. Compreendi tudo isso, apesar das justas críticas que fiz a Kruschev por fatos sobejamente conhecidos.

A URSS possuía o exército mais poderoso de todos os opositores na Segunda Guerra Mundial, só que estava purgado e desmobilizado. Seu chefe subestimou as ameaças e as teorias bélicas de Hitler. Da própria capital do Japão, um importante e prestigioso agente da inteligência soviética havia comunicado o iminente do ataque, que ocorreu em 22 de junho de 1941. Este surpreendeu o país, que não estava em posição de combate. Muitos oficiais estavam de licença. Até sem os chefes de unidades de mais experiência, que foram substituídos, caso tivessem sido alertados e desdobrados, os nazistas teriam se chocado com forças poderosas no primeiro instante e não teriam destruído em terra a maior parte da aviação de combate. Pior ainda que a purgação foi a surpresa. Os soldados soviéticos não se rendiam quando lhes falavam de tanques inimigos na retaguarda, como fizeram outros exércitos da Europa capitalista. Nos momentos mais críticos, com frio abaixo de zero, os patriotas siberianos puseram os tornos a trabalhar nas fábricas de armamentos que Stálin tinha transladado providencialmente às profundidades do território soviético.

Conforme os próprios dirigentes da URSS me contaram quando visitei esse grande país em abril de 1963, os combatentes revolucionários russos, curtidos na luta contra a intervenção estrangeira em virtude da qual foram enviadas tropas para combater a Revolução Bolchevique, deixando-a posteriormente bloqueada e isolada, tinham estabelecido relações e trocado experiências com os oficiais alemães, de tradição militarista prussiana, humilhados pelo Tratado de Versalhes, que pôs fim à Primeira Guerra Mundial.

Os serviços de Inteligência das SS introduziram a intriga contra muitos que eram na sua imensa maioria leais à Revolução. Movido por uma desconfiança que se tornou doentia, Stálin purgou 3 dos 5 Marechais, 13 dos 15 Comandantes de Exército, 8 dos 9 Almirantes, 50 dos 57 Generais de Corpo de Exército, 154 dos 186 Generais de Divisão, cem por cento dos Delegados de Exército e 25 dos 28 Delegados dos Corpos de Exército da União Soviética, nos anos que precederam à Grande Guerra Pátria.

Aqueles graves erros custaram à URSS uma enorme destruição e mais de 20 milhões de vidas; alguns afirmam que 27 milhões.

Em 1943, desatou-se com atraso a última ofensiva nazista, na Primavera, pela famosa e tentadora saliência de Kursk, com 900 mil soldados, 2.700 tanques e 2.000 aviões. Os soviéticos, conhecedores da psicologia inimiga, esperaram naquela armadilha o ataque seguro com um milhão e 200 mil homens, 3.300 tanques, 2.400 aviões e 20.000 peças de artilharia. Dirigidos pelo Júkov e o próprio Stálin, destroçaram a última ofensiva de Hitler.

Em 1945, os soldados soviéticos avançaram incontidos até tomar a cúpula da Chancelaria alemã em Berlim, onde içaram a bandeira vermelha manchada com o sangue de muitos soldados caídos em batalha.

Observo um momento a gravata vermelha de Lula e pergunto a ele: foi presente de Chávez? Sorri e responde: Agora vou enviar-lhe algumas camisas, já que ele se queixa de que o colarinho das suas está muito duro. Vou procurar na Bahia para dar de presente a ele.

Pediu-me algumas das fotos que tirei dele.

Quando comentou que estava muito impressionado com minha saúde, respondi-lhe que me dedicava a pensar e a escrever. Nunca na minha vida tinha pensado tanto. Contei-lhe que, concluída minha visita a Córdoba, na Argentina, onde tinha assistido a uma reunião com numerosos líderes, entre outros, ele, retornei, e participei logo em seguida de dois atos alusivos ao aniversário do 26 de Julho. Estava revisando o livro de Ignacio Ramonet. Tinha respondido a todas as suas perguntas. Não tinha levado muito a sério a coisa. Acreditava que era uma tarefa de curto fôlego, como as entrevistas de Frei Betto e de Tomas Borge. Logo me apeguei ao livro do escritor francês, já a ponto de ser publicado sem minha revisão com parte das respostas apanhadas às pressas. Por aqueles dias quase nem dormia.

Quando adoeci gravemente, na noite do dia 26 e a madrugada de 27 de julho, pensei que seria o fim, e enquanto os médicos lutavam pela minha vida, às minhas expensas, o Secretário do Conselho de Estado lia o texto enquanto eu ditava os últimos acertos.

Lula recordou com ardor a primeira vez que visitou nosso país no ano 1985 para participar de uma reunião convocada por Cuba para analisar o exaustivo problema da dívida externa, quando os representantes das mais variadas tendências políticas, religiosas, culturais e sociais, preocupados com o asfixiante drama, expuseram e debateram seus critérios.

Os encontros repetiram-se nos anos subseqüentes. Convidamos líderes dos trabalhadores urbanos e rurais, dos estudantes, e outras categorias conforme o tema. Ele era um deles, já conhecido entre nós e no exterior por sua mensagem direta e vibrante, de jovem dirigente operário.

A América Latina devia então 350 bilhões de dólares. Contei-lhe que aquele ano de intensa luta tinha escrito longas cartas ao Presidente da Argentina, Raúl Alfonsín, para persuadi-lo de que não seguisse pagando aquela dívida. Conhecia as posições do México, incomovível no pagamento de sua enorme dívida externa, embora não indiferente ao resultado da batalha, e a especial situação política do Brasil. A dívida argentina era suficientemente grande após os desastres do governo militar. Justificava-se o intento de abrir uma brecha nessa direção. Não pude obtê-lo. Poucos anos depois, a dívida latino-americana, mais juros e taxas, subia a 800 bilhões; multiplicou-se por dois e já tinha sido paga.

Lula explicou-me a diferença com aquele ano. Afirma que hoje o Brasil não tem dívida alguma com o FMI, tampouco com o Clube de Paris, e dispõe de 190 bilhões de dólares em reservas. Deduzi que seu país tinha pago enormes somas para cumprir com aquelas instituições. Expliquei-lhe a colossal fraude de Nixon à economia mundial, quando unilateralmente suspendeu o padrão ouro, em 1971, que punha limites à emissão de bilhetes. O dólar mantinha até então um equilíbrio com relação a seu valor em ouro. Trinta anos antes os Estados Unidos dispunha de quase todas as reservas desse metal. Se havia muito ouro, compravam; se havia escassez, vendiam. O dólar exercia seu papel como moeda de câmbio internacional, dentro dos privilégios que foram concedidos a esse país em Bretton Woods no ano 1944.

As potências mais desenvolvidas estavam destruídas pela guerra. Japão, Alemanha, URSS e o resto da Europa que contavam com esse metal em suas reservas. A onça de ouro podia adquirir-se até por 35 dólares; hoje se necessitam 900.

Os Estados Unidos – disse a ele – comprou bens em todo mundo imprimindo dólares, e sobre tais propriedades adquiridas em outras nações exercem prerrogativas soberanas. Ninguém deseja, entretanto, que o dólar se desvalorize mais, porque quase todos os países acumulam dólares, quer dizer, papéis, que se desvalorizam constantemente da decisão unilateral do Presidente dos Estados Unidos.

As reservas em divisas atuais da China, Japão, Sudeste Asiático e Rússia acumulam três trilhões de dólares; são cifras siderais. Somadas as reservas em dólares da Europa e do resto do mundo, tem-se o equivalente a uma montanha de dinheiro cujo valor depende do que faça o governo de um país.

Greenspan, que fora durante mais de 15 anos Presidente da Reserva Federal, morreria de pânico ante uma situação como a atual. Até onde pode aumentar a inflação nos Estados Unidos? Quantos novos empregos podem ser criados este ano nesse país? Até quando vai funcionar sua máquina de imprimir papéis antes que se produza o colapso de sua economia, além de usar a guerra para conquistar os recursos naturais de outras nações?

Como conseqüência das duras medidas que impuseram em Versalhes ao Estado alemão derrotado em 1918, quando se instalou um regime republicano, o marco alemão se desvalorizou de tal forma que chegou a se necessitar dezenas de milhares deles para comprar um dólar. Tal crise alimentou o nacionalismo alemão e contribuiu extraordinariamente para as absurdas idéias de Hitler. Este procurou culpados. Muitos dos principais talentos científicos, escritores e financistas eram de origem judia. Perseguiram-nos. Entre eles estava Einstein, autor da teoria de que a energia é igual à massa multiplicada pelo quadrado da velocidade da luz, que o fez famoso. Também Marx, nascido na Alemanha, e muitos dos comunistas russos, eram dessa origem, praticassem ou não a religião hebraica.

Hitler não culpou o sistema capitalista pelo drama humano, mas aos judeus. Partindo de ásperos prejuízos, o que desejava realmente era “espaço vital russo” para sua raça superior germânica, cujo império milenário sonhava edificar.

Mediante a Declaração de Balfour os britânicos decidiram, em 1917, criar dentro de seu império colonial o Estado de Israel em território povoado por palestinos, de outra religião e cultura, que naquelas terras viveram junto a outras etnias, entre elas a judaica, durante muitos séculos antes de nossa era. O sionismo se fez popular entre os americanos, que odiavam com razão os nazistas e cujas bolsas financeiras estavam controladas por representantes daquele movimento. Esse Estado aplica hoje os princípios do Apartheid, possui sofisticadas armas nucleares e controla os centros financeiros mais importantes dos Estados Unidos. Foi utilizado por este país e seus aliados europeus para subministrar armas nucleares a outro Apartheid, o da África do Sul, para usá-las contra os combatentes internacionalistas cubanos que lutavam contra os racistas ao sul de Angola. Para tanto, cruzavam a fronteira da Namíbia.

Imediatamente depois falei com Lula da política aventureira de Bush no Oriente Médio.

Prometi entregar-lhe o artigo que seria publicado no Granma ao dia seguinte, 16 de janeiro. Assinaria de punho e letra o que destinava a ele. Faria entrega, igualmente, antes de partir, do artigo de Paul Kennedy, um dos intelectuais mais influentes dos Estados Unidos, sobre a interconexão entre os preços de alimentos e petróleo.

Você é produtor de alimentos, acrescentei, e, além disso, acaba de encontrar importantes reservas de petróleo leve. O Brasil possui 8 milhões 534 mil quilômetros quadrados e dispõe de 30 por cento das reservas de água do mundo. A população do planeta necessita cada vez mais de alimentos, dos quais vocês são grandes exportadores. Se se dispuser de grãos ricos em proteínas, óleo e carboidratos – que podem ser frutos, como a castanha do caju, a amêndoa, o pistácio; raízes, como o amendoim; a soja, com mais de 35% de proteína, o girassol; ou cereais, como o trigo e o milho – é possível produzir a carne ou o leite que deseje. Não mencionei outros da longa lista.

Em Cuba, continuei explicando, tivemos uma vaca que estabeleceu recorde mundial de leite, uma mescla de Holstein com Zebu. Imediatamente Lula a mencionou: “Úbere Branca!” exclamou. Recordava seu nome. Acrescentei que chegou a produzir 110 litros diários de leite. Era como uma fábrica, mas tinha que lhe dar mais de 40 quilos de ração, o máximo que podia mastigar e tragar em 24 horas, uma mistura onde a farinha de soja, uma leguminosa muito difícil de produzir no chão e clima de Cuba, é o componente fundamental. Vocês têm agora as duas coisas: fornecimento certo de combustível, matérias-primas alimentícias e alimentos elaborados.

Proclama-se o fim dos alimentos baratos. O que farão dezenas de países com muitas centenas de milhões de habitantes que não contam com uma coisa nem outra? Isto significa que os Estados Unidos tem uma enorme dependência externa, o que constitui uma arma. Teriam que abrir mão de todas suas reservas de terra, mas o povo desse país não está preparado para isso. Eles estão produzindo etanol a partir do milho, o que provoca que retirem do mercado uma grande quantidade desse grão calórico, continuei argumentando.

Lula contou-me, com relação ao tema, que os produtores brasileiros já estão vendendo a colheita de milho de 2009. O Brasil não é tão dependente do milho como o México ou a América Central. Penso que nos Estados Unidos não se sustenta a produção de combustível a partir do milho. Isso confirma, afirmei, uma realidade com relação à ascensão impetuosa e incontrolável dos preços dos alimentos, que afetará muitos povos.

Em troca, disse-lhe, vocês contam com um clima favorável e uma terra solta; a nossa é de textura argilosa e às vezes dura como o cimento. Quando vieram os tratores soviéticos e os de outros países socialistas eles quebravam, havendo necessidade de comprarmos aços especiais na Europa para fabricá-los aqui. Em nosso país abundam as terras negras ou vermelhas de tipo argiloso. Trabalhamos a terra com esmero, pois podem produzir para o consumo familiar o que os camponeses do Escambray denominavam “alto consumo”. Eles recebiam do Estado cotas de alimentos, além de consumir os seus produtos. O clima mudou em Cuba, Lula.

Para produções comerciais de grãos em grande escala, como requerem as necessidades de uma população de quase 12 milhões de pessoas, nossas terras não são aptas, e o custo em máquinas e combustíveis que o país importa, com os atuais preços, seria muito alto.

Nossa imprensa publica produções de petróleo em Matanzas, a redução de custos e outros aspectos positivos. Mas ninguém assinala que seu preço em divisas tem que ser compartilhado com os sócios estrangeiros que investem nas sofisticadas máquinas e tecnologias necessárias. Por outro lado, não existe a mão-de-obra requerida para aplicá-la intensivamente na produção de grãos, como fazem os vietnamitas e chineses, no cultivo do arroz e extraindo às vezes duas e até três colheitas. Corresponde à localização e tradição histórica da terra e seus habitantes. Não passaram antes pela mecanização em grande escala de modernas colheitadeiras. Em Cuba há muito tempo que os cortadores de cana e os trabalhadores dos cafezais das montanhas abandonaram o campo, como era lógico; também grande número de construtores, alguns da mesma procedência, abandonou as brigadas e se converteu em trabalhadores por conta própria. O povo sabe quanto custa arrumar uma moradia. É o material mais o elevado custo do serviço que se faz necessário para esse fim. O primeiro tem solução, o segundo não resolve – como acreditam alguns – lançando pesos à rua sem sua contrapartida em divisas conversíveis, que já não serão dólares, mas euros ou yuanes cada vez mais caros, se entre todos conseguimos salvar a economia internacional e a paz.

Enquanto isso, vínhamos, e devemos continuar, criando reservas de alimentos e combustível. Em caso de ataque militar direto, a força de trabalho manual se multiplicaria.

Nos poucos momentos que estive com Lula, duas horas e meia, teria querido sintetizar em minutos os quase 28 anos transcorridos, não desde que ele visitou pela primeira vez Cuba, mas desde que o conheci na Nicarágua. Agora era o líder de um imenso país, cujo destino, entretanto, depende de muitos aspectos que são comuns a todos os povos que habitam este planeta.

Solicitei-lhe permissão para falar sobre nossa conversação com liberdade e prudência.

Quando está diante de mim, sorridente e amistoso, o escuto falar com orgulho de seu país, das coisas que está fazendo e se propõe fazer. Penso em seu instinto político. Eu acabava de revisar velozmente um relatório de cem páginas sobre o Brasil e o desenvolvimento das relações entre nossos dois países. É o homem que conheci na capital sandinista, Manágua, e que tanto se vinculou com nossa Revolução. Não lhe falei nem lhe teria falado de algo que resultasse ingerência no processo político do Brasil, mas ele mesmo entre as primeiras coisas disse: Lembra-te, Fidel, quando falamos do Fórum de São Paulo, e me disse que era necessária a unidade da esquerda latino-americana para garantir nosso progresso? Pois já estamos avançando nessa direção.

Imediatamente me fala com orgulho do que é o Brasil hoje e suas grandes possibilidades, tomando em conta seus avanços em ciência, tecnologia, indústria mecânica, energética e outras, unidos a seu enorme potencial agrícola. É obvio que inclui o elevado nível das relações internacionais do Brasil, que detalha com entusiasmo, e que está disposto a desenvolver com Cuba. Fala com veemência da obra social do Partido dos Trabalhadores, hoje apoiado por todos os Partidos da esquerda brasileira, que estão longe de contar com uma maioria parlamentar.

Sem dúvida, era uma parte das coisas analisadas há anos quando falamos. Já então o tempo transcorria com celeridade, mas agora cada um dos anos se multiplica por dez, a um ritmo difícil de seguir.

Desejava também falar disso e outras muitas coisas. Não se sabe qual dos dois tinha mais necessidade de transmitir idéias. De minha parte, supus que ele iria ao dia seguinte, e não nessa mesma noite cedo, segundo plano de vôo programado antes de nos vermos. Eram aproximadamente cinco da tarde. Sobreveio uma espécie de competição pelo uso do tempo. Lula, ardiloso e rápido, tomou desforra ao reunir-se com a imprensa, quando de forma picaresca e sempre sorridente, como se pode apreciar pelas fotos, disse aos jornalistas que ele sozinho tinha falado meia hora e Fidel dois. É obvio que eu, me valendo do direito de antiguidade, usei mais tempo que ele. Há que descontar o das fotos mútuas, já que pedi uma câmara emprestada e me tornei repórter; ele fez o mesmo.

Tenho aqui 103 páginas de notícias das agências falando do que Lula disse à imprensa, as fotos que tomaram e a segurança que transmitiu sobre a saúde do Fidel. Realmente não deixou espaço noticioso para a reflexão publicada em 16 de janeiro, que terminei de elaborar um dia antes de sua visita. Ele ocupou todo o espaço, o que é equivalente a seu enorme território, comparado com a minúscula superfície de Cuba.

Disse a meu interlocutor quanto me satisfazia sua decisão de visitar Cuba, mesmo que não tivesse a segurança de reunir-se comigo. Que tão logo soube, decidi sacrificar o que fosse em matéria de exercícios, reabilitação e recuperação de faculdades, para atendê-lo e conversar amplamente com ele.

Nesse momento, embora soubesse que iria nesse mesmo dia, não sabia a urgência de sua partida. Evidentemente o estado de saúde do vice-presidente do Brasil, conhecido por suas próprias declarações, urgiu-o a partir para chegar quase ao amanhecer do outro dia em Brasília, em plena primavera. Outra larga jornada de agitação para nosso amigo.

Um fortíssimo e continuado aguaceiro caía em sua residência enquanto Lula esperava as fotos e dois materiais adicionais, com minhas notas. Sob a chuva partiu à noite para o aeroporto. Se visse o que se publicava na primeira página do Granma: “2007, o terceiro ano mais chuvoso em mais de 100 anos”, o ajudaria a compreender o que havia dito sobre a mudança de clima. Pois bem: já começou a colheita de cana-de-açúcar em Cuba, e o chamado período seco. O rendimento em açúcar não passa de nove por cento. Quanto custará produzir açúcar para exportar a dez centavos a libra, quando o poder aquisitivo de um centavo é quase cinqüenta vezes menor que à época do triunfo da Revolução em Primeiro de Janeiro de 1959? Reduzir os custos desses e outros produtos para cumprir nossos compromissos, satisfazer nosso consumo, criar reservas e desenvolver outras produções, é um grande mérito; mas nem sonhar, por isso, que as soluções de nossos problemas são fáceis e estão à volta da esquina.

Falamos, entre numerosos temas, da posse do novo presidente da Guatemala, Álvaro Colom. Contei-lhe que tinha visto o ato sem perder detalhe e os compromissos sociais do recém-eleito Presidente. Lula comentou que o que hoje se pode ver na América Latina nasceu em 1990, quando decidimos criar o Fórum de São Paulo: “Tomamos uma decisão aqui, numa conversação que tivemos. Eu tinha perdido as eleições e você foi à minha casa almoçar.”

Apenas iniciava minha conversação com Lula, e tenho ainda muitas coisas que contar e idéias a expor, talvez de alguma utilidade.

Quando aconteceu a desintegração da União Soviética, que foi para nós como se deixasse de sair o sol, a Revolução Cubana recebeu um golpe demolidor.  Não só se traduziu num afastamento total dos fornecimentos de combustível, materiais e alimentos; perdemos os mercados e preços alcançados para nossos produtos no duro embate da luta pela soberania, a integração e os princípios.  O império e os traidores, cheios de ódio, afiavam as adagas com os que pensavam passar a faca nos revolucionários e recuperar as riquezas do país.

O Produto Interno Bruto começou a cair progressivamente até 35 por cento.  Que país teria resistido tão terrível golpe?  Não defendíamos nossas vidas, defendíamos nossos direitos.

Muitos partidos e organizações de esquerda se desalentaram ante o colapso na URSS atrás de seu titânico esforço por construir o socialismo durante mais de 70 anos.

As críticas dos reacionários em todas as tribunas e meios de divulgação eram ferozes.  Não somaríamos as nossas ao coro dos apologistas do capitalismo fazendo lenha da árvore caída.  Nenhuma estátua dos criadores ou protagonistas do marxismo foi demolida em Cuba.  Nenhuma escola ou fábrica teve o seu nome mudado.  E decidimos seguir adiante com inarredável firmeza.  Assim tínhamos prometido em tão hipotéticas e incríveis circunstâncias.

Nunca se praticou em nosso país o culto à personalidade, proibido por nossa própria iniciativa desde os primeiros dias do triunfo da Revolução.

Na história dos povos, os fatores subjetivos têm feito avançar ou retroceder os desenlaces, independentemente dos méritos dos líderes.

Falei com Lula do Che, fazendo uma síntese de sua história.  Ele discutia com o Carlos Rafael Rodríguez sobre o sistema de autofinanciamento ou o método orçamentário, ao que não dávamos muita importância, pois estávamos então ocupados na luta contra o bloqueio norte-americano, os planos de agressão e a crise nuclear de outubro de 1962, um problema real de sobrevivência.

O Che estudou os orçamentos das grandes companhias ianques, cujos funcionários administrativos viviam em Cuba, não seus proprietários.  Extraiu uma idéia clara do acionar imperialista e do que ocorria em nossa sociedade, que enriqueceu suas concepções marxistas e o levou à conclusão de que em Cuba não se podia usar os mesmos métodos para construir o socialismo.  Mas não se tratava de uma guerra de insultos; eram intercâmbios honestos de opiniões, que se publicavam numa pequena revista sem intenção alguma de criar sismos ou divisões entre nós.

O que ocorreu depois na URSS não teria surpreendido o Che.  Enquanto teve cargos importantes e exerceu funções, foi sempre cuidadoso e respeitoso.

Sua linguagem se endureceu quando se chocou com a horrível realidade humana imposta pelo imperialismo, que percebeu na antiga colônia belga do Congo.

Homem abnegado, estudioso e profundo, morreu na Bolívia junto a um punhado de combatentes cubanos e de outros países latino-americanos, lutando pela libertação de Nossa América.  Não chegou a conhecer o mundo de hoje, ao que se somam problemas que então se ignorava.

Você não o conheceu, disse-lhe.  Era sistemático no trabalho voluntário, o estudo e a conduta: modesto, desinteressado, dava o exemplo nos centros de produção e no combate.

Penso que na construção do socialismo, quanto mais recebam os privilegiados, menos receberão os mais necessitados.

Reiterei a Lula que o tempo passado em anos transcorria agora velozmente;  cada um deles se multiplicava.  Quase pode dizer-se o mesmo de cada dia.  Novas notícias se publicam constantemente, relacionadas com situações previstas no meu encontro do dia 15 com Lula. Abundando nos argumentos econômicos, expliquei-lhe que quando a Revolução triunfou em 1959, os Estados Unidos pagava ao preço preferencial de 5 centavos a libra uma parte importante de nossa produção açucareira, que ao longo de quase um século era enviada ao mercado tradicional desse país, que sempre foi abastecido nos seus momentos críticos por um fornecedor seguro muito próximo a suas costas.  Quando proclamamos a Lei da Reforma Agrária, Eisenhower decidiu o que terei que fazer, e não se chegara ainda à nacionalização de suas centrais açucareiras – que teria sido prematura, nem aplicado ainda aos grandes latifúndios a lei agrária aprovada em maio de 1959.  Em virtude daquela decisão precipitada, nossa cota de açúcar foi suprimida em dezembro de 1960, e mais tarde redistribuída entre outros produtores desta e outras regiões do mundo como castigo.  Nosso país ficou bloqueado e isolado.

O pior foi a falta de escrúpulos e os métodos que exibiu o império para impor seu domínio sobre o mundo.  Introduziram vírus no país e liquidaram as melhores canas; queimaram as plantações de café, destruíram as plantações de batata, dizimaram a criação de suínos.  A variedade de cana Barbados 4362 era uma de nossas melhores: maturidade precoce, rendimento em açúcar que às vezes chegava a 13 ou 14 por cento; seu peso por hectare podia passar de 200 toneladas em cana de 15 meses.  Os ianques acabaram com as melhores, utilizando pragas.  Mais grave ainda: introduziram o vírus da dengue hemorrágica, que afetou a 344 mil pessoas e custou a vida de 101 crianças.  O que não sabemos é se utilizaram outros vírus, ou se não o fizeram por temor à vizinhança com Cuba.

Quando por estas causas não podíamos cumprir os envios de açúcar comprometidos com a URSS, eles nunca deixavam de nos enviar as mercadorias que tínhamos acordado.  Lembro que negociei com os soviéticos cada centavo do preço do açúcar; descobri na prática o que só conhecia em teoria: o intercâmbio desigual.  Eles garantiam um preço acima do praticado no mercado mundial.  Os acordos eram feitos para um período de cinco anos; se no começo do qüinqüênio estavam sendo enviadas x toneladas de açúcar para pagar as mercadorias, ao final do mesmo o valor de seus produtos a preço internacional era 20 por cento mais alto.  Foram sempre generosos nas negociações: uma vez o preço no mercado mundial ascendeu conjunturalmente a 19 centavos, nos aferramos a esse preço, e os soviéticos aceitaram.  Isto serve depois como base para a aplicação do princípio socialista de que os mais desenvolvidos economicamente deviam apoiar os menos desenvolvidos na construção do socialismo.

Ao me perguntar Lula qual era o poder aquisitivo de 5 centavos, expliquei-lhe que com uma tonelada de açúcar comprávamos então 7 toneladas de petróleo;  hoje, o preço do petróleo leve de referência, 100 dólares, compra apenas um barril.  O açúcar que exportamos, aos preços atuais, apenas alcançaria para adquirir o combustível importado que se consome em 20 dias. Terei que gastar ao redor de 4 bilhões de dólares ao ano para adquiri-lo.

Os Estados Unidos subsidiam sua agricultura com dezenas de bilhões de dólares cada ano.  Por que não deixam entrar livremente nos Estados Unidos o etanol que vocês produzem?  Subsidiam-no de forma brutal, com o que arrebatam ao Brasil ganhos de bilhões de dólares cada ano.  O mesmo fazem os países ricos, com sua produção de açúcar, oleaginosas e grãos para produzir etanol.

Lula analisa dados das produções agrícolas do Brasil que são de grande interesse.  Comunica-me que tem um estudo realizado pela imprensa brasileira que mostra que até 2015 o consumo mundial de soja crescerá 2 por cento ao ano;  quer dizer, significa que se precisará produzir 189 milhões de toneladas de soja mais do que se produz hoje.  A produção de soja do Brasil teria que crescer a um ritmo de 7 por cento anual para poder atender às necessidades mundiais.

Qual é o problema?  Muitos países não têm mais terras para semear.  A Índia, por exemplo, não tem mais terra livre; A China tem pouca terra disponível para isto e os Estados Unidos tampouco as possui para produções adicionais de soja.

Eu acrescentei à sua explicação que muitos países latino-americanos o que têm são milhões de cidadãos com salários de fome produzindo café, cacau, vegetais, frutas, matérias-primas e mercadorias a baixos preços para atender à sociedade dos Estados Unidos, que já não economiza e consome mais do que produz.

Lula explicou que inauguraram em Gana um escritório de pesquisa da EMBRAPA – a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – e acrescentou que em fevereiro vão inaugurar também um escritório em Caracas.

Trinta anos antes, Fidel, aquela região de Brasília, Mato Grosso, Goiás, era considerada uma parte do Brasil que não tinha nada, era igual à savana africana; em 30 anos se transformou na região de maior produção de grãos de todo o Brasil, e penso que a África tem uma parte muito parecida com esta região de nosso país;  por isso pusemos o escritório de investigação ali em Gana e queremos fazer uma sociedade também com Angola.

O Brasil, disse-me, tem uma situação privilegiada.  Contamos com 850 milhões de hectares de terra; destas, 360 milhões é a parte da Amazônia; 400 milhões de boas terras para a agricultura, e a cana-de-açúcar ocupa somente um por cento.

O Brasil, afirmei, é por outro lado o maior exportador de café do mundo.  Pagam ao Brasil por este produto o mesmo valor de uma tonelada no ano 1959: cerca de 2.500 dólares atuais.  Se nesse país cobravam, então, 10 centavos por uma xícara, hoje cobram 5 dólares ou mais por uma xícara saborosa de café expresso, um estilo italiano de beber.  Isso é PIB nos Estados Unidos.

Na África não podem fazer o que faz o Brasil.

Grande parte da África está coberta por desertos e áreas tropicais e subtropicais, onde é difícil produzir soja e trigo.  Só na zona do Mediterrâneo, ao Norte – onde caem algumas centenas de milímetros de chuva ao ano, ou que são regadas com águas do Nilo – nas mesetas altas ou no Sul, apropriadas pelo Apartheid, abundam as produções de grãos.

Os peixes de suas águas marinas, que banham, sobretudo a costa ocidental, alimentam os países desenvolvidos que varrem com os seus barcos pesqueiros os exemplares grandes e pequenos das espécies que se alimentam com o plâncton das correntes procedentes do Pólo Sul.

A África, com quase 4 vezes mais superfície que o Brasil (30,27 milhões de quilômetros quadrados) e 4,3 vezes mais população que o Brasil (911 milhões de habitantes), está muito longe de produzir os excedentes de alimentos do Brasil, e sua infraestrutura está por ser construída.

Os vírus e bactérias que afetam a batata, o cítrico, a banana, o tomate, o gado em geral, a febre suína, aviária, aftosa, a enfermidade da vaca louca, e outras que afetam em geral o gado no mundo, abundam na África.

Falei a Lula da Batalha de Idéias que estávamos liberando.  Novas notícias chegam constantemente, que evidenciam a necessidade dessa luta constante.  Os piores órgãos de imprensa dos inimigos ideológicos se dedicam a divulgar pelo mundo as opiniões de alguns dissidentes que em nosso heróico e generoso país nem sequer desejam escutar a palavra socialismo.  Em 20 de janeiro, cinco dias depois da visita, um desses órgãos publicou a de um jovenzinho que graças à Revolução alcançou um bom nível de educação, saúde e emprego: “Não quero saber de nenhum socialismo”, e explica a razão de sua cólera: “muita gente empenhava até a alma por uns poucos dólares. Algo de novo virá para este país, seja o que for, que lhe dêem outro nome,” manifesta.  Um lobinho disfarçado de vovozinha.

O próprio correspondente que a divulga, continua contente afirmando: “A propaganda oficial convocando os cubanos a ir às urnas cita mais vezes a Revolução do que o socialismo. Cuba já não é um país bolha, como foi até o final da década de 80. O olhar insular está transitando para uma visibilidade global e o país, sobretudo na capital, está vivendo uma acelerada mudança para a modernidade. E um de seus efeitos é que estão descosturando as costuras do socialismo importado décadas atrás.”

Trata-se da apelação vulgar do capitalismo imperial ao egoísmo individual, pregado há quase 240 anos por Adam Smith como a causa das riquezas das nações; quer dizer, colocar tudo nas mãos do mercado.  Isso criaria riquezas sem limites num mundo idílico.

Penso na África e seus quase um bilhão de habitantes, vítimas dos princípios dessa economia.  As enfermidades, que voam à velocidade dos aviões, propagam-se ao ritmo da AIDS, e outras velhas e novas enfermidades afetam a sua população e seus cultivos, sem que nenhuma das antigas potências coloniais seja capaz realmente de enviar-lhes médicos e cientistas.

Não quero abusar da paciência dos leitores, nem da excepcional oportunidade que me ofereceu Lula de intercambiar idéias ao encontrar-se comigo. Por isso, afirmo que é quarta e última matéria sobre sua visita.

Quando falei com ele sobre a Venezuela, disse-me: pensamos em cooperar com o presidente Chávez. Estive de acordo com ele. Cada ano irei duas vezes a Caracas e ele viajará duas vezes ao Brasil para não permitir divergências entre nós e, se houvesse, vamos resolvê-las no momento. A Venezuela não necessita de dinheiro – afirmou -, porque tem muitos recursos, mas necessita de tempo e infraestrutura.

Expressei-lhe que me alegrava muito de sua posição a respeito desse país, porque estávamos agradecidos a esse povo irmão pelos acordos assinados que nos garantiram um fornecimento normal de combustível.

Não posso esquecer que, por ocasião do golpe de Estado de abril de 2002, a ordem dos golpistas a respeito de nosso país foi: “nenhuma gota mais de petróleo para Cuba”. Convertemo-nos num motivo adicional para que o imperialismo tratasse de fazer detonar a economia da Venezuela, embora de fato era o que se propunham fazer desde que Chávez tomou posse do cargo como Presidente sobre a moribunda Constituição da IV República, que mais tarde, através de meios legais e democráticos, transformou-se na V República.

Quando o preço do petróleo subiu abruptamente e surgiram dificuldades reais para adquiri-lo, Chávez não só manteve, senão elevou o fornecimento desse produto para Cuba. Depois dos Acordos da ALBA, assinados em Havana, em 14 de dezembro de 2004, isto se mantém em condições honradas e benéficas para ambos os países. Trabalham ali quase 40 mil abnegados especialistas cubanos, na sua maioria médicos, que com seus conhecimentos, e particularmente com seu exemplo internacionalista, estão contribuindo para formar os próprios venezuelanos que os substituirão.

Expliquei-lhe que Cuba mantinha relações de amizade com todos os países da América Latina e Caribe, seja de esquerda ou de direita. Há tempo que definimos essa linha e não a mudaremos, pois estamos dispostos a apoiar qualquer gestão em favor da paz entre os povos. É um terreno espinhoso e difícil, mas perseveraremos nele.

Lula expressa de novo seu respeito e profundo carinho por Cuba e seus dirigentes. Acrescentou que sentia orgulho do que estava acontecendo na América Latina, e uma vez mais afirmou que aqui em Havana decidimos criar o Fórum de São Paulo e unir toda a esquerda da América Latina, e essa esquerda está chegando ao poder em quase todos os países.

Nesta ocasião, recordei-lhe o que nos ensinou Marti sobre as glórias deste mundo, que cabem todas em um grão de milho. Lula acrescentou: digo a todos que, nas conversações que tive com você, jamais me deu conselho algum que pudesse entrar em confrontação com a legalidade; você sempre me pediu que não ganhasse muitos inimigos ao mesmo tempo. E isso é o que está permitindo que as coisas avancem.

Quase imediatamente manifestou que o Brasil, um país grande e com recursos, tem que ajudar o Equador, Bolívia, Uruguai e Paraguai.

Agora mesmo estivemos na América Central. Nunca um Presidente brasileiro tinha visitado um país nessa área com projetos de cooperação.

Pergunto-lhe: Recorda-te, Lula, o que te disse no jantar familiar e informal que você ofereceu à nossa delegação no dia seguinte de sua posse, em janeiro de 2003? Nenhum dos filhos da grande maioria dos pobres que votou em você jamais será executivo das grandes empresas estatais do Brasil; os estudos universitários são aqui muito caros!

Lula explica a respeito: Estamos construindo 214 escolas técnicas, profissionais; estamos também construindo 13 novas Universidades federais e 48 extensões universitárias.

Pergunto-lhe: por isso não se paga nada, verdade? Responde-me rápido: criamos um programa e já colocamos 460 mil jovens da periferia, pobres, de escolas públicas, para que possam cursar os estudos universitários. A direita me acusava de que estava tratando de baixar o nível do ensino; dois anos depois, foram investigados quatorze cursos: os melhores alunos foram os pobres da periferia. Estamos criando outro programa com uma média de dezoito alunos; isto vai permitir que tenhamos, adicionalmente, 250 mil jovens no ensino universitário.

A relação comercial do Brasil com a América Latina é maior que com os Estados Unidos, manifestou. Continuei lhe explicando que se íamos estabelecer relações estreitas entre nossos países, não só como amigos, mas também como sócios em áreas importantes, precisávamos conhecer o pensamento dos líderes do Brasil, posto que em áreas estratégicas íamos estar associados, e tínhamos por norma cumprir nossos compromissos econômicos.

Falamos de outros importantes problemas, os pontos que coincidíamos e os que não havia consenso, com o maior tato possível.

Falei de diversas regiões, incluindo o Caribe, e das formas de cooperação que tínhamos desenvolvido com eles.

Lula me expressou que o Brasil devia ter uma política mais ativa para cooperar com os países mais pobres. Tem novas responsabilidades, é o país mais rico de toda a região.

Falei, como é lógico, da mudança climática e a pouca atenção que grande número de dirigentes dos países industrializados do mundo emprestam ao tema.

Quando falei com ele na tarde de 15 de janeiro, não pude mencionar o artigo que se publicou apenas três dias depois, escrito por Stephen Leahy, de Toronto. Este nos transmite notícias do novo livro intitulado “Mobilizar-se para salvar a civilização”, de Lester Brown.

“A crise é extremamente séria e urgente e requer um esforço de mobilização das nações similar ao realizado durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945)” – argumenta o autor, Presidente do Centro de Estudos Instituto para Políticas da Terra, com sede em Washington.

“A mudança climática ocorre muito mais rápido do previsto pelos cientistas, e o planeta sofrerá indevidamente um incremento da temperatura de pelo menos dois graus”, disse Brown ao IPS, “que nos colocará decididamente na zona de perigo”.

“Nenhum dos pré-candidatos presidenciais para as eleições nos Estados Unidos” – que se realizarão na primeira terça-feira de novembro – “expõe a urgência do problema da mudança climática”.

“As emissões de gás estufa, parcialmente responsáveis pelo reaquecimento global, devem reduzir em 80 por cento no ano de 2020.”

Trata-se de uma meta muito mais ambiciosa do que a exposta pelo Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC), que recebeu em 2007 o prêmio Nobel da Paz junto com o ex-vice-presidente americano Al Gore, que recomendou um corte de entre 25% e 40% em relação aos níveis de emissão de 1990, informam as notícias.

Brown estima que os dados utilizados pelo IPCC estão desatualizados dois anos. Estudos mais recentes indicam que a mudança climática está se acelerando.

Embora acredite que o IPCC modificará essa recomendação no seu próximo relatório, assinalou que em breve se difundirá, em cinco ou seis anos. “Muito tarde, temos que atuar já”, assegurou Brown.

O Plano B 3.0 de Brown recomenda medidas para chegar a 80 por cento de redução nas emissões, que se apóiam fortemente no uso eficiente da energia, as fontes renováveis e a expansão do “escudo” de árvores do planeta.

“A energia eólica pode cobrir 40 por cento da demanda mundial com a instalação de 1,5 milhão de novas turbinas movidas a vento de dois megawatts. Embora o número pareça elevado, anualmente, são produzidos 65 milhões de automóveis no mundo. Um sistema de iluminação mais eficiente pode reduzir o uso mundial de eletricidade em 12 por cento.”

“Nos Estados Unidos, os edifícios comerciais e residenciais são responsáveis por 40 por cento das emissões de carbono. O seguinte passo deve apontar a geração de eletricidade de forma não poluente para a calefação, refrigerar e iluminar as residências.

“O emprego de biocombustíveis que se produzem empregando grãos como o milho e a soja, empina os preços destes alimentos e pode provocar uma escassez de comida desastrosa para os pobres do mundo.

“A adição anual de 70 milhões de pessoas à população mundial se concentra em nações onde as reservas de água estão se esgotando e os poços secando, as áreas de bosques estão se reduzindo, os chãos degradando e os campos de pasto, tornando-se desertos”.

“Ano após ano aumenta o número de ‘Estados inviáveis’, que constituem um ‘alerta prematura da queda de uma civilização’”, comentou Brown.

“O aumento no preço do petróleo deve acrescentar-se à lista de problemas. Os países ricos terão tudo quanto necessitam, enquanto que os pobres deverão reduzir seu consumo”.

“O crescimento demográfico e a pobreza demandam uma atenção especial do mundo desenvolvido”.

“O tempo é nosso recurso mais escasso”, concluiu o prestigioso cientista.

Não se pode expressar com mais clareza um perigo que se abate sobre a humanidade.

Mas não é a única notícia que se publicou depois de minha reunião com Lula. Há apenas dois dias, anatematizando e fazendo migalhas o discurso de Bush ao Congresso, o jornal The New York Times, no seu editorial, expressou esta idéia numa linha: “Ao mundo civilizado esperam perigos horripilantes”.

A China, um país cuja superfície é 87 vezes maior que nossa ilha, onde vivem 117 vezes mais habitantes do que em Cuba, acaba de ser castigada por uma inusitada onda de frio que golpeou Shanghai, a área mais desenvolvida, e o resto da zona meridional e central desse grande país. As autoridades informam sobre a emergência que as agências internacionais do Ocidente – AFP, AP, F, DPA, ANSA e outros – transmitem: “As fortes nevadas obrigaram a fechar centrais térmicas e reduzir à metade as reservas de carvão, a principal fonte de energia do país, o que criou uma grave crise energética”.

Na zona mais afetada, sete por cento da energia total, foi desativada, destacou a Comissão de Energia. Noventa centrais, que produzem 10% adicional da eletricidade de origem térmica, poderiam fechar nos próximos dias se a situação não melhorar.

“As reservas de carvão ficaram reduzidas a menos da metade”, advertem as autoridades.

“O principal problema é o transporte. Mais da metade dos trens se dedicam a transportar carvão, por isso a paralisação da rede ocasionou muitos problemas, destacou Wang Zheming, perito da Comissão Estatal de Segurança”.

“Wang recordou que o transporte de carvão se enfrenta nestes dias com a concorrência dos passageiros, pois devido às festas há um êxodo ferroviário de quase 180 milhões de pessoas em apenas um mês”.

“É difícil para a China usar outra fonte de energia. O ideal seria o gás natural, mas os depósitos não são ainda suficientes, comentou o perito.”

Também deve se levar em consideração que a bacia do Yang-Tzé e outras zonas do centro e sul do país sofreram nos últimos meses a pior seca em meio século, o que afetou a produção hidrelétrica.

“A neve seguirá caindo com força durante os próximos três dias”, segundo o Instituto de Meteorologia da China.

“Todo o país mobilizou-se para resolver a emergência. Na cidade do Nanjing, 250 mil pessoas foram destinadas à limpeza da neve das ruas.”

Estas agências noticiosas falam de “460 mil soldados do Exército Popular de Libertação desdobrados nas províncias chinesas para ajudar milhões de pessoas na intempérie afetadas pelo pior frio dos últimos tempos, e um milhão de funcionários públicos para ajudar a restabelecer o trânsito e os serviços.

“O Ministério da Saúde enviou 15.000 médicos para assistir aos danificados.

“O primeiro-ministro Wen Jiabao dirigiu-se, na cidade de Cantão, a uma multidão de viajantes cujos trens ficaram paralisados”.

“Calculam-se que mais de 80 milhões tenham sido afetados. Os danos ocasionados à agricultura e à produção de alimentos ainda estão sendo analisados.”

A BBC Mundo expressa: “O governo da China informou que uma severa seca fez com que o nível de água numa parte do maior rio do país, o Yangtzé, caísse a seu nível mais baixo desde o se início de seus registros há 142 anos.

“Na cidade portuária de Hankou, no centro do país, os níveis de água diminuíram 13,98m no começo de janeiro, o que não se registrou desde 1866, indicou citando fontes locais.”

No Vietnã a onda de frio aproxima-se de seu território com inabituais temperaturas baixas.

Tais notícias dão idéia do que pode significar a mudança climática que tanto preocupa os cientistas. Em ambos os exemplos que citei tratam-se de países revolucionários, perfeitamente organizados, com grande força econômica e humana, onde todos os recursos ficam imediatamente a serviço do povo. Não se trata de massas famintas abandonadas à sua sorte.

Por outro lado, uma notícia da Agência Reuters, de 29 de janeiro, informa que “A França prevê modificar sua política de consumo de biocombustíveis, devido às dúvidas a respeito do impacto dos chamados ‘combustíveis verdes’ sobre o meio ambiente”, informou na terça-feira a Secretária do Meio Ambiente.

“A França converteu-se num dos maiores produtores de biocombustíveis da Europa, logo que estabeleceu uma política ambígua que antecipa em dois anos o objetivo da União Européia de misturar biocombustíveis com combustíveis padrão”.

“Para alcançar os seus objetivos de mistura de combustíveis a França estabeleceu um sistema de cotas que se beneficia das reduzidas tarifas, a fim de fazê-los competitivos em relação aos combustíveis padrão”.

“A política induziu muitas companhias a investir no setor, construindo usinas de etanol e biodiesel no país.”

Tudo o que acabo de expor, embora previsto conceitualmente, constitui uma soma de elementos novos recém-acontecidos, que em tais circunstâncias certamente demandarão do Brasil – felizmente não afetado neste momento por grandes calamidades climáticas – passos importantes na sua política comercial e de investimento. Em termos imediatos, a sua importância internacional aumenta.

É evidente que um número de fatores complica a situação do planeta. Podem-se enumerar vários:

  1. Crescimento do consumo de petróleo, um produto não renovável e poluente, devido ao esbanjamento das sociedades de consumo;

  2. Escassez de alimentos por diversas causas, entre elas o crescimento exponencial da população humana e de animais que convertem os grãos diretamente em proteínas de crescente demanda;

  3. Superexploração dos mares e contaminação de suas espécies por refugos químicos da indústria incompatíveis com a vida;

  4. A ideia macabra de converter alimentos em combustíveis para o ócio e o luxo;

  5. A incapacidade do sistema econômico dominante para o uso racional e eficiente da ciência e a tecnologia na luta contra pragas e enfermidades que agridem a vida humana, os animais e os cultivos que a sustentam. A biotecnologia transforma os gens e as transnacionais produzem e empregam seus produtos, maximizando lucros através da publicidade, sem segurança para os que os consomem nem acesso para os que mais os necessitam. Entre esses produtos, as novíssimas moléculas nanotecnológicas – o termo é relativamente novo – que abrem caminhos desordenadamente pelas mesmas vias;

  6. A necessidade de planos racionais de crescimento familiar e da sociedade no seu conjunto alheios a pretensões hegemônicas e de poder;

  7. A ausência quase geral de educação em temas que são decisivos para a vida, inclusive nas nações com níveis de escolaridade mais altos;

  8. Os riscos reais que se derivam das armas de extermínio em massa em mãos de irresponsáveis, o que o já mencionado The New York Times, um dos órgãos mais influentes dos Estados Unidos, qualificou de perigos horripilantes.

Há remédios para estes perigos? Sim: conhecê-los e assumi-los. Como? Seriam respostas puramente teóricas. Façam por si mesmos os próprios leitores, especialmente os e as mais jovens, como ultimamente tornou-se um hábito dizer para não parecer discriminação às mulheres. Não esperem primeiro pelos Chefes de Estado.

Tinha ou não o que conversar com Lula? Era impossível falar de tudo. Por esta via é mais fácil comentar as notícias que chegaram depois.

Recordei que tratava de me recuperar de dois acidentes: o de Vila Clara e a doença que sobreveio depois de minha última viagem à Argentina.

Quase ao final me disse: “Você está convidado para ir ao Brasil este ano”. Obrigado, respondi-lhe, pelo menos com o pensamento estarei ali.

Por último me disse: contarei aos seus companheiros e amigos no Brasil, que você está muito bem.

Caminhamos juntos até a saída. Realmente valeu a pena o encontro.

Sobre estes temas falei com Lula.

www.granma.cubaweb.cu.br

22 de Janeiro de 2008

__________

Também poderá ler esta entrevista clicando nos links abaixo:

http://www.voltairenet.org/article154619.html

https://www.brasil247.com/pt/247/mundo/332678/Num-artigo-de-2008-Fidel-relatou-como-foi-seu-encontro-com-Lula.htm

 

About joaompmachado

Nome completo: João Manuel Pacheco Machado

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