No dia 30 de Janeiro de 1948, faz hoje 70 anos, três tiros puseram termo à vida do Mahatma Gandhi. Nathuram Godse, um brâmane fanático, membro da Abhinav Bharat, organização de extrema-direita, levou a cabo o atentado. Godse e Narayan Apte, seu cúmplice, foram condenados à morte pelo crime e enforcados em 15 de Novembro de 1949. Sete décadas decorridas sobre o assassínio do Mahatma (Alma Grande) persiste a crença de que os fanáticos que prepararam e executaram o atentado foram manipulados pelos serviços secretos da Grã-Bretanha, que perdeu a Índia, a «jóia da coroa» do Império devido à luta pacífica levada a cabo por Gandhi. Mohandas Karamchand Gandhi, nasceu em Porbandar, na Índia, em 1869. Estudou Direito em Londres (1888 – 1891). A partir de 1893 exerceu a profissão de advogado na África do Sul, onde se envolveu nas lutas políticas contra a discriminação a que a comunidade indiana estava sujeita naquele território colonial. Usando a figura da «desobediência civil» como arma, obteve em 1913 a assinatura de um pacto entre os dirigentes da comunidade e as autoridades britânicas, pondo termo às arbitrariedades a que, até então, os indianos estavam sujeitos. Do mais recente número da revista A Ideia, transcrevemos com a devida vénia um passo de um dos discursos proferidos por Gandhi em Agosto de 1920:
Cultivo a coragem serena de morrer sem matar. Mas a quem não possuir essa coragem, cultive então a arte de matar e de ser morto, em vez de fugir vergonhosamente ao perigo. Aquele que foge comete uma cobardia mental: foge porque não tem a coragem de ser morto, matando. Eu arriscaria mil vezes mais a violência que a emasculação de todo um povo. Preferiria muito mais ver a Índia levantar-se em armas para defender a sua honra que ficar passivamente a testemunhar a sua desonra.