Um amigo meu mandou-me o seguinte excerto de texto:
“A Grã-Bretanha está apanhada por um frenesim mediático por causa do recente envenenamento do antigo coronel russo Sergei Skripal e da sua filha em Salisbury, Inglaterra. O primeiro-ministro britânico, Theresa May, pediu à Rússia para se explicar, alegando que eles tinham sido envenenados com a utilização de uma gente neurotóxico chamado “Novichok” (“iniciante” em Russo), que foi um produto da investigação soviética sobre armas biológicas. Já não é produzida e a destruição dos seus stocks foi verificada por observadores internacionais. No entanto, a sua fórmula está no domínio público e pode ser sintetizada por qualquer laboratório químico bem equipado, como o de Porton Down, um laboratório militar da Grã-Bretanha, que, por sinal, está a apenas 18 minutos de carro de Salisbury.”
Fui então à procura de saber um pouco mais nos sítios que habitualmente utilizo, entre os quais Zero Hedge, um dos mais reputados sítios americanos, especialista sobretudo em questões de alta finança. E encontrei um texto que penso esclarecedor sobre a matéria.
Entretanto assisto por causa deste caso a um verdadeiro clima de guerra fria que até assusta. Basta olhar para os jornais de hoje, 27 de Março. Esclarecedores. O discurso único, por todo o lado, há um inimigo da democracia a abater e este inimigo são os Russos. Provas? Não são precisas, da mesma forma que o não foram quando de trata de criar, perdão, de inventar as armas de destruição maciça no Iraque. O resultado dessa mentira e do silêncio que foi feito à volta dela estão bem à vista.
Para não perder muito tempo, vejamos um artigo publicado no jornal Público de hoje, da autoria de Philippe Bolopion da muitíssima respeitável Human Rights Watch :
“Enquanto a Rússia tenta entusiasticamente mostrar-se como um poder moderno e confiável, as suas forças armadas estão, a todo e qualquer custo, a apoiar a reconquista militar do território sírio controlado por grupos armados da oposição, com consequências devastadoras para as populações civis.”
Como se vê o mundo naquela zona reduz-se ao Governo Sírio de um lado, e neste lado está a Rússia, e os grupos armados da oposição”. De Daesch nem uma só palavra neste excerto, como não houve palavra da Administração americana quanto à destruição de Palmira.
E assim se vai montando uma campanha a lembrar os tempos duros da guerra fria.
Paralelamente a isto há agora uma outra campanha ligada ao Facebook. Os “democratas no poder” – de esquerda ou de direita – mostram-se muito indignados com as práticas seguidas pelo Facebook. Mas estes “indignados” direta ou indiretamente fazem parte da máquina que lhes encomendou e pagou as referidas manipulações. Um exemplo retirado do texto que vos envio intitulado O Facebook tornar-se-á mais poderoso que a NSA em menos de 10 anos – a menos que o paremos:
“E como me disse John Robe, do Pentágono, uma das maiores vantagens em que o Facebook está a apostar, ao abrir as portas para as operações de influência do governo, é aceder às vastas populações nacionais desses governos.
Até agora, um total de cerca de US $ 200 mil é o valor das despesas atribuído a fontes russas no Facebook nas eleições dos EUA. Isso empalidece em comparação com as campanhas publicitárias do Facebook das campanhas de Trump e Clinton combinadas: incríveis US $ 81 milhões, de acordo com o conselheiro geral do Facebook, Colina Strecht, nas audiências do Comité de Inteligência do Senado.
Numa declaração sobre o suposto papel da plataforma em facilitar a vitória eleitoral de Trump, o Facebook esclareceu que havia oferecido “apoio idêntico” para as equipes de Trump e Clinton.”
“Todos tinham acesso às mesmas ferramentas”, disse a empresa. “Ambas as campanhas abordaram as coisas de maneira diferente e usaram diferentes quantidades de suporte”.
Sublinho aqui que a máquina do Facebook foi tanto utilizada por uns como pelos outros, por Trump e por Clinton! Ora acontece que o texto de onde é retirado este excerto foi escrito e publicado em 23 Dezembro de 2017. Ora, pergunta-se então, porque é que só agora é que a questão veio a público?
Não sei, mas que é estranho, é.
No meio de tudo isto, Trump nomeia como seu principal conselheiro o antigo embaixador americano junto da ONU, John Bolton. Um verdadeiro falcão. Diz-nos Insider Business:
“O presidente Donald Trump ofereceu a John Bolton, um colaborador da Fox News e ex-embaixador nas Nações Unidas, o cargo de conselheiro de segurança nacional.
Este convite surge após a demissão nesta semana do ex-conselheiro de segurança nacional H. R. McMaster.
“Humildemente aceito o seu convite”, disse Bolton, que também trabalha para o American Enterprise Institute, um think tank conservador, na noite de quinta-feira. “Os Estados Unidos atualmente enfrentam uma ampla gama de questões e estou ansioso para trabalhar com o presidente Trump e a direção da sua equipa de colaboradores para enfrentar esses desafios complexos num esforço para tornar o nosso país mais seguro internamente e mais forte no exterior”.
Diz-nos ainda Business Insider citando Wall Street Journal, para ilustrar o espírito belicista da Administração Trump:
“É perfeitamente legítimo que os Estados Unidos respondam à atual ‘necessidade’ representada pelas armas nucleares da Coreia do Norte, atacando primeiro”, escreveu Bolton num artigo publicado em 28 de fevereiro pelo Wall Street Journal.
Este é pois um dos muitos exemplos de belicismo que poderíamos citar. Tudo isto são sinais de que há uma agenda desconhecida. Quanto a essa agenda um importante economista americano, Thomas Palley, diz-nos:
“Qualquer avaliação honesta da democracia dos EUA forçaria a admissão de que as ameaças reais a que esta está exposta estão nos EUA. Essas ameaças incluem notícias falsas produzidas por grandes empresas, pelo poder político do dinheiro e das multinacionais, a manipulação em termos de circunscrições eleitorais, dita em inglês Gerrymandering, supressão de eleitores, enviesamentos em termos de representação do colégio eleitoral e do Senado, e obstrução à mudança do sistema eleitoral por maioria simples, sistema que bloqueia a emergência de novos partidos políticos.
Em comparação com esses problemas, as intervenções no Facebook pela Rússia são um pequeno show colateral. Além disso, as ações da Rússia são no decorrer das relações internacionais, desde há muito praticadas tanto pelos EUA como por ela.
É relativamente muito fácil securizar muito mais o sistema eleitoral dos EUA, e há muito que pode ser rapidamente feito para tornar a democracia dos EUA mais competitiva e informada. Mas uma democracia de alta qualidade não é aqui o objetivo real. Em vez disso, a obsessão das elites dos EUA com a interferência eleitoral da Rússia é um circo que visa distrair o público de problemas internos e aumentar a paranóia da segurança nacional para justificar mais despesas militares e mais vigilância interna .”
[Nota- Este texto circulou por entre amigos meus. Um deles pôs em dúvida a referência de Palley aos enviesamentos da Democracia que se verificam nos Estados Unidos. Para facilitar a leitura deste texto e a confirmar o sentido de tudo o que aqui está escrito vejamos o que nos diz o relatório da ONU para as questões da pobreza extrema e no que diz respeito aos Estados Unidos:
A Democracia é a pedra angular da sociedade norte-americana mas está a ser constantemente minada. O princípio de uma pessoa um voto aplica-se em teoria, mas está longe da realidade. Numa democracia, a tarefa do governo deveria ser a de facilitar a participação política assegurando que todos os cidadãos possam votar e que os seus votos tenham o mesmo valor. Nos EUA verifica-se a incapacidade eleitoral manifesta de um grande número de criminosos, uma regra que afeta predominantemente os cidadãos negros, uma vez que eles são especificamente penalizados. Além disso, muitas vezes há uma exigência de que as pessoas que já pagaram as suas dívidas à sociedade não possam recuperar o seu direito de voto até que todas as multas e despesas pendentes tenham sido pagas. Há também a desqualificação disfarçada, que inclui a manipulação dramática de distritos eleitorais para privilegiar grupos particulares de eleitores, a imposição de requisitos artificiais e desnecessários de credenciais de eleitores, a flagrante manipulação dos locais de votação, a realocação dos Centros de Serviços de emissão Dos cartões de eleitor para dificultar a obtenção de credenciais de determinados grupos, e o aumento de obstáculos para votar, especialmente para aqueles que estão sem recursos. O resultado líquido é que as pessoas que vivem na pobreza, minorias e outros grupos desfavorecidos são sistematicamente privadas de seus direitos de voto.” (…)
Os Estados Unidos é um dos países mais ricos, poderosos e tecnologicamente inovadores do mundo; mas nem a sua riqueza nem o seu poder nem a sua tecnologia estão a ser usados para resolver a situação em que 40 milhões da sua população continua a viver na pobreza.
Segundo a maioria dos indicadores, os Estados Unido é um dos países mais ricos do mundo. Gasta mais na defesa nacional do que a China, Arábia Saudita, Rússia, Reino Unido, Índia, França e Japão, todos juntos.
Em 2013, as taxas de mortalidade infantil nos Estados Unidos eram as mais altas do mundo desenvolvido.
Os americanos podem esperar viver vidas mais curtas e mais doentes, em comparação com pessoas que vivem em qualquer outra democracia rica, e a “lacuna de saúde” entre os Estados Unidos e países equivalentes continua a crescer.
Os níveis de desigualdade nos EUA são muito superiores aos da maioria dos países europeus.
As doenças tropicais negligenciadas, incluindo Zika, são cada vez mais comuns nos Estados Unidos. Estima-se que cerca de 12 milhões de americanos vivam com uma infecção parasitária não tratada. Um relatório de 2017 documenta a prevalência da ancilostomíase no condado de Lowndes, Alabama.
Em termos de acesso a água potável e saneamento, os Estados Unidos são classificado em 36º no mundo.
Os Estados Unidos têm a maior taxa de encarceramento do mundo, mais do que a do Turquemenistão, El Salvador, Cuba, Tailândia e Federação Russa. A sua taxa é quase 5 vezes a média da OCDE.
A taxa de pobreza juvenil nos Estados Unidos é a mais alta de toda a OCDE, com um quarto dos jovens a viverem na pobreza, comparado com menos de 14% na OCDE.
O Centro de Stanford sobre Desigualdade e Pobreza classifica os países mais ricos em termos de mercados de trabalho, pobreza, rede de segurança, desigualdade de riqueza e mobilidade económica. Os Estados Unidos está no último lugar no grupo dos 10 principais países mais ricos, e ocupa o 18º lugar entre os 21 países principais.
Na OCDE, os Estados Unidos classificam-se no 35º lugar dos 37 países listados em termos de pobreza e desigualdade. (HUMAN RIGHTS BY COUNTRY -WHERE WE WORK-HUMAN RIGHTS BODIES; Statement on Visit to the USA, by Professor Philip Alston, United Nations Special Rapporteur on extreme poverty and human rights*, Washington, December 15, 2017)]


Mas salta à vista cada vez mais que este caso do alegado envenenamento foi uma encenação da inglaterra em concluio com outros paises para atacar e provocar a russia. E a melhor prova que pode haver é a não apresentação de qualquer prova, de terem escondido os supostos doentes, porque nao permitem uma comissão independente de investigação, etc. Portanto só os incautos e mal formados é que podem acreditar na versão inglesa. Para mim, até pode ter existido o tal envenenamento, mas que foi efectuado pelos serviços secretos ingleses e alguma coisa correu mal. Mas a impunidade é tanta para os paises ocidentais, que estes agem de forma aberta e tao criminosa, que é por isso que a russia tem de estar vigilante e responder de imediato a qualquer provocação.