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AINDA SOBRE A ESCALADA DA GUERRA FRIA, UMA NOVA SÉRIE DE TEXTOS – TEXTO Nº 6. TUDO CONTINUA A MUDAR SOBRE A NARRATIVA ACERCA DE SKRIPAL EXCETO “FOI A RÚSSIA QUE SEGURAMENTE FEZ ISSO”, de CAITLIN JOHNSTONE
Tudo continua a mudar sobre a narrativa acerca de Skripal exceto “foi a Rússia que seguramente fez isso”
Caitlin Johnstone, Everything Keeps Changing About The Skripal Narrative Except “Russia Definitely Did It”
Medium.com, 4 de Abril de 2018
As notícias mais recentes e mais postas em relevo sobre o caso Skripal tem agora a ver com a ideia de que a fonte do alegado envenenamento por Novichok podem ter sido uns cereais trazidos por um amigo da família que trabalha para uma grande empresa médica russa, mandando-os para o hospital assim como, por algum motivo, a um sargento da polícia. Menos de 24 horas antes, tínhamos sido informados que o agente neurotóxico Novichok era realmente o responsável e que tinha sido introduzido pela maçaneta da porta da frente, e, segundo o New York Times, teria sido uma operação que “é vista como tão arriscada e sensível que é improvável que tenha sido realizada sem a aprovação do Kremlin. “
Tudo isto significa seguramente, na questão Skripal, que estamos perante um caso cheio de buracos e é assim desde que a história começou, uma situação que tem sido notícia através de uma barragem sem fim de histórias contraditórias que estão sempre a mudar e sobre as quais não é apresentado nenhum detalhe seja a que nível for, exceto que se apresenta sempre a certeza absoluta de que foi a Rússia que definitivamente o fez.
Disseram-nos que o Novichok foi colocado na mala de Yulia Skripal. Foi-nos dito que foi administrado pelos ventiladores no seu carro. Disseram-nos que foi entregue por um drone miniatura armado. Disseram-nos que o Novichok tinha sido colocado através da maçaneta da porta de entrada da sua casa.. Agora é ou a casa ou o cereal de trigo sarraceno, dependendo do que é que se está a ler.
Nada sobre os relatórios deste caso é consistente, exceto pela insistência inflexível em todos e em cada um deles na certeza de que o veneno foi aplicado pelo Kremlin. Desse modo, os funcionários da Grã-Bretanha têm toda a certeza de que a expulsão mundial de diplomatas russos decidida pelos aliados do Reino Unido é inquestionavelmente o movimento certo para gerar um ambiente de guerra fria cada vez maior. Se o leitor discordar e pensar sobre isso, então o leitor é claramente um palhaço nas mãos dos russos e deve ser pintado e retratado como tal, de fato ao estilo do Kremlin e em tons de vermelho, como o foi assim com o líder da oposição Jeremy Corbyn pela BBC no mês passado
Não é tão interessante que as pessoas que investigam este ataque não apresentem nenhum detalhe sobre aquilo que publicitam e considerarem ser absolutamente inquestionável que o governo russo é definitivamente a 100 por cento responsável pelo envenenamento?
Mesmo com duas histórias completamente contraditórias como as últimas disponibilizadas, a Rússia é definitivamente, definitivamente responsável. Uma destas duas últimas histórias refere um cidadão russo suspeito, a outra refere uma operação “tão arriscada e sensível que é improvável que tenha sido realizada sem a aprovação do Kremlin”. Não podem ser ambas verdadeiras; o agente neurotóxico foi colocado no cereal ou na porta. Mas em ambos os casos somos levados a encarar a Rússia como sendo a autora deste ataque hediondo.
Isto é mesmo muito interessante. Talvez ainda mais interessante seja o facto de Skripal estar a viver no Reino Unido desde há anos, e agora o império centralizado nos EUA começa a estar preocupado em perder a sua posição dominante no cenário mundial por causa de um irrelevante antigo agente duplo, que é atacado por um terrível agente neurotóxico com um nome de sonoridade russa que não consegue matá-lo e a partir do que passa a implicar o governo russo (e, como um bónus adicional, o agente neurotóxico poderia ter sido feito em qualquer laboratório militar). Muito interessante a forma como estão agora os funcionários do Reino Unido a trabalhar para unir a Europa contra a Rússia apenas no momento em que é estrategicamente uma coisa essencial para o império ocidental fazê-lo.
Eu já disse isso antes e vou dizê-lo de novo: a verdade é a primeira baixa da guerra, especialmente da guerra fria. O império centralizado nos EUA tem uma extensa história na utilização da mentira, da propaganda e das falsas bandeiras para fabricar o apoio público para as suas agendas, e todas essas coisas são componentes essenciais na guerra fria. Não há razão alguma para dar a essas pessoas o benefício da dúvida quando as coisas cheiram tão mal.
Caitlin Johnstone, Everything Keeps Changing About The Skripal Narrative Except “Russia Definitely Did It”. Texto disponível em: