CARTA DE VENEZA – JOHN RUSKIN E O MITO DE VENEZA – por Vanessa Castagna

 

 

                  John Ruskin

 

[Veneza] jaz ainda perante o nosso olhar como era no período final da decadência: um fantasma nas areias do mar, tão frágil, tão silenciosa, tão despojada de tudo exceto da sua beleza, que por vezes, ao contemplarmos o seu lânguido reflexo na laguna, nos perguntamos, quase como se fosse uma miragem, qual a cidade, qual a sombra. Gostaria de tentar tracejar as linhas desta imagem antes que se perca para sempre, e de atender, na medida do possível, ao aviso que vem de cada uma das ondas que batem inexoráveis, como sinos que dobram a finados, contra as pedras de Veneza.  (John Ruskin)

Até dia 10 de junho ainda é possível visitar a exposição que abarca uma centena de obras de John Ruskin no Palácio dos Doges, numa sede que o próprio autor considerava o “edifício central do mundo” e ao qual dedicou várias obras figurativas com técnicas e suportes diferentes. Le pietre di Venezia (“As pedras de Veneza”), já título de uma célebre obra em três volumes, designa agora um percurso expositivo que repercorre a relação entre Ruskin e Veneza entre 1835 e 1888, período marcado por onze viagens realizadas pelo autor até à cidade lagunar.

John Ruskin (1819-1900) foi uma personagem multifacetada, que reuniu dotes de escritor, pintor e crítico de arte e que a Veneza consagrou The Stones of Venice (1851-1853), a sua obra literária mais conhecida, vindo a influenciar a estética da sua época através da sua interpretação da arquitetura e da arte e contribuindo por essa via para a criação do mito de Veneza.

As obras de Ruskin em exibição acompanham os visitantes numa viagem a Itália, ao estilo do Grand Tour, num roteiro marcado pelo fascínio pela natureza, e, sobretudo, por uma Veneza gótica e bizantina, medieval e anticlássica, que se revela na sua beleza extraordinária e paradigmática, mas, ao mesmo tempo, na sua essência de cidade frágil e ameaçada. A paixão de Ruskin por Veneza levanta questões que parecem hoje completamente atuais, em particular na sua luta para salvaguardar a cidade da degradação, da falta de cuidados e da necessidade de restauros atentos.

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Nome completo: João Manuel Pacheco Machado

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