O QUE SOMOS AFINAL? por Luísa Lobão Moniz

 

As agressões aos jogadores de futebol do Sporting têm feito correr muita tinta.

Não há dia em que não haja alguém a emitir a sua opinião sobre o sucedido e sobre tudo o que veio a reboque: saída do treinador, de jogadores, a credibilidade de algumas pessoas posta em causa.

O mais surpreendente tem sido o revelar da personalidade do ex-presidente do Sporting que ameaça com processos quem não está com ele, que, segundo se diz, instiga a claque à violência contra os futebolistas, que quer passar por cima da lei estatutária do clube.

Esse senhor apareceu, no canal de televisão do seu clube, a proibir os sócios de verem os outros canais de televisão, de deixarem de ler os jornais desportivos, enfim…

A única pessoa que fala verdade é ele próprio e todos terão de pensar como ele.

O que faz isto lembrar?

Os motards passeiam-se alegremente por algumas ruas de Lisboa, eu já vi vários, vestidos a rigor com blusões Hells Angels e com tatuagens iguais, que algum sentido há ter. Passeiam-se até à concentração em Faro no próximo fim-de-semana.

Ao mesmo tempo mulheres foram assassinadas pelos companheiros, crianças foram violadas, vendidas, escravizadas… sem-abrigo proliferam nas ruas das grandes cidades, a distribuição de comida nas ruas aumenta…

Ao mesmo tempo que se salvam seres humanos de perigos mortais, enquanto milhares de pessoas se tornam voluntárias para amparar idosos solitários, para limpar o planeta, para proporcionar melhores momentos a quem está doente.

Rebentam bombas que destroem cidades e matam pessoas.

Como pode o ser humano ser tão diferente nas suas opções de vida e de organização social?

Como pode o ser humano usar e abusar do seu poder social e político para discriminar e excluir quem é diferente e tem menos poder?

Afinal quem somos? Porque somos assim? Porque não aprendemos nunca com o passado?

Milhares de cientistas, em todo o mundo, investigam novos procedimentos para que cada um de nós possa sofrer menos com doenças que entretanto vão aparecendo, fruto dos desequilíbrios ambientais provocados por nós ou pela própria natureza.

O ser humano tem de pensar e ensinar o que quer de todas as vidas existentes sobre a Terra. Mandar à força, com mortes e ameaças ou viver no respeito mútuo pelos outros?

O que somos afinal?

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