Entrei na minha profissão sonhando ser mais do que professora, queria ser capaz de ser o que eu idealizava ser mestre-escola.
Quando entrei para a então Escola do Magistério Primeiro, os meus primeiros passos foram seguros e determinados. Vou conseguir mudar este mundo, pois os alunos estavam cheios de curiosidade sobre o que iam aprender na escola. Já sabiam que não era só escrever, ler e contar, era conhecer as causas e as consequências de tudo o que cada um fazia, era ser responsável pelo bem- estar de todos.
Era ajudar aqueles que tinham mais dificuldade a nível da aprendizagem. Era saber que se tinha que ir a montante das dificuldades, para não se continuar a segregar as crianças entre os filhos dos ricos e dos pobres…
Filho de pobre ia para a escola descalço, filho de rico ia com botas sempre prontas a pisar os pés que denunciavam uma grande fragilidade que se traduzia entre o ter riqueza e o ser pobre. Caras tristes, alegres e rebeldes enchiam as salas de aula.
Com a Revolução de Abril de 1974, começamos a descobrir que a sociedade totalitária tinha muitas brechas por onde podíamos escapar e respirar o aroma fresco dos cravos vermelhos.
Não estarei a exagerar se disser que os dois primeiros cursos a seguir ao 25 de Abril já exigiam o antigo 7º ano do liceu, fazendo com que muitos jovens viessem de faculdades e os menos jovens viessem com a experiência possível, era as antigas regentes que s+o tinham o antigo 5º ano de escolaridade e que ensinavam aqueles que eram capazes de aprender.
Esta vivência, nos bancos do magistério, revelou-se de uma grande riquesa