LER LITERATURA POPULAR BRASILEIRA ON-LINE por Clara Castilho

 São 2.340 folhetos questão disponíveis para consulta.  O Acervo de Literatura Popular em Versos da Fundação Casa de Rui Barbosa, o maior da América Latina, atcualmente com mais de 9.000 folhetos de cordel foi formado a partir da década de 1960 e, dessa iniciativa resultou uma extensa bibliografia, composta de catálogos, antologias e estudos especializados.

No Brasil, o cordel surgiu na segunda metade do século XIX e expandiu-se da Bahia ao Pará, antes de alcançar outros Estados. Os folhetos, vendidos nas feiras, tornaram-se a principal fonte de divertimento e informação para a população, que via neles o jornal e a enciclopédia, de maneira quase simultânea.

Os temas eram os mais variados: as aventuras de cavalaria, as narrativas de amor e sofrimento, as histórias de animais, as peripécias e diabruras de heróis, os contos maravilhosos e uma infinidade de outros, que nos chegaram pela Literatura oral da Península Ibérica e que a memória popular encarregou-se de preservar e transmitir.

Além disso, o poeta nordestino foi incorporando a esse romanceiro, fatos mais próximos do público, ocorridos em seu ambiente social: façanhas de cangaceiros, acontecimentos políticos, catástrofes, milagres e até mesmo a propaganda, com fins religiosos e comerciais.

As xilogravuras e desenhos que ilustram as capas dos folhetos são uma manifestação da criatividade do artista popular, com suas soluções plásticas sintéticas, em que se destaca o traço forte, de rude e bela expressividade.

O cordel é valorizado como expressão poética de alta significação por escritores do porte de Ariano Suassuna, Carlos Drummond de Andrade, Jorge Amado, Guimarães Rosa, Mario de Andrade, João Cabral de Melo Neto, motivando (e continua a motivar) estudos e pesquisas nas áreas de Antropologia, Folclore, Lingüística, Literatura, História, entre outras.

PROJECTO
O objetivo geral do Projeto Literatura Popular em Versos na Casa de Rui Barbosa é a preservação, conservação e disponibilização dessa coleção única no mundo. Dadas suas características de raridade, originalidade e antiguidade, faz-se necessário garantir sua preservação contra o desgaste do tempo e do manuseio, submetendo-se a coleção a tratamentos técnicos e tecnológicos específicos, assegurando-se a restauração dos folhetos, a confecção de invólucros adequados para a guarda e sua digitalização.

A revisão e inserção dos registros catalográficos na base de dados a Fundação, possibilita a consulta on-line de todo o acervo, a realização de estudos e trabalhos de pesquisas sobre essa manifestação da cultura popular brasileira.

A versão digital dos folhetos é disponibilizada no portal da CRB por meio deste site, desenvolvido em dois momentos. Ele foi inicialmente concebido para disponibilizar a coleção de Leandro Gomes de Barros, pesquisado em profundidade pela profa. Ivone Maia com o apoio da FAPERJ, num projeto em parceria com a Casa de Rui Barbosa, que foi mantido inédito e serviu de modelo para o projeto com a Petrobrás.  Esse trabalho sobre Leandro Gomes de Barros foi mantido na íntegra, assim como também a estrutura do site e seu projeto gráfico.

No segundo momento, com o patrocínio Petrobrás, expandiu-se o escopo do site incluindo-se folhetos e biografias de 20 outros poetas, e bibliografia sobre cordel disponível no acervo da Fundação, com 400 referências, dentre artigos, livros, recortes, teses e dissertações.

Engloba poetas de cordel da primeira e segunda geração: poetas pioneiros e poetas da segunda geração. Do primeiro constam os poetas nascidos na segunda metade do século XIX e cujo ingresso na actividade do cordel ocorreu entre 1893 (ano em que se inicia a produção em série de folhetos) e 1930. Ao segundo grupo pertencem os poetas que nasceram no início do século XX e entraram para o universo da literatura de cordel em uma época em que a maior parte dos representantes da primeira geração já havia morrido e a rede de produção e distribuição de folhetos já estava estabelecida.

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