JÚLIO CORTÁZAR, SEMPRE ACTUAL por Clara Castilho

Nasceu a 26 de Agosto de 1914, numa família argentina, a viver em Bruxelas. Só com quatro anos foi viver para a Argentina. Tem sido chamado de “mestre moderno do conto” e é conhecido como um dos fundadores do ‘Boom latino-americano “, que trouxe a literatura latina para um público muito mais amplo na Europa e América, assim como Gabriel García Márquez, Carlos Fuentes, Jorge Luis Borges, e Pablo Neruda.

Em 1935 teve o diploma de Professor Normal de Letras e iniciou estudos na Faculdade de Filosofia e Letras. Por questões financeiras interrompeu os estudos. O que lhe não tirou a vontade de escrever, sem Presencia com o pseudónimo de Julio Denis, a sua primeira publicação.

Foi Jorge Luis Borges, quem lhe deu a mão, a partir de 1947. E assim publicou o conto Casa Tomada e o seu primeiro do livro Bestiario, na revista Anales de Buenos Aires.

No seu país vigorava uma ditadura e em 1951 foi viver para Paris, onde a vida lhe não foi fácil, circunstâncias que relata em Rayuela (O jogo do mundo). Quando começou a trabalhar na UNESCO como escritor, tudo melhorou. A tradução de toda a obra em prosa de Edgar Allan Poe é ainda hoje considerada como a melhor tradução em espanhol.

O seu interesse pela política e solidariedade para as vítimas de ditaduras continuou a interessá-lo. Em 1970, a convite de Salvador Allende, esteve no Chile.

Em 1981 o governo de François Miterrand deu-lhe a nacionalidade francesa. A sua última obra é Os Autonautas da Cosmopista (1982), escrita em colaboração com sua companheira, Carol Dunlo. Deixou três volumes de correspondência que reúnem suas cartas aos amigos, onde se pode sublinhar Gabriel García Márquez e Mario Vargas Llosa. Morreu em Paris, de leucemia, em 1984.

Lembremos algumas características pessoais de Cortázar, que se podem ver nas suas obras:  era um grande fã de jazz, o que se denota no fluir da sua escrita e do boxe, assunto que abordou no conto Torito, do livro Final de jogo, de 1956; dava grande importância ao jogo enquanto actividade lúdica, não só das crianças mas de todos, o que se pode ver em O jogo da amarelinha.

Quanto à sua forma de escrita, é de assinalar a leitura, ainda em Buenos Aires, do livro de Jean Cocteau, Opio, que o introduziu na visão do surrealismo. A sua obra questiona o convencional. Independente do género literário, os simbolismos, acontecimentos surreais e extraordinários, povoam as suas obras, característica que enquadrou o autor dentro do realismo fantástico. Cortázar deixa a dúvida no ar, no desfecho de cada conto.

Ele explica:  “O conto tem que chegar fatalmente ao seu fim, como chega ao fim uma grande improvisação de jazz ou uma grande sinfonia de Mozart. Se não se detiver na hora certa, vai tudo para os diabos”.

 

 

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