A PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA PORTUGUESA – por Carlos Loures

Quando, no dia 5 de Outubro de 1910, cerca das nove horas da manhã, José Relvas içou a nova bandeira nacional na varanda do salão nobre do município lisboeta, dava-se início formal a um novo ciclo da História de Portugal. A esperança popular era de tal modo forte que se acreditou que os maiores problemas do País se iriam resolver.

Um interminável cortejo de erros políticos, de escândalos, havia minado o velho edifício da instituição monárquica. E os erros que Carlos de Bragança herdou somados aos muitos que cometeu, culminaram na queda do regime que desde o século XII nos governava. Entre erros, escândalos e a má governação, ocorreu o grave incidente do Ultimato britânico, Um governo republicano, com a esquadra inglesa ameaçando as nossas costas, preparada para bombardear e destruir Lisboa e Porto, não teria feito muito melhor do que, em 1890, o recém coroado Carlos fez, Mas os republicanos capitalizaram todos os fracassos do regime monárquico e o episódio da submissão portuguesa aos ditames e interesses da Grã-Bretanha, foi um fracasso estrondoso para a Monarquia. Entre o movimento de 31 de Janeiro de 1891, no Porto, e o Regicídio de Lisboa em 1 de Fevereiro de 1908. O movimento republicano ganhou um estatuto de figura moral da Nação, de um juiz permanente dos governos.

E a maioria esmagadora do povo apoiava-os.

As forças políticas que apoiavam a República, partidos, sindicatos, maçonaria, carbonária, grande parte da intelectualidade do País, consideraram ter atingido uma meta e ganho a corrida, Afinal estavam na linha de partida para uma nova competição. A de tornar Portugal viável, Há 108 anos Portugal era uma nação muito atrasada, sobretudo nas áreas da Ciência e da tecnologia, com índices de analfabetismo e de iliteracia mais confrangedores do que as médias europeias nessa e noutras áreas. Mas os problemas eram tantos e de tal magnitude que os numerosos governos que até 1926 se sucederam não os puderam resolver.

A raiva, a frustração, os ódios partidários, as interferências da Igreja Católica e as sabotagens dos monárquicos, formaram um caldo venenoso que em 16 anos destruiu a República.A História da Primeira República é curta e, potenciando ódios, ambições e frustrações que vinham de trás, foi abruptamente interrompida pela monarquia sem rei que foi o Estado Novo. Esta segunda República manteve em banho-maria todos os atrasos, o elogio da pobreza e o «caldo verde verdinho a fumegar na panela».

Sem a mudança de regime, o País teria sido diferente, para pior? Para melhor? Talvez ninguém possa (com honestidade e isenção) responder a esta pergunta. A instituição monárquica que caiu há 108 anos em Portugal, mantém-se viva e solidamente em países com graus de desenvolvimento superiores aos nossos, Mantém-se viva, mas ligada à máquina que faz mover toda esta aldeia global e que movimenta milhões de milhões de dólares ou euros em cada dia que passa. A principal função das monarquias é a de impressionar a populaça, alimentar as «revistas do coração» com namoros, adultérios da gente bonita entre a qual princesas e rainhas, príncipes e reis, duques, barões, têm lugar-cativo. As monarquias são parques temáticos que a comunidade internacional deveria extinguir por uma simples razão de higiene democrática

As monarquias, ao transmitirem o poder (ainda que simbólico)de pais para filhos, violam grosseiramente o espírito e a letra da Carta das Nações Unidas e a Declaração Universal dos Direitos Humanos, cujo Artigo I diz: Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade.

Expulsar da ONU todas as monarquias, seria um acto de profunda coerência. Bem sei que podemos esperar sentados que tal medida seja tomada. Nós, com todas as nossas limitações, há 108 anos fizemos a nossa parte.

 

 

 

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