FREUD E EINSTEIN – PORQUÊ A GUERRA? – REFLEXÕES SOBRE O DESTINO DO MUNDO por Clara Castilho

 

Foi em 1932 que  a Sociedade das Nações incumbiu Albert Einstein de eleger um interlocutor com o qual se manifestasse por via epistolar sobre a questão de ser ou não possível antever a evolução do homem relativamente à superação da sua agressividade destrutiva.  Foi sugerido o nome de Sigmund Freud. Em Junho de 1932, o secretário do Instituto escreveu a Freud, convidando-o a participar, ao que ele prontamente acedeu. A carta de Einstein chegou-lhe no início de Agosto, e sua resposta estava concluída um mês depois. A correspondência foi publicada em Paris, pelo Instituto, em Março de 1933, em alemão, francês e inglês, simultaneamente. No entanto, sua circulação foi proibida na Alemanha.

Einstein e Freud apenas tiveram um encontro no início de 1927, na casa do filho mais novo de Freud, em Berlim. Em carta a Ferenczi, dando conta do ocorrido, Freud escreveu: ‘Ele entende tanto de psicologia quanto eu entendo de física, de modo que tivemos uma conversa muito agradável.’

Einstein tinha 47 anos, Freud 70, com cancro da boca e surdo de um ouvido. Eles discutiram seu trabalho em seus respectivos campos. Einstein não estava entusiasmado com a psicanálise. Freud, por sua vez, pensou que Einstein era um homem bom, mas totalmente ignorante sobre a psicanálise. Ele escreveu a um amigo: “Einstein entende tanto sobre a psicologia como eu sobre física, por isso, tivemos uma conversa muito agradável.”

Já anteriormente Freud escrevera sobre o tema da guerra cujos textos vêm incluídos no livro : “Considerações actuais sobre a Guerra e Morte”  e “Caducidade”, ambos de 1915). Tinham sido escritos logo após o início da primeira guerra mundial.

Einstein para Freud:….”como é possível que as massa se deixem inflamar pelos meios referidos, até ao holocausto de si próprias? Impõe-se uma única resposta: é porque o homem tem dentro de si o prazer de odiar e de destruir. Em situações normais a sua paixão está latente, e somente emerge em circunstâncias excecionais; mas é muito fácil atiçá-la e elevá-la à altura de uma psicose coletiva. Aqui reside, talvez, o núcleo do complexo de fatores que procuramos destrinçar, um enigma que somente pode ser resolvido por quem é perito no conhecimento dos instintos humanos.

Chegamos aqui à última pergunta. Existe a possibilidade de dirigir a evolução psíquica dos homens de modo a tornarem-se capazes de resistir às psicoses do ódio e da destruição.”

Responde Freud: …”Durante quanto tempo deveremos esperar até que os outros se tornem também pacifistas? É difícil dizê-lo, mas talvez não seja uma esperança utópica a de que estes dois factores – a atitude cultural e a angústia justificada face às consequências da guerra futura – ponham fim aos conflitos bélicos num prazo previsível. É-nos impossível adivinhar por que caminhos o desvios se conseguirá tal fim. Por agora, só podemos dizer: Tudo o que fomente a evolução cultural actua contra a guerra.

Saúdo-o cordialmente, e peço desculpa se a minha exposição o desiludiu”.

Passaram-se 86 anos e estaremos talvez pior. A esperança de Freud não se concretizou. Mas não há dúvida de que a evolução cultural actua contra a guerra.

 

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