A MULHER DA MINHA VIDA, DE ANTÓNIO GARCIA BARRETO por Clara Castilho

 

“A mulher da minha vida” é uma história escrita por António Garcia Barreto. Anda nestas andanças há muito tempo e muito tem escrito. Tudo isto pode ser lido na Wikipédia. Realço só a sua licenciatura em História, a participação na Guerra Colonial, em Moçambique e, no regresso, colaboração em vários órgãos da imprensa escrita. Tem escrito para crianças, jovens e para adultos e publicado em diversas editoras.

Em 1973 obteve o 1º Prémio de um Concurso de Contos promovido pelo Diário Popular. O conto “Um Minuto Mágico”, mais tarde incluído no livro «Contos do Amor Breve», foi distinguido no Prémio Literário Hernâni Cidade, em 1996.No ano 2000 foi atribuído ao seu romance juvenil «Rubens e a Companhia do Espanto em O Caso da Mitra Desaparecida» o Prémio Literário de Sintra – Adolfo Simões Müller.

Miguel Real sobre ele diz: ”O autor retoma a veia realista de Eça de Queiroz, Ferreira de Castro e Miguel Torga, cujo tema estético pode sintetizar-se numa frase de Eça: a realidade bem observada e a observação bem exprimida”, isto é, clareza na escrita e transparência nas ideias”.

No seu blog “Viagem dentro dos dias”, o autor apresenta-se como “Um tipo à procura de palavras para escrever frases que falem de coisas inúteis”.

O livro é assim apresentado:

“A história passa-se na Lisboa dos anos 30. Então se instalava a ditadura, com as perseguições políticas. É assim apresentada: “Eneias Trindade, um inspector conceituado, é escolhido para acompanhar a investigação sobre o avião que se despenha nas Azenhas do Mar. Uma missão que irá mudar para sempre a sua vida. O que parecia ser um acidente acaba, após testemunhos sobre a existência de um cadáver e um artigo do Repórter X sobre o despenhamento, por se tornar um complicado caso de polícia.

Decidido a descobrir a verdade, Eneias Trindade vê-se envolvido em perigosos jogos de poder e perseguições políticas, é afastado da chefia da polícia e decide mudar de vida tornando-se detective privado. Mas não se afasta do mistério que envolve a queda do avião e da esperança de tentar reencontrar o grande amor da sua vida.

Um mistério que envolve um cidadão inglês de duvidosa reputação. Descrições de época, retrato de uma Lisboa ainda popular à beira de se tornar uma cidade onde o medo se vai impondo, num enredo cativante e uma história sobre a esperança de reencontrar um grande amor.”

Livro policial? Uma história de amor?  Tudo isto mas também, e sobretudo, um retrato histórico feito por alguém que disso sabe.

No livro vamos vendo a nossa Lisboa, que nos é apresentada, de forma convincente, como seria nos anos 30. Os Armazéns do Chiado, as leitarias, os restaurantes, o Café Gelo, os transportes públicos pouco existentes, onde sobressai o eléctrico, os táxis, os carros ainda a manivelas, o caminho de ferro insipiente. O contrabando às caras de um seu colega.

O seu amor por Rosarinho – a mulher da sua vida – que partiu porque “O casamento não fazia parte dos meus planos. Só queria amá-la e ser amado, sem outras implicações. Era pouco para Rosarinho. Mas eu não tinha mais para dar-lhe. Estava habituado a viver sem sujeições de espécie alguma, salvo as que resultavam da minha profissão e das hierarquias estabelecidas.” E sempre com os seu retrato na carteira.

O tempo ajudado a passar com a presença de uma outra mulher, a Gina: “A felicidade era dormir com Gina e acordar de manhã a olhar para o céu azul”.

E a Polícia de Informação, ainda incipiente, mas nem por isso menos incómoda para quem ela quer atingir: “A política desencantava-me cada vez mais. Não pela política em si, o acto de cidadania que ela encerrava, mas pelo seu afastamento das causas populares e das necessidades e aspirações mais profundas do povo…. Começava a preocupar-me com a tendência para o excessivo controlo da vida pública, com o mitigar da liberdade individual”.

Eneias Trindade acaba por dar uma volta à sua vida, a caminho do que deseja. Confesso que o fim não era bem o que estava à espera…

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