FRATERNIZAR – Pedofilia dos clérigos católicos – VÍTIMAS QUE PRODUZEM VÍTIMAS – por MÁRIO DE OLIVEIRA

 

Por mais que o papa Francisco multiplique as suas intervenções e os pedidos de perdão, não consegue ir à raiz do problema. A pedofilia dos clérigos continua na ordem do dia e só deixará de estar, quando já não houver mais clérigos católicos. Enquanto eles existirem, existirão também casos e casos de pedofilia. Denunciados ou silenciados. Os clérigos católicos são vítimas que produzem vítimas. A simples existência de clérigos conduz inevitavelmente à prática da pedofilia. Clérigos católicos e pedofilia são causa e efeito. Enquanto houver clérigos católicos, há pedofilia praticada por eles. Mas atenção. Presbíteros católicos pedófilos não há nenhum, já que os presbíteros são a negação dos clérigos, todos potencialmente pedófilos praticantes. Agora que a sociedade civil está mais secular e mais disponível para a denúncia, os clérigos pedófilos cuidam-se e contêm-se mais. Mas onde há um clérigo católico há sempre um pedófilo em potência. As crianças e os adolescentes que os frequentam, nomeadamente, nos internatos católicos ou na função de acólitos, são suas vítimas em potência. Surpreende, por isso, que haja mães-pais que permitem que suas filhas, seus filhos adolescentes frequentem ambientes onde os clérigos católicos mantêm relacionamentos de proximidade com elas, com eles. O crime está sempre à espreita. E a ocasião faz o ladrão, no caso, faz o pedófilo.

É da natureza do clérigo católico ser pedófilo praticante. Não o digo em tom condenatório. Digo-o em tom de advertência e de alerta. Os clérigos católicos são vítimas que produzem vítimas. Mais do que correr a condená-los, há que correr a resgatá-los desse estatuto e dessa condição. Não. Não é só por causa do celibato eclesiástico, imposto por lei. Uma lei absurda, sublinhe-se. Como absurda é a existência de clérigos. Não vejo a opinião pública levantar-se em peso contra a existência de clérigos católicos e contra a instituição que, há séculos, os produz e lhes atribui ministérios que lhes garantem um estatuto social de superioridade em relação aos demais. As próprias crianças e adolescentes empurrados pelos pais a frequentá-los e aos seus ambientes têm-nos na conta de seres superiores: Uma espécie de pequenos deuses aos quais nada se recusa. Mas é o que de facto eles são, a partir do momento em que são convertidos em clérigos ou sacerdotes.

Eles próprios sabem-se segregados e acima da condição de seres humanos. Colocados num pedestal. De onde olham para os demais como seus ajudantes. Aos quais devem guiar-orientar. Lá para onde são enviados, por nomeação de outros clérigos superiores a eles, são festivamente acolhidos e aclamados como seus ‘pastores’. Com o poder monárquico – só deles – de tomar decisões, nomeadamente sobre o património eclesiástico de cada paróquia. Sem que o parecer das populações que os sustentam-enriquecem e aos familiares que eles houverem por bem levar com eles conte para nada. Apresentam-se como ‘pastores’. Não passam de mercenários. Uns estranhos. Com poder de jurisdição sobre os residentes no território. Isto perfaz um absurdo e um crime de lesa-populações. Que estas, cegadas pelas suas catequeses cristãs, têm como virtude.

O ritual que os faz clérigos faz deles uns ungidos para o exercício do poder clerical-sacerdotal-eclesiástico. Dizer, ‘ungidos’ é dizer, ‘cristos’. Tanto assim que, quando eles presidem ao altar, diz-se que fazem as vezes de cristo. Um mito, objectivamente inofensivo, mas perigosíssimo, quando se faz clérigo que deixa de ser filho de mulher, para ser poder, numa cadeia de poder hierárquico, organizado em pirâmide. Com o papa de Roma, no topo, os párocos, seus alter-ego, na base, as paróquias. As populações residentes ficam de fora. São apenas o chão onde a pirâmide se apoia. Pelo que, neste início de terceiro milénio, recusamos alimentar por mais tempo este sistema eclesiástico que converte seres humanos em clérigos católicos, ou mantemos franqueada a porta para a existência de pedófilos praticantes. Quando derrubamos de vez esta demoníaca porta?!

 

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Nome completo: João Manuel Pacheco Machado

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