COMO É FORMADA A OPINIÃO SOBRE VIOLÊNCIA? por Luísa Lobão Moniz

 

A questão da violência, a sua origem, as suas consequências são matérias de difícil abordagem, pois a violência é multifacetada e multidisciplinar.

Não há quem não tenha a sua opinião sobre violência.

Como é formada essa opinião? São imensas as fontes que a criam e a maneira como os indivíduos reagem a essas fontes.

Todo o indivíduo escolhe os comportamentos que lhe parece ser os melhores para ser reconhecido pelos outros, ou os comportamentos que o façam afirmar-se nas comunidades, seja através do seu sentimento de pertença ou seja por ruptura com as regras sociais, familiares e ou escolares.

Após um estudo feito com crianças sobre a violência em casa, verificou-se que para elas a violência ou comportamentos agressivos se expressam através da agressão física, do sentimento de perda, do medo, da exclusão e da exposição pública.

 Souberam referir a legitimação do poder do adulto e a necessidade de uma autoridade que exerça a sanção social contra a violência; sublinharam o facto de não se sentirem protegidas quando são vítimas ou espectadoras de cenas de comportamentos violentos, legitimam estas situações porque estas são vividas com as pessoas de quem gostam e dependem.

Quando a criança se encontra no estádio de desenvolvimento do respeito unilateral (segundo Piaget) o sentimento de medo pode ser uma das consequências da violência.

O medo faz com que escolham o comportamento que consideram mais adequado, para a sua sobrevivência no grupo familiar.

A criança não quer a ruptura afectiva, cumpre com o que lhe dizem, principalmente o pai, “ bate para te defenderes”.

A criança mergulhada numa confusão de regras sociais em casa, na rua e na escola considera que deve haver alguém que institua castigos para a sua protecção.

Para a criança, a violência traduz-se em actos físicos, em ameaças e em insultos.

Algumas dizem que quando forem grandes vão bater nos filhos se eles precisarem “ eu bato, mas só se eles provocarem”, “ Se eles fizerem porcaria, eles têm que aprender” reproduzindo assim o tipo de relações interpessoais que lhes foi dado viver enquanto crianças.

A violência é pratica corrente, apesar de causar indignação pública, nas sociedades não democráticas (Mandela) em que os Direitos Humanos não são aplicados na sua totalidade.

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