INDIGNAÇÃO, INDIGNAÇÃO, INDIGNAÇÃO…por Luísa Lobão Moniz

Sonha e serás livre de espírito… luta e serás livre na vida.

Che Guevara

Vivemos em democracia e um dos seus requisitos é ter liberdade para nos indignarmos.

A indignação é um sentimento baseado em valores e que se manifesta mostrando descontentamento na tentativa de pressionar para a mudança.

Quando alguém se indigna é para que se altere o que considera ser uma injustiça social.

O indignado não pode aceitar a submissão.

Outrora, o conhecimento do caminho a levar para agrupar pessoas para uma causa, para uma luta pela mudança não era fácil, uma vez que a comunicação entre grupos sociais diferentes e moldava pelo poder da voz do mais forte…

Hoje a indignação manifesta-se, também e com sucesso, nas redes sociais, podendo gerar um movimento, o movimento da indignação.

 A indignação surge espontaneamente e é um sentimento que hoje se partilha com facilidade porque as redes sociais tornam todos “fisicamente” mais perto, à distância de um clique.

A partilha de notícias é feita ao segundo e cada vez mais as pessoas querem ver agora e não passados dez minutos!

Regra geral os movimentos de indignação são contra o poder que tem atitudes desprovidas de ética e de valores dos Direitos Humanos.

“A cantiga é uma arma”, assim nos cantava José Mário Branco, a indignação também o é e está do lado do Povo. O Poder tenta refrear esta forma de luta porque estes movimentos não têm líderes, têm uma organização que foge às estruturas das organizações “tradicionais” que se formaram para lutar por direitos sociais, entendíveis por todos.

Para lutar contra o capitalismo, no século XXI, continua a haver organizações organizadas como se os desfavorecidos não tivessem capacidade de enfrentar a realidade da desigualdade, são os trabalhadores com os seus sindicatos de um lado e os patrões do outro.

Os movimentos de indignação podem surgir e desaparecer porque só querem reparar “aquela” injustiça, ou podem começar a organizar-se de maneira informal.

Como diz Bob Dylan os tempos estão a mudar.

Como referi, estes movimentos não têm líderes, nem nenhum programa de acções.

Sendo um sentimento espontâneo reage quando tem conhecimento, podendo correr o risco de se tornar num movimento agressivo ou mesmo violento. Todos os movimentos, partidos, sindicatos estão sujeitos ao mesmo risco apesar das suas organizações terem maneira de os evitar…e até de colaborar com a Polícia para evitar a violência.

Quando a indignação sai à rua, deixando o conforto do seu dia a dia, é sinal de que já não se tolera a passividade e que se receia que a indignação se banalize e possa favorecer partidos e movimentos de extrema direita, que com acesso à comunicação social, comece a agitar a sociedade levando-a para actos violentos, criando o medo social que poderá levar a que os cidadãos se protejam no discurso da indignação, mas sentados no sofá a ver os comentadores falarem de injustiças sociais, em vez de agirem. Recordo a solidariedade por Timor, a disponibilidade de muitos jovens para fazerem voluntariado, num exemplo de plena cidadania. Desde estudantes que em pequenas instituições acompanham crianças desprotegidas e crianças doentes que já não chegarão à adolescência; acompanham movimentos de defesa da Natureza, confortam alguns sem abrigo, promovem campanhas de participação política nas decisões que irão ser votadas no Parlamento.

A indignação tem inscrita no sentimento a luta pela melhoria das condições de vida e a esperança de que há limites para a tolerância.

Nos últimos dias a agitação bateu no coração dos democratas ao ouvir que era preciso que alguém conseguisse dar razões ao povo para que este tivesse alguma coisa em que acreditar…ou seja que apareça um salvador para conduzir o seu rebanho retirando este sentimento, indignação, fazendo de cada um de nós um ser incompleto e submisso!

O direito à indignação alimenta a esperança e fortalece a coragem; a indignação não tolera a submissão; a coragem rejeita o medo e tenta mudar a realidade injusta, acreditando-se sempre na victória.

As mudanças sociais começam nos nossos Direitos, começam nos nossos valores, começam dentro de cada um de nós, no direito a nos indignarmos:

Salvar vidas não é crime. A violência sobre pessoas é crime. As micro-violências são puníveis. A corrupção é crime. A violação é crime. A pedofilia é crime. A mentira política é crime. Apelar a salvadores da Nação é crime. Ser racista é crime. Discriminar é crime. Pedir que o Poder arranje motivos para o Povo lutar é anular o direito à indignação, é amputar os cidadãos nos seus direitos e sentimentos, é travar o crescimento da Humanidade. INDIGNEMO-NOS SEMPRE!

 

 

 

2 Comments

  1. Cheguei da rua num autocarro super abafado. Indignada. Cintra a falta de redoeito da empresa e motorista pelo calor infernal qnd podia/DEVIA ter o ar condicionado & PELA PASSIVIDADE DOS UTILIZADORES. ISTO É BANAL MAS A INDIFERENÇA DE UNS E OUTROS GERA-ME INDIGNAÇÃO e tristeza. Muita. Pela passividade.

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