NO MAAT, EXPOSIÇÃO DE CARLA FILIPE, “ AMANHÃ NÃO HÁ ARTE” ATÉ 9 DE SETEMBRO

 

Esta exposição dá continuidade à pesquisa de Carla Filipe em torno das estratégias visuais e gráficas utilizadas pelo discurso político, em particular o cartaz reivindicativo.

O projecto apresenta um conjunto de símbolos e grafismos oriundos do discurso político pós-25 de Abril de 1974, mas retirando-lhe toda e qualquer plasticidade manual. A bandeira é a forma escolhida para dar corpo às composições complexas, de grandes dimensões, onde repetições e variações dos elementos iniciais, recolhidos dos materiais gráficos das reivindicações políticas da história recente do país, subjugam e contradizem a sua própria origem e identidade.

A autora recorre a estas imagens superficialmente despolitizadas, ou às quais foi removida qualquer agência política, para se interrogar sobre o estatuto que o artista ocupa na configuração sócio-política actual. Desprovida de capacidade reivindicativa individual e sem a força de um corpo colectivo que a apoie, a artista ameaça Amanhã não há arte, como uma tentativa de mobilização face aos desafios que a comunidade artística enfrenta.

Uma reflexão muito interessante, onde vemos a nossa História mais recente passar-nos pelos olhos e pela memória, ajudando-nos a sobre ela nos posicionarmos.

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