A AMÉRICA LATINA SOB O FOGO DO NEOLIBERALISMO, SOB A PRESSÃO DA AUSTERIDADE – V – O PONTO DE VISTA DE UM OPERADOR AMERICANO NOS MERCADOS FINANCEIROS SOBRE A ARGENTINA – A LIÇÃO DA ARGENTINA: NÃO SE PODE ESTABILIZAR UMA ECONOMIA FALIDA, por JOHN RUBINO

Obrigado à Wikipedia

The Lesson Of Argentina: You Can’t Stabilize A Bankrupt Economy, por John Rubino

Dollar Colapse, 28 de Abrik de 2019

Blogue Gonzallo Raffo

Argentine President’s Prospects Dim With Those of His Country’s Economy. por Jeffrey T. Lewis e Ryan Dube

Wall Street Journal, 25 de Abril de 2019

Selecção e tradução de Júlio Marques Mota

Assim, os EUA colocam os republicanos (o partido dos governos pequenos) no comando, e recebem… milhões de milhões de dólares em défices até onde a vista alcança E um ressurgimento do socialismo que se pratica entre os Democratas.

Por mais assustador que isso possa parecer, a verdadeira lição (ainda mais assustadora) é que tudo isso é inevitável: Para além de um certo nível de endividamento, mesmo os líderes de governos pequenos pró-negócios, defensores de uma moeda sólida, são impotentes para parar a marcha para a insolvência e a crise monetária.

O último exemplo é a Argentina, que há poucos anos elegeu um presidente defensor do mercado livre, só para ver a sua dívida explodir e a sua moeda cair. Do Wall Street Journal de sexta-feira:

Argentine President’s Prospects Dim With Those of His Country’s Economy 

Os ativos da Argentina levaram uma verdadeira surra na quinta-feira entre a luta contínua do presidente Mauricio Macri para domar o aumento dos preços e o querer reanimar uma economia em queda, aumentando as perspectivas de que o seu antecessor de esquerda poderia voltar às eleições presidenciais deste ano.

O peso perdeu mais de 5% de seu valor em relação ao dólar no início das negociações de quinta-feira, antes de recuperar algum terreno à tarde. A Argentina é agora o segundo tomador de empréstimos mais arriscado do mundo depois que a crise atingiu a Venezuela, conforme indicado pela emissão de CDS (credit default swaps) que são derivados que levam a que se pague aos detentores quando um tomador de empréstimo não paga o pagamento da dívida.

Macri, que foi eleito em 2015 com promessas de desfazer as políticas intervencionistas da presidente Cristina Kirchner, anunciou novos controles de preços na semana passada para tentar controlar a inflação argentina. O Sr. Macri falhou durante a sua administração em conter a inflação, que subiu para um ritmo anual de quase 55% em março, contra 25% no início de 2018.

 

O movimento gerou críticas de que o presidente estava a abandonar as políticas favoráveis ao mercado por considerações eleitorais de curto prazo, já que os argentinos estão cada vez mais impacientes com o aumento dos preços. Além disso, ressaltou a possibilidade de que o Sr. Macri possa perder as eleições de outubro, mesmo que ele enfrente a polarizadora Sra. Kirchner  na segunda volta final entre os dois primeiros colocados de uma votação inicial. Esse cenário foi considerado improvável apenas há alguns meses atrás.

“Tanto a recessão quanto a inflação ficaram tão más que nem mesmo enfrentar Cristina Kirchner seria suficiente para [o Sr. Macri] vencer na segunda volta “, disse Bruno Binetti, analista político da Universidade Torcuato Di Tella em Buenos Aires.

“As pessoas estão tão descontentes com o estado da economia neste momento que estariam dispostas a votar nela, dada a sua raiva ao atual governo.

O Sr. Macri disse que os défices orçamentais crónicos levaram ao aumento da inflação e causaram outras dificuldades económicas. Ele defendeu as ações de seu governo para equilibrar o orçamento da sua administração.

“Vamos à fonte do problema”, disse ele numa entrevista de rádio na quarta-feira. “Vai levar tempo”, mas a inflação tem que cair, acrescentou.

Os esforços fracassados do presidente para acabar com uma recessão que elevou o desemprego para 9,1% e deixou cerca de 30% da população do país a viver na pobreza causaram uma reação negativa entre os argentinos. Uma sondagem recente da Synopsis Consultores, uma empresa de consultoria local, mostrou a Sra. Kirchner com 45% de apoio contra 44,3% do Sr. Macri numa segunda volta.

Outras sondagens mostram que a Sra. Kirchner ganharia por uma margem maior.

“Se a economia não melhorar, o governo cai nas urnas. Se os números das sondagens caírem para o governo, então há mais pressão sobre a taxa de câmbio, sobre os mercados financeiros, e isso alimenta-se da economia real”, disse Matías Carugati, economista-chefe da empresa de sondagens Management & Fit, de Buenos Aires.

“Macri é um desastre”, disse Liliana Mejía, 28 anos, estudante em Buenos Aires. “Todos eles têm que ir”. Disse ainda que estava chateada porque o aumento dos custos a impediu de comprar um presente para o segundo aniversário do seu filho na próxima semana.

Mas muitos argentinos ainda apoiam o presidente, argumentando que ele herdou o problema depois de mais de uma década de desgoverno da Sra. Kirchner e do seu falecido marido, Néstor Kirchner.

“Cristina é a culpada por tudo isso”, disse Carlos Mayo, um aposentado de 70 anos. “Você não pode consertar em dois anos o desastre que eles fizeram em 12 anos”. 

A administração da Sra. Kirchner nacionalizou os negócios e aumentou os impostos sobre as exportações de cereais vitais da Argentina. Ela financiou o défice por emissão de papel-moeda, impôs controles de preços em centenas de produtos de consumo e não pagou a dívida. Ela está a ser julgada por várias alegações de corrupção, ao mesmo tempo em que nega todas as irregularidades.

Ao tomar posse há quase quatro anos, Macri mobilizou-se rapidamente para eliminar a maioria dos impostos sobre a exportação agrícola e levantar os controles cambiais e de capital numa tentativa de restaurar a confiança entre empresas, investidores e consumidores. Ele reduziu os impostos sobre os rendimentos pessoais e convidou empresas estrangeiras a investir nos setores de energia e transporte da Argentina.

Macri, descendente de uma família rica de Buenos Aires, também forneceu a base legal para atrair investimentos estrangeiros, disse Juan Pereira, analista da Inframation, uma empresa global de notícias e serviços de infraestrutura e energia.

Macri contraiu grandes empréstimos, emprestou muito nos mercados globais enquanto tentava restaurar lentamente as finanças do governo. Ele procurou, dessa forma, evitar os cortes profundos nos gastos e a consequente agitação social que levou à remoção de ex-presidentes durante os choques económicos anteriores.

Mas Macri viu-se atolado numa crise cambial depois que o seu governo reduziu as metas de inflação no final de 2017 – uma ação que alguns participantes do mercado viram como ameaça à independência do banco central da Argentina – e as taxas de juros subiram nos EUA no início do ano passado. Macri recorreu ao Fundo Monetário Internacional para um resgate e para acalmar as preocupações dos investidores sobre os pagamentos da dívida.

O peso continuou a enfraquecer mesmo depois do resgate em junho passado, e. Macri teve que voltar ao FMI em setembro para pedir mais dinheiro e prometeu equilibrar o seu orçamento, cortando na despesa pública e aumentando os impostos sobre as exportações agrícolas.

 

Agora, alguns investidores estão preocupados com que o governo possa eventualmente falhar no pagamento da sua dívida, disse Asha Mehta, gestor de portfólio da Acadian Asset Management, sediada em Boston.

“Os principais riscos que vemos são o potencial de incumprimento,, o FMI não oferecer mais apoio e o colapso da moeda”, acrescentou.

Os investidores ainda estão dispostos a apoiar Macri, de acordo com Dominic Bokor-Ingram, gestor de portfólio da Fiera Capital, gestora de fundos sediada em Londres.

“A preferência na comunidade internacional é por Macri”, disse ele. “Ele não tinha o poder político para forçar reformas suficientes, mas se conseguisse mais um mandato de quatro anos, haveria uma probabilidade muito forte de poder realizar as reformas que prometeu.

Aqui está a frase chave: ” Macri contraiu muitos empréstimos nos mercados globais enquanto tentava restaurar lentamente as finanças do governo. Procurou assim evitar os cortes profundos na despesa pública e a consequente agitação social que levou à demissão de ex-presidentes durante os choques económicos anteriores”.

Quando as dívidas de um país chegam a um certo ponto, a “austeridade” – ou seja, a redução dos gastos para reduzir os défices – causa tanta dor a uma população que se tornou viciada em crédito fácil e benefícios generosos, que o político que o implementa é expulso e substituído por quem promete as coisas mais gratuitas. E a crise da dívida continua.

A Europa descobriu isto depois de tentar forçar os países periféricos da UE a cumprirem metas de défices baixos. O resultado são os populistas e/ou socialistas que são os responsáveis políticos na maioria dos maiores países devedores.

Macri parece ter reconhecido o risco de austeridade, mas descobriu que pedir mais dinheiro emprestado para evitar cortes nos gastos é simplesmente “business as usual” sob um nome diferente.

Enquanto isso, aqui nos EUA, do ponto de vista financeiro, dificilmente importa quem estará no comando depois de 2020, porque aumentos maciços na despesa pública são agora o consenso, com o único argumento a ser em que coisas compramos com todo esse dinheiro emprestado.

Por outras palavras, a Argentina é agora o futuro do mundo desenvolvido.

 

THE LESSON OF ARGENTINA: YOU CAN´T STABILIZE A BANKRUPT ECONOMY / DOLLAR COLLAPSE

https://gonzaloraffoinfonews.blogspot.com/2019/05/the-lesson-of-argentina-you-cant.html

About joaompmachado

Nome completo: João Manuel Pacheco Machado

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