JEREMY CORBYN, UM POLÍTICO QUE SE DISTINGUE PELA SUA SERIEDADE: UMA PEQUENA SÉRIE SOBRE A SUA TRAJETÓRIA POLITICA – a introdução, por João Machado

A situação que se vive no Reino Unido pode vir a ter grandes reflexos no resto da Europa, e não só. Donald Trump, que é muito mau, mas não tão burro como alguns o pintam, tenciona recandidatar-se em 2020, mas sabe bem que um êxito do partido trabalhista no dia 12 de Dezembro (é já quinta-feira), com Jeremy Corbyn  à sua frente, terá repercussões também  do outro lado do oceano, podendo vir a fortalecer a ala social-democrata do partido democrático (ele não esquece que em 2016 as sondagens davam Bernie Sanders como melhor colocado para o derrotar do que Hilary Clinton). Por isso há tempos que vem tratando Corbyn com o modo arrogante que reserva para as pessoas que teme, e contra as quais tem poucos argumentos, para além da força bruta e das fake news.

Por parte da União Europeia os observadores mais atentos já compreenderam que de um modo geral se prefere Boris Johnson. Até o “nosso” primeiro António Costa, embora teoricamente seja um socialista e um homem de esquerda pediu a Corbyn para pôr o interesse da Europa e o interesse geral à frente do interesse partidário (clique em: https://www.sabado.pt/portugal/detalhe/antonio-costa-e-a-altura-do-parlamento-britanico-fazer-a-sua-parte) isto para o levar a apoiar o acordo assinado com Boris Johnson em Outubro passado.  Há pouco, na TVI, o também “nosso” comentador Miguel Sousa Tavares disse que Corbyn é da ala esquerda, esquerda, esquerda do partido trabalhista, e que é da velha guarda dos anos 70-80 (https://tvi24.iol.pt/opiniao/corrupcao/miguel-sousa-tavares-miguel-sousa-tavares), enquanto que Johnson, embora os eleitores o achem desonesto, quer levar o Brexit avante. O signatário deste texto atreve-se a achar claro que ambos preferem Johnson.

Corbyn quer fazer grandes reformas em Inglaterra (no Reino Unido com certeza, se os escoceses e irlandeses do norte quiserem) para enfrentar o agravamento da situação social do país, cada vez mais insustentável, apesar de ainda ser considerado como um dos mais ricos do mundo. Em relação ao Brexit, não será precisa uma dose grande de boa vontade para entender que não pretende dizer o que pensa abertamente (os adversários procuram usar isso para o desacreditar), para não agravar as tensões entre remainers e brexiters. Quem está atento já há muito percebeu que as posições de um lado e outro não são uniformes, isto é, as mesmas razões levaram as pessoas a tomar posições diferentes no referendo de 2016. Ou, se se preferir, a mesma opção resulta de razões muito diferentes. Entretanto, a enorme discussão interna e externa, a todos os níveis, os interesses das oligarquias reinantes, o ruído orientado da grande comunicação social, foram impedido ao longo dos anos uma análise mais alargada de questões essenciais, uma das quais é sem dúvida assumir e enfrentar o fracasso (há que prefira dizer: falta de vontade) da União Europeia em enfrentar os problemas do continente e do mundo.

Julgamos que Jeremy Corbyn pretende alterar este estado de coisas. Que o faz com o objectivo de servir o seu povo, procurando a melhoria das suas condições de vida e torná-lo mais feliz de uma forma construtiva. Para documentar esta ideia, e dar um contributo para a compreensão do que se tem passado na Grã-Bretanha, propomos-vos a leitura dos artigos que a seguir se indicam e que iremos publicando nos próximos dias:

1º Texto. A progressão de Corbyn , Tariq Ali

2º Texto. Quais são as prioridades de Jeremy Corbyn? Brexit de esquerda, uma via muito estreita, Chris Bickerton

3º Texto. Razões para Corbyn William Davies

4º Texto. Renascimento dos Trabalhistas no Reino Unido,  Allan Popelard e Paul Vannier, Le Monde Diplomatique

5º Texto. Jeremy Corbyn, a Reconquista da Esquerda do Partido Trabalhista, François Chesnais, Attac, França

6º Texto. Entrevista com Jeremy Corbyn: “Não podemos parar o Brexit”, Jörg Schindler, Der Spiegel

7º Texto. O futuro da social-democracia britânica: lições de Anthony Crosland, Patrick Diamond,

8º Texto. SOCIALISMO AGORA, FABIAN SOCIETY

9º Texto. Jeremy Corbyn, o contratempo. Sobre a crise do Partido Trabalhista em  2016, Thierry Labica.

10º Texto. Referendo do Reino Unido sobre a UE: o grupo parlamentar trabalhista, ou um sabor de catástrofe, Thierry Labica

11º Texto Os conservadores e as forças mediáticas , Thierry Labica

12º Texto Trabalhismo oficial, golpe falhado e febre suicidária, Thierry Labica

13ª Texto. As almas perdidas do trabalhismo: a base do partido, Thierry Labica

14º Texto  Politicas da crueldade: «austeridade» e engenharia social coerciva, Thierry Labica

15ª Grande-Bretanha : retorno sobre a reforma   da  proteção  social e do trabalho  de 2015, Thierry Labica

16º  Texto. Instabilidade e polarização politicas na Grâ-Bretanha, Thierry Labica

17º Texto O Congresso Trabalhista face às armadilhas do Brexit, Thierry Labica

18º  Texto. Para um Brexit de Esquerda,  Costas Lapavitsas

 

About joaompmachado

Nome completo: João Manuel Pacheco Machado

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