“COISAS DO DIABO E ESTÓRIAS DO ARCO DA VELHA” DE JOSÉ D’OLIVEIRA GOMES

O livro “Coisas do Diabo e Estórias do Arco da Velha”,  apresenta-se de José d’Oliveira Gomes, um dos pseudónimos de Pedro Malaquias, conhecido pelas letras produzidas para artistas como Radio Macau ou Paulo Gonzo, bem como pelo seu trabalho como jornalista na TSF.

Sobre o Autor, pelo próprio:

«Pedro Malaquias nasceu em Campo de Ourique, Lisboa, já lá vão mais anos do que ele próprio desejaria.

Para não o tomarem por bandido, foi fazendo pela vida em várias profissões. A que lhe tomou mais tempo foi a de jornalista.

Já quanto à escrita, talvez alguns o conheçam enquanto autor de letras das canções de gente tão diversa como os Radio Macau, Paulo Gonzo, Susana Félix, Quinta do Bill, Adelaide Ferreira, Rita Guerra. Também é ainda mais provável que não, mas não deixa de ser verdade.

À margem e sem notícia foi, entretanto, escrevendo muita coisa. Poesia, prosa e até teatro. Aliás, recentemente viu estrear, em Loulé, pelo grupo “Folha de Medronho”, o monólogo “Alguém me sabe dizer se o meu chapéu está bem posto”, que passou posteriormente por dois festivais de teatro no Brasil.

Quanto a este livro de pequenas histórias: “Coisas do Diabo e Estórias do Arco da Velha” é uma edição de autor, que pode abrir caminho a outros pequenos livros de histórias, que sobrevoam os céus do surrealismo, de um certo absurdo. Sem conseguirem, no entanto, alcançar o grau de surrealismo e absurdo em que se tornou a vidinha nossa de cada dia.»

Deixamos um exemplo de um conto:

 “Ele não tinha noção do que era um carapau. Mas um dia o Outro chegou e disse:

– Carapau!

E disse-o com tal convicção que quase escusado seria prova-lo. Mas isso mesmo que o Outro fez, estendendo-lhe uma pequena travessa cheia de carapauzinhos de escabeche.

Ele avançou hesitante, ciente de que este seria um gesto que iria mudar toda a sua vida e, mais do que isso, poderia abrir-lhe a mente e o apetite a conhecimentos inimagináveis.

Mal teve tempo de agarrar pelo rabo um pequeno carapau. O Outro rapidamente voltou a guardar a travessa no bolso da gabardine, exclamando:

– É p´ra que saibas!

 E enquanto o Outro se afastava pela porta da cozinha, Ele percebeu que a vida é como um carapau de escabeche: mal lhe tomas o gosto, pira-se porta fora e deixa-te ali pendurado, no meio da cozinha, com um bocado de cebola ainda entalado no meio dos dentes.”

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