CARLOS REIS – SCAT – UM CAFÉ LÁ EM CASA, com Camille Bertault – LIÇÕES DE JAZZ E DA TRETA

 

Scat

Ora aqui está um palavrão anglo-saxónico que terá três possíveis leituras (independentemente de ser ou não percebido o seu significado):

1) Nunca ouviu falar.

2) Ouviu falar, tem uma ideia mais ou menos (ou ainda pior que) vaga e não percebe o que ali se passa.

3) Conhece, compreende e gosta.

O Jazz vocal tal como o instrumental pode (e deve) ter também a sua expressão improvisadora, pessoal e assumida por cada intérprete, à sua peculiar e própria maneira.

Ou então não seria bem Jazz. Era outra coisa.

O scat é feito de sons vocais com sonoridades típicas, próprias e o mais inventadas possíveis, sempre dentro do tempo e do tema em questão, como se de facto de um instrumento musical se tratasse. Este caso espectacular da Camille Bertault aqui apresentado (e de muito difícil acesso para quem não estiver habituado) é um quase novo paradigma do scat, uma vez que a cantora ainda por cima inventa uma espécie de letra sem nunca sair do tema e do tempo, dificultando a sua própria interpretação – aliás de uma capacidade improvisadora invulgar, de um ouvido e de uma imaginação invulgares, dado que o standard “Giant Steps” do John Coltrane (https://www.youtube.com/watch?v=30FTr6G53VU) que ela interpreta, é um tema difícil e sinuoso que não é para todos – ouvintes ou músicos.

Mas é para o Nelson Faria, claro, que a acompanha perfeitamente com espanto e admiração crescentes e a seguir com ela conversa. Como nota final, deve dizer-se que já nos anos sessenta os fabulosos Double Six de Paris (https://www.youtube.com/watch?v=tN7_eBrctCQ) – que ninguém evidentemente conhece – faziam isto e muito mais. Eram um espanto e até gravaram com o Dizzy Gillespie, conforme históricas gravações que tenho a sorte de possuir.

Boa audição. (Ou um rápido despachar…).

 

Carlos

 

https://www.youtube.com/watch?v=DCizf2Xd8A0

 

Pode ser que você já tenha ouvido os scattings da Camille Bertault: de reinterpretações vocais dos solos de Coltrane aos do Hermeto Pascoal, a cantora encantou o mundo com a sua voz e a sua habilidade de harmonizar palavras em ritmo jazzístico. No programa dessa semana, Camille conta da sua trajetória, as suas referências brasileiras e a sua relação com o improviso. Pode dar o play! Assista ao solo original do Coltrane na música Giant Steps que a Camille colocou letra. Vai ser um upgrade na sua experiência auditiva da primeira música do programa!

(Texto que acompanha o link, embora  algo escondido).

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Nome completo: João Manuel Pacheco Machado

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