CARLOS REIS – O REI EMÉRITO NÃO VAI NU

 

 

Nota – O Carlos Reis enviou-nos este texto no dia 4 do corrente mês de Agosto. Na altura ainda não se sabia (pelo menos ainda não sabíamos nós, simples mortais!) que o rei emérito ia para o Abu Dhabi.  Será que ainda o teremos em Cascais? 

2 Comments

  1. Muito Bom. Já me fartei de rir logo pela manhã. E rir faz bem… A ironia é uma componente da arte de escrever que muito aprecio. É por vezes a forma mais expressiva de exprimir a revolta.

    1. Olá e obrigado pelas suas palavras. Também gostei da sua poesia.
      E já agora e sempre com alguma possível ironia, deixo aqui uma que dediquei (todos os anos, pelo 25 o faço) aos quarenta anos do nosso 25 de Abril.

      Carlos Reis (netkingcall@sapo, pt)

      40 de Abril

      Capitão meu capitão quantos são hoje?
      que fazer com esta chaimite
      de corda e folha de flandres
      eu com este dinky toys
      e o povo ali à espera
      sem saber do que se passa
      sem saber do que é que existe.

      Deixa-te estar sossegado
      De pronto e espingarda em riste
      que eu vou já ali saber
      perguntar do que se faça

      Ó major meu major quantos são hoje?
      que fazer com este aparato
      que fazer com este quartel
      mas o qu’é que vai haver
      que inda agora aqui cheguei
      mas o qu’é que eu vou fazer
      com quem é que eu vou lutar

      Deixa-te estar sossegado
      de pronto e atentamente
      que eu vou já ali ao lado
      pra saber como actuar

      General meu general quantos são hoje?
      que fazer com esta canalha
      o alferes e a soldadesca
      mais uns gajos à paisana
      é só povo à fartazana
      uma falta de decoro
      e uma enorme bandalheira

      Deixa-te estar sossegado
      aguenta aí o gado
      que eu vou já ali ao fundo
      vou ali ao interior
      vou sossegar o marcelo
      o spínola e o cardeal
      explicar tudo ao tomás
      pois daqui a 40 anos
      vai estar tudo como dantes
      desde que o mundo é mundo
      sem revoluções nem ninguém
      a quem culpar deste mal
      faço uma festinha ao pide
      passo-lhe a mão pelo cabelo
      deixo a porta entreaberta
      (eu não tenho onde metê-lo)

      faço um barco de papel
      levo-os todos pró brasil
      (que rima até com abril)
      sossego o champalimaud
      os mellos o espírito santo
      trato-os todos com desvelo
      e ainda passo por belém
      pra embarcar o presidente
      disfarçado de bourvil

      E o povo meu general?
      meu general e o povo?

      o povo deixá-lo estar
      já pode agora grunhir
      damos-lhes a constituição
      pra dormir
      e mais uma assembleia
      p’rós ouvir
      e depois também uma urna
      pra votar
      eu vou ali e já venho
      explicar tudo de novo
      que já pode até brincar
      e durante 40 anos
      festejar

      Carlos
      25 de Abril 2014

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