CARTA DE BRAGA – “de alertas, consumos e sobrevivência” por António Oliveira

22 de Agosto foi mais um dia de alerta geral para a Terra!

O planeta atingiu nesse sábado, o limite das suas capacidades naturais, isto é, o dia em que terminaram todos os recursos que é capaz de regenerar durante um ano, situação que se vai repetindo há muitos, já!

Até nisto se notam os efeitos da pandemia, porque nos últimos, a data limite era 31 de Julho, um adiamento compreensível pela paralisação de algumas actividades económicas, mormente as que implicam queima de combustíveis fósseis.

Mas a explicação deste drama é, para o Fundo Mundial para a Vida Selvagem e a Natureza WWF, ‘o declínio da biodiversidade; desde 1970 tem sido mais rápido nos países de baixo rendimento, o que demonstra como as nações mais pobres e vulneráveis estão a subsidiar os estilos de vida dos países mais ricos’.

Tirando os países ‘frugais’ da Europa e os donos do petróleo, creio que os restantes, mesmo nós, somos os contribuintes para tais estilos.

Michael Feher, filósofo e fundador de Zone Books, explica ‘As empresas e os estados governam-se para parecerem dignos de crédito perante os mercados. Os estados ajudam a empresas a endividar-se baixando os impostos e custos laborais, com que metem também, a pouco e pouco, as pessoas no sistema’.

Não procuram o crescimento, mas a confiança dos mercados na dívida, para que comprem cada vez mais emissões e ‘as pessoas estão no sistema, por todas especularem com a vida, para obter a pontuação máxima na capacidade creditícia’.

Aliás e de acordo com a Associação Natureza Portugal que trabalha em associação com o WWF, ‘Os portugueses continuam a precisar de 2,19 planetas para manter o seu actual estilo de vida’ uma das afirmações do relatório que demonstra como a ‘Pressão da humanidade está a minar a capacidade da natureza de apoiar a vida humana’.

A consulta e leitura atenta da imprensa séria, mostra que o mais difícil na sociedade é conseguir o equilíbrio entre a obtenção e a gestão dos recursos para uma vida decente, o que me leva a crer ser tão imoral a criação da riqueza como finalidade última, como exigir direitos sem garantias que se possam vir a exercer.

Parece-me também que esse deveria ser o objectivo de toda e qualquer atitude política, virada apenas para o bem comum, abdicando de partidismos ou religiosidades, por frequentemente nos arrastarem para bizantinices, passados, ilusões e irrealidades, bem distantes da necessidade indiscutível de uma vida melhor.

Uma necessidade cada vez mais patente com a maioria das pessoas confinadas nas suas covas (porque não lhes chamar assim?) e os senhores do ar, aqueles que estão a reduzir a nossa vida à contemplação ininterrupta de ecrãs, ‘confinados’ nas de todos.

E, tirado do DN do princípio de Agosto ‘Mantendo a actual taxa de crescimento populacional e consumo de recursos, em particular da floresta, temos apenas algumas décadas até um colapso irreversível da nossa civilização’, escreveram os autores Mauro Bologna e Gerardo Aquino no trabalho ‘Desflorestação e sustentabilidade da população mundial: uma análise quantitativa’.

E ainda do DN, mas do passado mês de Abril, recolho do professor Viriato Soromenho Marques a possível conclusão para esta Carta ‘Voltámos a ser mortais numa Terra que foi cantada como sendo da “alegria”, na última e maravilhosa poesia de Ruy Belo. Agora, o Jardim do Éden está ferido por dentro, pela destruição do ambiente, pelas alterações climáticas, pela estupidez e pela discórdia. É aí que teremos de lutar, juntos, pela sobrevivência. Com olhos bem abertos’.

António M. Oliveira

Não respeito as normas que o Acordo Ortográfico me quer impor

 

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