FRATERNIZAR – Em tempos de pandemia Covid-19 QUE PODEM OS POVOS ESPERAR DOS PARTIDOS POLÍTICOS? – por MÁRIO DE OLIVEIRA

 

 

Publicamente, ainda não são tão boçais e grosseiros quanto BolsoNero e Trump, mas os actuais líderes dos partidos políticos e seus núcleos duros avançam todos a passos largos nessa demencial direcção. Numa fratricida guerra de palavras e de decisões. Nem em tempos de pandemia Covid-19, são capazes de buscarem, juntos, soluções para os graves problemas com que todas, todos nos vemos hoje confrontados. Pelo contrário, com o ciclo de eleições presidenciais e autárquicas já no horizonte, cavalgam os graves problemas que nos afligem com um único objectivo, o de conseguirem mais e mais cadeiras no Parlamento de Lisboa, a casa do Poder, não a Casa do Cuidar. Se dúvidas houvesse, o que acaba de ocorrer na Região Autónoma dos Açores tê-las-ia dissipado.

Não! Não há partidos políticos bons. Digam-se de (extrema) esquerda, do centro ou de (extrema) direita. Tão pouco, há governos bons, saídos de eleições, cada vez mais agressivas e cuspidas de insultos. Como corporações que são, tudo o que os partidos políticos fazem e dizem tem em mira o voto de quantas, quantos continuam ingenuamente a confiar-lhes os seus destinos. Sem perceberem que é o mesmo que confiar à raposa a guarda das galinhas.

Entenderemos bem isto que aqui escrevo e digo, se já formos capazes de reconhecer, como eu há muito reconheço e abertamente defendo, que toda e qualquer solução política que não tenha os povos das nações como protagonistas, é sempre intrinsecamente má. Tem no seu bojo o vírus da divisão e da alienação. Com a agravante de que os grandes media – hoje a negação do jornalismo e a ditadura da Propaganda, da Mentira e do Insulto – sabem que vendem tanto mais quanto mais ódios interpartidários incendiarem-difundirem. E como hoje tudo se sabe ao minuto e em directo, até as suas manchetes acabam por reproduzir quase só os sucessivos arrotos dos líderes de cada um dos partidos.

No meio de todo este pantanal interpartidário, quem mais se lixa – é bem de ver – somos todas, todos nós, os povos das nações, reduzidos, assim, à condição de mexilhão. Sem as mínimas condições sociais e políticas para escutarmos o Vento e podermos dar a devida atenção aos sinais dos tempos. Tantos os ruídos e tamanhas as banalidades!

Como é público e notório, nem a pandemia Covid-19 tem conseguido que os líderes partidários se unam numa séria busca de soluções conjuntas. O que, aliás, diz bem com a natureza deles. Esperar deles posturas políticas de cooperação e de busca conjunta do bem dos povos, é revelador de crassa ingenuidade política. Pelos frutos se conhecem os partidos e os seus governos. E os frutos estão aí bem à vista: gerações e gerações caídas em becos sem saída. Jovens grávidos de capacidades, mas todas abortadas. Pobres e pobreza em massa. E em vez de Justiça, Caridadezinha a rodos. Um vómito.

Só elites dotadas do sopro feminino, peritas na Arte de Cuidar, conseguem despertar de dentro para fora dos povos das nações a consciência de que trazemos em nós a capacidade política de cuidarmos de nós próprios, uns dos outros e do planeta Terra, hoje em acelerado risco de vir a continuar a girar em volta do Sol, mas já sem nós, porque definitivamente extintos.

O meu Livro ‘Da Ciência à Sabedoria’ tem um capítulo, o 32, titulado, ‘No princípio são as mulheres. As mulheres mães’. Nele se revela, de forma condensada, simples e fecunda, o caminho a trilhar neste novo milénio. Tem a ver com a entrada em cena do Sopro feminino que as mulheres, nomeadamente, as mulheres-mães, respiram. A solução dos nossos problemas como povos e como Terra, organismo vivo, é por elas que passa e por quantas, quantos, como elas, fazemos do respirar feminino, gerador do Cuidar, o nosso quotidiano respirar. O que só acontece, quando os nossos viveres são um NÃO vivo ao Poder e ao seu sopro de morte, e um SIM vivo ao Cuidar e ao seu Sopro de vida. O paradigma deste Sopro feminino, gerador de Vida e de Cuidar, é o ser humano Jesus, o filho de Maria, hoje, Jesus terceiro milénio. É este Sopro feminino que procuro respirar cada dia. E Vós, cada uma, cada um de Vós?!

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