É certo e sabido, pelo menos para os que vivemos à escuta do Vento e atentos aos Sinais dos tempos, que nunca mais voltamos ao tipo de mundo que conhecemos antes de aparecer o coronavírus, com suas variantes, qual delas a mais mortífera e a que deixa nas pessoas que lhe sobrevivem sequelas mais ou menos graves. E quem de nós quiser dar sinais de sabedoria, prepare-se para suscitar dentro de si os antídotos mais eficazes ao coronavírus, de modo a tornarmo-nos de dentro para fora imunes a este e outros tipos de vírus que garantidamente se lhe seguirão.
Devo confessar que o aparecimento do coronavírus me não surpreendeu. Já o esperava. Há muito que a Terra, nossa casa-e-mesa comum, organismo vivo quanto nós, nos gritava, como a Formiga no carreiro, de José Afonso, Mudem de rumo, mudem de rumo, vivam a sororidade/fraternidade global. Fizemos orelhas moucas e corremos a empanturrar-nos com todo o tipo de produtos que o Grande Mercado habilmente nos mete olhos dentro. Quando demos conta, já estávamos a braços com a pandemia e todo o seu pesado cortejo de dores e horrores. E, mesmo agora, já só pensamos nas vacinas, em vez de investirmos o melhor de nós para nos tornarmos imunes ao coronavírus. Vacinar pode ser uma ajuda, mas é sempre algo de estranho e maligno que introduzimos voluntariamente no nosso organismo, para o obrigar a reagir e a defender-se.
Sim, as vacinas são uma solução, mas no universo da lei do menor esforço, própria das maiorias que infelizmente não dispõem de energia bastante para comportamentos que exijam um grande esforço. Cabe por isso às minorias maiêuticas – das minorias dos privilégios nada de bom há a esperar – assumir a responsabilidade histórica que este momento de grande aflição e de grande dor a todas, todos nos exige, muito em particular a elas. Concretamente, ousem práticas de vida alternativas às propagandeadas pelo Grande Mercado, até acabarem imunes à pandemia, nesta altura, ainda sem fim à vista.
Da lista de comportamentos alternativos aos ditados pelo Grande Mercado, surge, logo à cabeça, a indispensável capacidade de evitarmos a todo o custo sermos apanhados pelo pânico. Para tanto, temos de fazer orelhas moucas à divulgação ao minuto do número de mortos e de infectados por dia. Em vez dessa macabra informação, exijamos dos matutinos, das tvs e das rádios a divulgação diária dos inúmeros casos de pessoas infectadas que se curaram em suas próprias casas. E das inúmeras outras que tiveram de ser internadas nos hospitais e também conseguiram recuperar. E não esqueçamos que cada uma destas pessoas tem histórias de vida para contar. Cujas, divulgadas ao vivo nas tvs e nas rádios, num clima de bom humor, ajudarão a gerar um saudável clima de serenidade e de contagiante alegria que nos livre da depressão e do medo castrador e faça de nós canto e dança, riso e presenças de luz e de paz.
Um outro comportamento fundamental tem a ver com a nossa própria mente que é tanto mais humana e saudável, quanto mais cordial. Nunca o vírus do Grande Mercado pode entrar nela, porque, se queremos um viver saudável, tem de ser ela, não ele, a comandar a nosso viver na História. Antes de mais, importa termos consciência de que somos seres permanentemente habitados, por isso, potenciados de dentro para fora. O que nos exige viver cada dia na maior das simplicidades, a fim de fazermos sair de dentro para fora de nós tudo o que é Essencial para, assim, nos tornarmos imunes a todo o tipo de vírus.
Devo dizer-vos, a este propósito, que não é por acaso que há mais de 15 anos vivo sozinho por opção numa casinha arrendada, super-fria no inverno e super-quente no verão. No entanto, quando tomo banho, ao levantar, é sempre com água fria. Socorro-me apenas de uma singela escalfeta para pousar os pés, quando estou em actividade, sentado à secretária. Chova ou faça sol, faço a minha caminhada diária, no mínimo, 45 minutos, passada certa e determinada, de início ao fim. Confecciono as minhas refeições do modo mais austero e frugal. E canto, canto muito na casa, inclusive, enquanto cozinho. Mastigo devagar os alimentos, onde abundam a agua logo em jejum, frutas variadas, secas incluídas, legumes, leguminosas, com destaque para o feijão, lentilhas e grão de bico, peixe, ovos e queijo fresco, em vez de leite.
Os momentos das refeições são vividos por mim em grande comunhão com todos os povos da Terra e todo o Cosmos. Sem nunca esquecer que sou, somos Terra-consciência a dançar à volta do Sol, a estrela que nos está mais próxima e sem a qual não haveria vida de nenhuma espécie neste espantoso planeta. Experimento-me, por isso, Eucaristia viva, Mesa-comensalidade, sem necessidade de quaisquer ritos, todos mentira e causa de perigosas doenças do foro mental. Cada dia mais imune a todo o tipo de vírus, a começar pelo pai de todos eles, o vírus Religioso, criado e alimentado pelo Medo, O inimigo maior da Espiritualidade.
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