FRATERNIZAR – Xeque-mate ao calendário litúrgico e não só – A CAMINHO DA PÁSCOA OU DO VERÃO? – por MÁRIO DE OLIVEIRA

 

Com a pandemia ainda e sempre ao ataque, bem se pode dizer que o terceiro milénio entrou a matar. Tudo o que vem dos milénios anteriores está a ficar reduzido a sucata. Desde logo, a Arte que, em todas as suas múltiplas formas, esteve sempre ao serviço do Poder e das suas encenações litúrgicas, as religiosas e as laicas, presididas pelos respectivos clérigos, do maior ao mais pequeno. De modo que a Pergunta em título, longe de ser provocadora, é reveladora dos novos tempos que estamos a viver, saudavelmente pós-cristãos e pós-religiões. E também pós-Órgãos de soberania de cada país, actualmente formados a partir de disputas eleitorais entre Partidos. Em que o mais palrador e demagogo leva a palma e, mais cedo do que tarde, é posto ao leme de cada país, enquanto houver pessoas politicamente ingénuas que votem neste tipo de democracia partidária!

A chegada do terceiro milénio e a sua primeira Pandemia deram xeque-mate às igrejas-religiões e ao seu calendário. Mas não só. Também aos chamados órgãos de soberania. Os próprios clérigos, religiosos e laicos, percebem agora que nunca deveriam ter existido. Os medos e os horrores que causaram nos povos foram mais do que muitos e por sucessivas gerações. Para cúmulo, com os pais de cada nova geração a inocular na mente das suas filhas, dos seus filhos, o vírus do religioso, fruto do Medo, e, deste modo simples, mas altamente eficaz, a contribuir para criar e perpetuar um modelo de sociedade e de civilização que nunca deveria ter existido. Porque criminosamente nos impediu de crescermos de dentro para fora até nos tornarmos responsáveis pela História.

Tenebrosos foram esses milénios cristãos e respectivos Órgãos de Soberania. Cujo deus se alimentou de gente e fez da dor e do sofrimento dos povos um sacrifício de redenção-salvação. A covid-19, com suas surpreendentes variantes, qual delas a mais agressiva, vem, pois, na hora certa. Está aí a gritar-nos que todos os institucionais do Poder, nos três poderes, vão nus. Os seres humanos e os povos são, é verdade, os mais afectados pelo vírus, mas apenas por manifesta incapacidade dos órgãos de soberania de cada país e do mundo, todos de raízes cristãs, por isso, estranhos e sacrificialistas. Ou percebemos isto e, como seres humanos e povos das nações, deixamos de lhes confiar os nossos destinos e os destinos do Cosmos, ou pereceremos juntamente com eles.

Vamos felizmente a caminho do Verão, não da Páscoa. É uma mudança de paradigma, por isso, estrutural. Até os conceitos com que nos expressamos têm de mudar. Permito-me, a este propósito, voltar a lembrar que o meu mais recente Livro ‘Da Ciência à Sabedoria’, Seda Publicações/Gugol.pt, aponta-nos o novo caminho civilizacional a trilhar. Exige de nós, seres humanos e povos, completa ruptura com os milénios anteriores e os seus Órgãos de soberania que sempre estiveram ao comando do mundo, quando este nos pertence por direito, como a mais suprema de todas as artes, até hoje nunca realizada.

Determinante, em todo este processo de mudança estrutural e civilizacional, é o que este meu novo Livro chama, a ‘Geração Terceiro Milénio’. E porquê? Porque Jesus histórico – ainda hoje o grande desconhecido – é crucificado em abril do ano 30 deste era comum, precisamente, por ser o primeiro ser humano pleno e integral que, pela primeira vez na História, pratica e anuncia um Projecto político alternativo aos dos sistemas de Poder. Um Projecto que se atreve a colocar os seres humanos e os povos do mundo que vemos, antes, inclusive, de Deus que nunca vemos, mas misteriosamente nos habita-potencia de dentro para fora, para vivermos na História como se Ele não existisse. Criadores, por isso, de uma Civilização plena e integralmente Humana, cujos membros são peritos na mais suprema de todas as artes, a Arte de Cuidar. De nós. Uns dos outros. E do Cosmos ainda em expansão.

 

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