FRATERNIZAR – O que hoje mais havemos de temer – A COVID-19, OU AQUILO QUE NOS MATA A ALMA? – por MÁRIO DE OLIVEIRA

 

Quase nem damos por isso, mas a verdade é que estamos a viver os primeiros dias e as primeiras noites do equinócio da primavera 2021, por sinal, estranhamente quentes, eles, excessivamente frias, elas. E quase nem damos por isso, porque o Inimigo da Vida e da Natureza – o Poder financeiro e todos os seus media – faz seu, o falar imposto pelo Calendário litúrgico da igreja católica imperial de Roma, seu alter-ego em feminino. E, tal como ela, também ele insiste em chamar a estes dias, não de equinócio da primavera, mas dias de paixão-morte-e-páscoa da ressurreição do seu mito-mor, chamado Cristo ou Jesuscristo. Efectivamente, só de um mito se pode dizer que todos os anos nasce, cresce, vive, morre crucificado-e-ressuscita, para, no ano seguinte, voltar a nascer, crescer, viver, morrer crucificado e ressuscitar. E assim, sucessivamente, ano após ano. De um ser humano, nunca este falar é possível.

Acontece então que, enquanto os dias e as noites do equinócio da primavera 2021 nos mostram a Natureza a abrir-se em flor, ao som do canto dos pássaros que nos enche os pulmões de festa, os dias de paixão-morte-e-páscoa da ressurreição, pelo contrário, levam os seus cultores ao cúmulo sadomasoquista de ostentarem nas entradas das suas próprias casas cruzes envoltas em laços roxos. E no dia principal da festa fazem sair alguns deles em grupos para as ruas e caminhos com cruzes enfeitadas com um crucificado bem pregado em cada uma delas, de onde, pelos vistos nunca terá chegado a sair e, se saiu, de nada lhe valeu, porque a Roma imperial, inimiga da Vida e da Natureza, tal como o seu alter-ego em masculino, o Poder financeiro, depressa voltou a colocá-lo lá e ainda tem milhares, milhões de réplicas espalhadas por todo o mundo onde há funcionários seus no activo, como é o caso – para sua vergonha-humilhação – desta aldeia de Macieira da Lixa, onde vivo. E onde, quando seu pároco, nos idos da década de setenta, acabei com todo esse perverso negócio e toda essa tortura.

O mais chocante é que somos-vivemos terceiro milénio, assumidamente secular e laico, pelo que o nosso viver e falar de seres humanos e de povos das nações deveria ser intensamente marcado, não pelo sadomasoquista falar do Inimigo da Vida e da Natureza que é a igreja católica imperial de Roma, mai-lo Poder financeiro, sim pelos movimentos de rotação e de trasladação da Terra, respectivamente, em volta de si mesma, uns dos outros e em volta do Sol. E só porque o nosso quotidiano falar ainda não é assim, é que se justifica a Pergunta, O que mais havemos de temer, a Covid-19 ou Aquilo que nos mata a alma?

A pergunta, como facilmente percebemos, é sobretudo retórica e propedêutica, uma vez que a resposta é por demais evidente, O que mais havemos de temer é Aquilo que nos mata a alma, entenda-se, o Inimigo da Vida e da Natureza. Porque sem alma, somos coisas-que-mexem, robôs que comandam outros robôs, progressivamente despojados dos princípios e dos valores estruturantes da Vida e da Natureza que só ela conhece, pois é com eles que ela se alimenta e desenvolve.

Parte-se-nos o coração, ao vermos tudo o que de Mal o Inimigo da Vida e da Natureza, o Poder financeiro e seu alter-ego em feminino, igreja católica imperial de Roma, mai-los chamados órgãos de soberania dos múltiplos Estados do mundo, têm feito aos seres humanos e aos povos das nações, sem que nada, ninguém o amarre e, finalmente, decapite. Cabe-nos, pois, sermos suficientemente lúcidos e sábios, para lhe resistirmos até ao sangue, como faz, em abril do ano 30, em seu tempo e país, Jesus histórico, o filho de Maria. De contrário, acabamos apanhados por ele e perdemos a alma.

Escolher entre a realidade e o mito é preciso. Ou escolhemos Cristo/Jesuscristo e sua igreja católica imperial de Roma, o mito, ou escolhemos Jesus histórico e o seu Projecto político alternativo ao do Poder, a realidade. Felizes quantas, quantos escolhemos a realidade, porque só assim somos Terra-Consciência em permanente movimento de rotação à volta de nós próprios, religados uns aos outros e em permanente movimento de trasladação à volta do Sol. Numa Dança cósmica sempre em expansão.

 

N.E. JF faz aqui a habitual pausa do Equinócio da Primavera. Contamos regressar, sexta-feira 16, com o início da Edição 167 de abril.

 

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