CENTENÁRIO DE NASCIMENTO DE MATILDE ROSA ARAÚJO por Clara Castilho

Assinalou-se ontem,  20 de junho, o primeiro centenário de nascimento de Matilde Rosa Araújo (20.06.1921 – 06.07.2010), voz maior da nossa literatura, que dedicou a sua vida à escrita e às crianças.

Nasceu em Lisboa a 20.06.1921, licenciou-se em Filologia Românica pela Faculdade de Letras da Universidade Clássica de Lisboa. Foi professora do Ensino Técnico Profissional e do primeiro Curso de Literatura para a Infância, que teve lugar na Escola do Magistério Primário de Lisboa. Autora de livros de contos e poesia adultos e crianças, a sua temática centra-se em torno de três grandes eixos de orientação: a infância dourada, a infância agredida e a infância como projeto.  Dedicou-se, ao longo da sua vida, aos problemas da criança e à defesa dos seus direitos. 

O Livro da Tila (1957), O Cantar da Tila (1967), O Palhaço Verde (1960), O Sol e o Menino dos Pés Frios (1972), Joana Ana (1981), são apenas alguns dos títulos assinados por Matilde e legíveis por crianças, mas de que todos gostamos, em paralelo com A Estrada sem Nome (1947), Praia Nova (1962), Voz Nua (1982).

Da sua experiência como docente de literatura para a infância ficamos a dever-lhe três antologias importantíssimas sobre a criança, a infância, a literatura de receção infantil: As Crianças todas as Crianças (1979), A Infância Lembrada (1986), A Estrada Fascinante (1988).

Matilde foi membro da Sociedade Portuguesa de Escritores (atual APE). Ocupava um cargo diretivo, em 1965,  quando foi premiado o angolano José Luandino Vieira, então preso no Tarrafal. Lembramos que foi motivo para a PIDE  invadir as instalações da Sociedade e  demitir a direção.

Recebeu o Grande Prémio de Literatura para Criança da Fundação Calouste Gulbenkian (1980), que lhe foi atribuído ex-aequo com Ricardo Alberty. Em 1991, recebeu o Prémio para o Melhor Livro Estrangeiro da Associação Paulista de Críticos de Arte de São Paulo, Brasil, por “O Palhaço Verde”, e cinco anos depois viu a obra de poesia “Fadas Verdes” ser distinguida com o prémio Gulbenkian para o melhor livro para a infância publicado no biénio 1994-1995. Já em 1994, Matilde Rosa Araújo fora nomeada pela secção portuguesa do IBBY (Internacional Board on Books for Young People) para a edição de 1994 do Prémio Andersen, considerado o Nobel da Literatura para a Infância.

Em 2003, foi condecorada, pelo Presidente Jorge Sampaio, e a Sociedade Portuguesa de Autores (SPA) decidiu, por unanimidade, agraciá-la com o Prémio Carreira, pela sua “obra de particular relevância no domínio da literatura infanto-juvenil”.

O seu nome foi dado à Escola Básica 2,3 de São Domingos de Rana e à Biblioteca Municipal de Alcabideche, em Cascais. Um prémio revelação na literatura infantil e juvenil foi instituído pela autarquia de Cascais em 1998.

 

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