Escreveu um jornalista de renome internacional, há já umas semanas, que a política mundial estava a ser infectada por ‘Algo instável e invisível, mas que se expande como um gaz, o descrédito’!
E dizia mais, que os analistas e politólogos, atribuíam isso a ‘Governar sem autoridade e uma democracia sem deliberação, mas também não é menos certo que o fortalecimento dos cidadãos pelas redes sociais onde vale tudo, tudo se questiona e nem tudo é verdade, complicou a gestão pública e deslegitimou as narrativas oficiais’.
Creio aliás, a ver pelos cartazes e outdoors com que nos vão encharcando ruas e espaços de lazer, que as ‘verdades’ duram pouco tempo, trocadas por outras sem certificação, mas garantidas por selfies sacadas ‘à trouxe-mouxe’, ou por umas ‘manigâncias’ quaisquer, por terem desaparecido grande parte dos espaços de cultura e, para fazer isso há gente muito bem paga.
Não foram só os institucionais, mas todos aqueles onde se abaratou o trabalho, onde a precaridade se transformou numa outra instituição, levando também ao esvaimento e ao desaparecimento daqueles que tinham responsabilidades e possibilidades em a preservar, dar-lhe dignidade e alguma estabilidade.
Berger & Luckmann, no seu ensaio ‘A construção social da realidade’, garantem mesmo, ‘Quem tem o poder está em condições de manipular a realidade social. Com mensagens nos grandes meios, constrói-se uma determinada opinião, pois os meios de massa são determinantes na percepção que se tem dos factos, normas e valores. Salientam uns temas e ocultam outros’.
Mas os dois sociólogos vão ainda mais longe, ao afirmar que a legitimação da ordem institucional também é confrontada com a contínua necessidade de a manter sob controlo, uma vez que sempre se manifesta a presença de ‘realidades destituídas de significado em termos dessa ordem’.
Tenho receio de algum dia vir a concordar com o poeta Octavio Paz, ‘Nenhum povo acredita no seu governo; numa palavra, estão resignados’.
Isto está a levar o mundo a transformar-se num lugar incómodo (vejam-se as movimentações do trumpa e das suas reles cópias em todos os continentes) e como estamos também a comprovar as alterações profundas nos modos de comunicação, particulares, privados e públicos. Tudo parece depender da posição assumida por cada um, muito mais sensível nos media, tratando o ‘cliente’ como sendo um atrasado mental, sem saber, nem poder, olhar em volta.
Procura-se o ‘espectáculo’ na mais pequena notícia, banaliza-se toda a informação e os media transformam-se eles mesmos numa barreira e num empecilho à comunicação que, em princípio deveria chegar a todos e, afinal só e até, degrada a democracia. São cada vez mais artificiais e requintados no fazer e, ao mesmo tempo, cada vez mais difíceis de ser controlados. Deles se servem com também cada vez menos pudor, os senhores da opinião pública, para encenações que nem precisam de salas, porque no salão aberto de tal opinião, cabe tudo. Nem sempre há a verdade, por exigir um ‘antes’, logo seguido do ‘durante’ e um ‘depois’ para completar a estória, o que iria alterar o ritmo do ‘espectáculo’.
E o povoléu assiste, nem tem tempo de comentar pela velocidade das cenas e da representação, a que já assiste descontraído, sem ter de vestir roupa domingueira, nem ser obrigado a qualquer norma de conduta diferente e até poder beber um copo, se for caso disso e, das pipocas, já está e vem treinado dos cinemas.
A ver por tudo isto, mais por aquelas questões só tratadas pela rama, como os problemas do clima que ninguém quer resolver, do não se saber de qualquer reforma nos sistema financeiro, nem da proibição dos paraísos fiscais e, quando as liberdades económicas têm mais valor que as políticas, apetece-me voltar, com muita resignação, a uma outra e simples citação do enorme poeta que foi Octavio Paz, ‘A palavra Futuro é uma palavra em decadência’.
António M. Oliveira
Não respeito as normas que o Acordo Ortográfico me quer impor



Meu amigo António, sempre te sigo com curiosidade e admiração.Tu não te permites ( a leitura ajuda…) a apontar o dedo.Tu serves doses de conhecimento que enriqueça as mentes e que as leve a pensar..PENSAR! É tudo tão acelerado! A comunicação ???? oferece-nos cenas do Afganistão e no segundo seguinte um fait – divers social que põe sorriso no locutor..Tudo pela rama…Fast food , meu Amigo!Grande abraço para vós e obrigada por seres um fio de prumo!
Obrigado pela vossa amizade e fidelidade!
Um abraço
A.O.