Ninguém, a não ser Jesus histórico, nos diz que não podemos servir aos seres humanos-e-aos-Povos de toda a Terra e ao Dinheiro. Assim mesmo, Dinheiro com maiúscula, porque tem sido ele, em todos estes milénios que nos precederam, o único deus que este tipo de mundo do Poder onde nascemos, vivemos e morremos conhece e cultua, sob múltiplos nomes e disfarces. Juntamente com todas as religiões e igrejas geradas por ele e unha-e-carne com ele a oprimir e a formatar as nossas mentes-consciências, para que nunca cheguemos a ser Eu-sou, Nós-somos, outros Jesus, agora terceiro milénio!
É por ter sido sempre assim que o quotidiano da Humanidade é hoje o crime cientificamente organizado e institucionalizado que bem conhecemos, mas que acatamos como se de uma fatalidade se tratasse, quando, na realidade, é um crime cientificamente organizado e institucionalizado. Porventura, até já sem retorno, porque não só lhe não resistimos, como até lhe damos o nosso melhor em tempo e em capacidades. A troco, obviamente, de mais e mais dinheiro. Numa demência individual, familiar, nacional, mundial sem fim.
Eu sei que Jesus histórico não diz exactamente assim como eu acabo de escrever-dizer. E, se dúvidas houvesse, basta abrir e ler-escutar o meu Livro 52 acabado de editar. Mas também sei – e isso aprendo já com ele – que Jesus histórico, como, de resto, cada uma, cada um de nós, é no tempo, mas não é do tempo. Pelo que cabe a cada nova geração que vem a este tipo de mundo, escutar Jesus histórico e praticá-lo no seu hoje e aqui. E ao modo social e cultural do seu hoje e aqui. É assim que eu, como presbítero-jornalista e autor do Livro, procuro fazer todos os dias. Por isso, sou tão fecundamente incómodo para todo o institucional e seus agentes de turno.
No seu hoje e aqui social de camponeses e latifundiários, de escravos e de senhores, Jesus histórico fala em dois senhores. Concretamente, ‘Ninguém pode servir a dois senhores’. Neste seu falar social e culturalmente situado, o verbo ‘servir’ remete-nos de imediato para a condição de escravos que é então a da esmagadora maioria da população da Palestina, com destaque para a Judeia, sob o férreo domínio dos sumos-sacerdotes, do Sinédrio, dos doutores da Lei e dos grandes latifundiários judeus, aos quais se junta ainda o domínio armado do império romano. O que Jesus histórico diz e o modo como o diz é mais do que óbvio, naquele seu contexto social e cultural. Mas não é assim tão óbvio no actual contexto do século XXI e início do terceiro milénio. Aliás, nesse seu contexto, Jesus vai ainda mais longe e diz quais são em concreto os dois senhores que ninguém pode servir ao mesmo tempo, ‘Não podeis servir a Deus e ao Dinheiro’.
Ora, no nosso hoje e aqui de ateísmo e de religiosidade popular generalizados, com todas as religiões e igrejas a viver no mundo do Poder e serem dele, é manifesto que só há um senhor, o Dinheiro, e que todos os seres humanos e povos são seus escravos. De luxo, uma minoria; de lixo, a esmagadora maioria. Daí a nova formulação que eu, presbítero-jornalista que vivo neste tipo de mundo, mas não sou dele, escuto e, consequentemente, escrevo-digo, Não podeis servir aos seres humanos e-aos-povos da Terra e ao Dinheiro. Porque é também assim que Jesus histórico séc. XXI e terceiro milénio, que é no tempo, mas não é do tempo, diz.
E é ainda com Jesus histórico que todas, todos aprendemos que a Deus nunca ninguém O viu. O que vemos constantemente são os seres humanos e os Povos da Terra. Outra coisa mais aprendemos com ele, ‘Ninguém pode dizer com verdade que ama a Deus que não vê, se não ama os seres humanos e os povos da Terra que vê’.
Daí, a importância deste meu novo Livro, acabado de editar neste início do terceiro milénio, porque é por estas águas da realidade que ele navega. E não pelos variados e maquiavélicos sistemas de doutrina e de overdoses de discursos com que o Poder, suas religiões e igrejas criminosamente nos cegam os olhos da mente cordial. Pelo que adquiri-lo, lê-lo-e-escutá-lo, traduzi-lo, praticá-lo, difundi-lo é imperioso e urgente. De contrário, muito antes de acabar este milénio, a Terra continuará indubitavelmente a sua dança à volta do Sol, mas definitivamente sem nós. Porque este milénio é jesuânico ou não será.
P.S.
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