FRATERNIZAR – A CAMINHO DO NATAL, OU DO SOL(STÍCIO) DE INVERNO/VERÃO? – por MÁRIO DE OLIVEIRA

 

A igreja católica e todas as outras que dela brotaram – qual delas a pior – estão tão fora da realidade e da História, que até o calendário por que se regem é distinto do dos povos das nações onde estão implantadas. O que diz bem, só por si, quanto elas se têm na conta de superiores a eles e quanto se orgulham disso. São Poder religioso. Mas também político e financeiro. O que faz delas umas estranhas para as populações sobre as quais estão implantadas, sem jamais se misturarem com elas. As quais, durante séculos e séculos, foram violentamente submetidas por elas. Uma postura que este terceiro milénio manifestamente já não está disposto a suportar mais. E ainda bem.

Vejamos tão só este facto. Tudo nos diz, nestes dias de dezembro, a quantos somos e vivemos no hemisfério norte, que vamos a caminho o SOL(stício) de inverno. E aos que são e vivem no hemisfério sul que vão a caminho do SOL(stício) de verão. Esta é a indesmentível realidade. Porém, para as igrejas cristãs, católica romana imperial à cabeça, implantadas em ambos os hemisférios, nada disto é verdade. Basta atentar nas suas publicações periódicas em suporte papel e digital e nos conteúdos das suas liturgias, para ficarmos a saber que todas elas, contra a verdade conhecida como tal, não se cansam de dizer que vamos a caminho do natal ou nascimento do menino-jesus. Um mito criado por elas, com a agravante de que todos os anos ele é posto a nascer, ser morto, ressuscitar ao terceiro dia e subir aos céus. Num ciclo anual com tudo de sinistro!

Só agora que chegamos ao terceiro milénio, é que nos damos conta de que passamos dois milénios a repetir estas liturgices – o termo é feio, mais feia é a realidade eclesiástica reiterada e impunemente praticada – com tudo de infantil e de demencial, causa, por isso, de criminoso atrofiamento daquelas mentes, nas quais as igrejas conseguiram introduzir todas estas idiotices teológicas. Com a agravante de que nem elas nem os seus peritos em liturgia deixaram ainda de repetir, em cada missa de domingo, o Credo de Niceia-Constantinopla, séc. IV, onde está definido como dogma de fé que o seu menino-jesus nasceu, cresceu, foi morto, sepultado, ressuscitou ao terceiro dia, subiu ao céu de onde há de vir a julgar os vivos e os mortos e o seu reino não terá fim. Isto, apesar de não haver maneira de ele vir nem de implantar o seu reino. O que vem – e cada vez mais em força e cientificamente organizado – é o Poder financeiro nuclearmente armado, com seu Mercado global que mantém os povos das nações cosidos de Medo e na mais abjecta submissão sócio-política.

Urge darmo-nos conta de que é deste Poder financeiro nuclearmente armado que vem todo o tipo de vírus e todo o tipo de pandemias que lhes permite alimentar mais e mais o Medo nas populações e, deste modo, fazer delas gato-sapato, pau-para-toda-a-colher e carne-para-canhão. Com uma elite privilegiada em cima com seus Partidos políticos e respectivos deputados nos Parlamentos, e todos os mais na base. Atentos, obedientes, subservientes e reverentes. Com algumas tentativas de insurreição, aqui e ali, prontamente reprimidas pela Polícia e pelos militares, devidamente fardados e armados, para, desse modo nunca se aperceberem de que mais não são do que capachos do Poder, o tirano dos tiranos, o louco dos loucos.

Pois bem. Para tudo isto ser possível e durar até aos nossos dias, as igrejas cristãs contaram sempre com quatro capítulos que hoje sabemos garantidamente apócrifos, por isso, míticos com que abrem dois dos 4 Evangelhos em 5 Volumes. Concretamente, os dois primeiros capítulos do Evangelho de Mateus e os dois primeiros capítulos do Evangelho de Lucas, Volume I. O meu novo Livro aí está a revelar toda esta montagem, mandada escrever pelo Poder papal imperial muito tempo depois dos 4 Evangelhos originais em 5 Volumes terem sido escritos na clandestinidade e em linguagem encriptada. E que originalmente começavam, como o de Marcos, o mais antigo de todos, com João Baptista. Sem estes 2 + 2 capítulos garantidamente apócrifos e sem um pingo de verdade histórica, nunca teria sido possível à igreja imperial de Roma e às que dela nasceram, imporem aos povos a sua ‘festa do natal do menino-jesus’. Um puro mito!

O mais impressionante é que, como oportunamente sublinha o meu Livro, nenhuma daquelas narrativas é histórica. E mais. As narrativas apócrifas dos 2 primeiros capítulos de Mateus são totalmente distintas das dos 2 primeiros capítulos de Lucas, Volume I. Saibam então que nem os reis magos vieram a Belém, nem o rei Herodes mandou matar as crianças da cidade, nem Maria e José fugiram para o Egipto, nem o anjo Gabriel veio falar com Zacarias no templo, nem com Maria em Nazaré da Galileia, nem esta foi visitar a sua prima Isabel, muito menos recitou o chamado ‘Magnificat’.

Tudo isto constitui um embuste e um vómito eclesiástico, clerical e teológico, causa de ateísmo generalizado e – pior do que isso – causa de desconhecimento total de Jesus histórico, da sua Fé, da sua Teologia, da sua Espiritualidade e do seu Projecto político alternativo ao do Poder. Que enquanto não forem acolhidos e praticados, não há, não pode haver, futuro para a Vida na Terra nem para a própria Terra. Garantidamente.

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