O que será, que será que nos irá acontecer, nos fará acontecer, nos permitirá adormecer. Num mundo que foi nosso e encontrado, hoje preenchido por solitários desencontros arrimados às redes sociais, em busca desesperada por deslumbramentos-pronto-a-enviar fornecidos pela net, a tomar conta de netinhos a tempo inteiro ou de ascendentes a meio tempo.
O que será de um tempo antes dedicado uns aos outros, partilhado entre os uns e os outros, com idas entusiasmadas ao cinema e às matinées em grupos de amigos, de horas preenchidas num ouvir de música em silêncios cúmplices, de conversas decorrentes elucidativas e sonoras à sombra de amenas primaveras, por entre verões anunciados.
Em vez do filme solitário aqui neste computador. Da música como coisa de fundo. Da conversa e da informação sem nexo da rede social. Do telefonema de uma vez em quando, ao abrir do plástico encomendado ou adquirido no pronto-a-comer da esquina.
Não sei e desconfio que muitos nem saberão daquilo que estou a falar – o partilhar, o inteligente ouvir da música, a conversa metafísica, as grandes dúvidas religiosas e políticas… Devem ou deviam talvez ter ou promover outras alternativas, que me escapam.
Que este primeiro dia de Janeiro não seja o primeiro dia do resto das nossas vidas – é o que indiscretamente desejo.
Para já, esta belíssima curiosidade de um Chico em Itália, com o seu amigo Toquinho e Fiorella Mannoia.
Carlos
Obrigado a cubebossanova e ao youtube
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