Sobre a tensão em torno da Ucrânia – O chefe da Marinha alemã renuncia ao cargo depois das polémicas afirmações sobre a Crimeia. Por DW

Seleção e tradução de Francisco Tavares

5 m de leitura

O chefe da Marinha alemã renuncia ao cargo depois das polémicas afirmações sobre a Crimeia

 

Publicado por em 22/01/2022 (original aqui)

 

Kay-Achim Schönbach disse que era um “disparate” pensar que a Rússia pretendia invadir a Ucrânia, que a posição de Putin merecia “respeito” e que se deve admitir que “a península da Crimeia nunca mais voltará à Ucrânia”.

 

O chefe da Marinha alemã Kay-Achim Schönbach demitiu-se do seu posto no sábado (22.01.2022) no meio da controvérsia sobre os comentários que fez sobre a crise na Ucrânia, disse um porta-voz do ministério da Defesa. Schönbach disse que o Presidente russo Vladimir Putin merece “respeito” e que “é um facto” que a península da Crimeia “nunca mais voltará” à Ucrânia, mas qualificou de “disparate” a ideia de que a Rússia pretende invadir o país. O vice-almirante deixará o seu posto “com efeito imediato”, confirmou o porta-voz.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros ucraniano convocou a embaixadora alemã em Kiev, Anka Feldhusen, para protestar contra as declarações “inaceitáveis” do comandante supremo da marinha alemã, de acordo com uma declaração do ministério. Esta declaração queixava-se também que, segundo Schönbach, “o nosso país nunca satisfaria os critérios de adesão à OTAN”. “Manifestamos a nossa profunda decepção com a posição do governo alemão relativamente à não concessão de armas de defesa à Ucrânia”, lamentava também a nota.

Num evento organizado por um grupo de reflexão na Índia, o Vice Almirante Schönbach disse, entre outras coisas, que a Ucrânia tinha perdido definitivamente a península da Crimeia. Uma gravação de vídeo tinha-se difundido na Internet. “A península da Crimeia perdeu-se, nunca mais voltará, isso é um facto”, diz Schönbach em inglês. Quanto à motivação de Putin para anexar a península ucraniana em violação do direito internacional em 2014, ele diz: “O que ele realmente quer é respeito”. Mostrar respeito por alguém custa pouco ou nada, continuou ele. “É fácil dar-lhe o respeito que ele realmente exige e provavelmente merece”.

A Ministra da Defesa alemã Christine Lambrecht distanciou-se das declarações de Schönbach, dizendo que elas não reflectiam de forma alguma a posição alemã, e anunciou que iria falar com ele. O vice-almirante de 56 anos, que esteve à frente das forças navais alemãs como inspector da marinha desde Março do ano passado, admitiu que as suas observações tinham sido um erro, chamando-lhes “irreflectidas”. “Não há necessidade de objectar: foi claramente um erro”, tuitou ele. A ministra Lambrecht, no entanto, mantém a recusa da Alemanha em enviar armamento para a Ucrânia. “As entregas de armas não seriam úteis neste momento, sobre isto há consenso no governo federal”, disse ele ao jornal de domingo Welt am Sonntag.

Numa declaração emitida à noite, Schönbach explicou que se tinha demitido a fim de “evitar mais danos à marinha alemã e, sobretudo, à República Federal da Alemanha”.

 

 

 

 

 

 

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