A CRISE DA UCRÂNIA – o ponto de vista de JOAQUIM VENTURA LEITE

 

Para mim a responsabilidade maior por esta invasão da Ucrânia pela Rússia é sobretudo  dos EUA, da NATO  e da fraqueza dos líderes europeus. A ideia de que o ocidente tem direitos que a Rússia ou a China não têm, não é aceitável. Esse tempo terminou já, e hoje  definitivamente para quem tinha dúvidas. A antiga URSS contribuiu tanto ou mais para a derrota nazi como o resto do ocidente. Macron reconheceu publicamente que esta crise não era sobre a Ucrânia mas sobre   a NATO e a segurança da Rússia. Ele entendeu isso, o que me parece que devia ser por aí que podíamos  começar qualquer debate mais sério sobre a geopolítica atual.. Não  pela demonização da Rússia e muito menos colocá-la no mesmo plano da URSS. A URSS tinha um projeto imperialista global (como a Alemanha sob o nazismo)  e interveio em todo o tipo de conflito em que estivessem envolvidos os interesses ocidentais. Interveio, e de que maneira, para a independência das ex-colónias portuguesas! Contribuiu possivelmente mais para o 25 de Abril do que os socialistas portugueses todos juntos!

Tornar a atual Rússia numa versão da  URSS  parece-me apenas subjetivismo. A propensão de uma nação como a Rússia para defender o seu poder  não foi resultado dos comunistas. Estes é que se penduraram  nesse gigantismo para suportar o seu projeto imperial. Mas os EUA querem ser não apenas o polícia do mundo como o modelo de sociedade para todo o mundo. E acham-se empossados nessa missão “libertadora”, tal como a URSS se achava mandatada para libertar os países e os proletários do domínio capitalista. Para mim a Rússia é hoje um país nacionalista, conservador, cristão,  e que se apoia na sua história e cultura para seguir um projeto político e social próprio, não ditado pelos ocidentais. Como está a sair do caos pós soviético e a recuperar económica e socialmente, e a ganhar capacidade militar para não se deixar intimidar pelos EUA, ganhou a confiança que uma nação da sua dimensão naturalmente reclama. Ao contrário de Portugal onde cidadãos e políticos ganham cada vez mais o complexo da pequenez que nos condena à mendicidade e subserviência, ao contrário do que já fomos.

Uma nota final: Referiu que os dois contendores têm armas nucleares!

Se se referia à Ucrânia devo lembrar que ela não tem nenhumas. Recentemente o  seu presidente Zalensky  pôs a hipótese de adquirir algumas, não sei de onde. Só se for da Coreia do Norte! Quando se deu a independência da Ucrânia as bombas nucleares que lá estavam  regressaram à “MÃE” Rússia!

Lembro que quando da reunificação da RDA com a Alemanha Federal a URSS deixou que isso acontecesse. Poderia tê-lo impedido militarmente, pois ainda tinha lá o seu exército. Mas  estava moribunda e o ocidente assegurou-lhe que a NATO não se expandiria para leste.

O ódio a Putin ou a Xi Jinping no ocidente é,  no fundo,   a consequência do reconhecimento de que são líderes à altura dos seus países, enquanto o ocidente não tem nenhum! Tem apenas pequenos  liberais mais preocupados com o politicamente correto e as redes sociais.

A minha preocupação nesta altura é o descalabro definitivo da Europa que virá com o EUROPEAN GREEN DEAL que vai afundar a economia europeia. Uma espécie de aposta nas renováveis mas à escala de toda a economia com vista à neutralidade carbónica! Uma insanidade da parte de quem não faz ideia do que é  o processo económico  e a inovação promovida à força de taxas de carbono. Isto, sim, preocupa-me. Não a Rússia ou a Ucrânia!

A segurança da Europa não será garantida por nenhuma NATO mas por uma relação normal com a Rússia, em vez desta se juntar com a China.

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