DIOGO MARTINS – RANKINGS – O RANKING DAS ESCOLAS E EU

RANKINGS

Já é o terceiro ano consecutivo que partilho este texto sobre o ranking das escolas. Mas sabendo que a Escola Secundário do Forte da Casa, onde estudei, ficou, este ano, em 472º em 551 escolas ordenadas é oportuno partilhar de novo. Não há indicador mais perverso do que este.

Ano após ano é divulgado para promover a mercantilização do ensino e desmerecer o trabalho de milhares de profissionais da educação.

8 de julho às 17:35

 

O RANKING DAS ESCOLAS E EU

O ranking das escolas alcança, todos os anos, grande projeção comunicacional. Após muitos anos de debate, a conclusão desapaixonada é que a validade deste instrumento para aferir a qualidade pedagógica dos estabelecimentos é nula. Nula, porque sabendo-se que os resultados escolares são, em grande medida, determinados pelo contexto social e pelas qualificações dos pais e que as escolas privadas se recusam a dar esses dados, qualquer ordenação é um embuste. O privado pode escolher os alunos, o público não. Aliás, não pode nem deve, porque é para isso que serve o ensino público – para criar onde lugar onde todos cabem e onde todos contam.

Compara-se o incomparável: escolas com ótimos professores e projetos educativos podem ficar-se pelo fim da tabela, porque partem de uma posição inicial desfavorável, enquanto outros brilham no topo pelo contexto favorável de que beneficiam. O ensino privado rejubila e procura convencer a classe média de que, se querem ser pais responsáveis, devem despender os seus parcos salários num serviço que o Estado já providencia universalmente – e bem. Ao contrário da saúde, onde aqui e acolá se podem encontrar reais barreiras ao acesso, o ensino público é verdadeiramente universal e acolhe com elevados critérios de qualidade todos os cidadãos que queiram dele usufruir. Pelo caminho, milhares de professores veem o seu trabalho desacreditado por verem as suas escolas nos últimos lugares nos rankings, pese embora o fantástico trabalho desenvolvido pela maioria deles.

Sobre tudo isto, já escreveram pessoas muito mais autorizadas a falar sobre estes temas do que eu. Exemplo do Nuno Serra, em vários artigos no blogue Ladrões de bicicletas (ex: http://ladroesdebicicletas.blogspot.com/…/quatro-notas…)

Na verdade, escrevi isto para deixar uma experiência pessoal. Apesar da rejeição deste indicador, não resisti à curiosidade de ver em que lugar se posicionava a minha escola secundária, a Escola Secundária do Forte da Casa. A minha escola encontra-se na 512ª posição em 584 escolas classificadas. Significa que quem analisar este ranking sem conhecer esta escola concluirá que se trata de uma escola com um péssimo registo pedagógico.

É importante, pois, clarificar o do quão injusto o ranking das escolas pode ser. A Escola Secundária do Forte da Casa é um estabelecimento de ensino fantástico, com um ambiente pedagógico de enorme qualidade construído todos os dias pelos seus professores e funcionários. Com muito raras exceções, encontrei sempre professores dedicados e a darem o seu melhor aos alunos que tinham diante de si. Com franqueza, não imagino nenhuma escola onde a minha preparação escolar pudesse ser melhor. Como nenhuma pessoa se constrói sozinha, todos os seus alunos lhes devem muito daquilo que são. Ver o mérito destes profissionais colocado em causa por um instrumento de avaliação sem credibilidade é um tremendo ato de injustiça que alunos e antigos alunos devem denunciar.

Isto não significa que o ensino público não deva criar mecanismos para se recriar e melhorar a cada dia. Esta legislatura teve, aliás, grandes défices na democratização e reforma das escolas. Mas o caminho é a superação das debilidades fundada na cooperação, por oposição à concorrência, e na rejeição de processos que promovam o ensino privado.

19 de fevereiro de 2019

 

Obrigado ao Diogo Martins

Para ler no original clique em: 

(20+) Diogo Martins | Facebook

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