“Fazer Política: uma Etnografia da Assembleia da República”, de João Nuno Ribeiro Mineiro foi uma tese de Doutoramento em Antropologia no Iscte-Instituto Universitário de Lisboa. Foi publicado pela Afrontamento.
No passado dia 8 foi apresentado na Feira do livro pelos ex-deputados Ana Benavente e José Manuel Pureza. Trata-se de uma abordagem multidisciplinar que apresenta uma descrição empírica do quotidiano desta instituição, dos seus protagonistas e das suas relações. Analisa as relações de poder formais e informais, as relações sociais, todos os que povoam todos dias o Parlamento: deputados, jornalistas, funcionários vários.
“Fazer política” assume um duplo sentido nesta investigação: por um lado, remete-nos para uma análise das práticas e das relações concretas e quotidianas em que se materializa a democracia parlamentar; por outro, convoca-nos para uma problematização sobre o próprio entendimento que é dado à política por quem dela se assume representante. Neste sentido, esta é uma investigação etnográfica sobre a política, centrada nas relações e nos processos que lhe atribuem significado numa instituição política e representativa do Estado. A etnografia procura pensar a política enquanto ideia socialmente construída, culturalmente partilhada e historicamente situada. Ou, dito por outras palavras, tratou-se de problematizar uma instituição política formal, mostrando como a mesma é objetivada enquanto o lugar “natural” onde se faz política”.
Para o autor, “política é uma ideia em aberto e em disputa, intrinsecamente vinculada à vontade humana que lhe atribui sentido e lhe confere significado…. Nesta investigação defino a política como sendo um tipo de relação social específica, ou uma forma concreta que as relações sociais podem assumir….. Neste contexto, a vida quotidiana no Parlamento é expressão de um processo que configura a ideia de política enquanto prática social e cultural setorial e especializada, tendencialmente controlada por profissionais e pertencente a um mundo simbólico específico. Em suma, esta etnografia revela-nos de diversas formas a institucionalização da política enquanto forma de distinção social e cultural”.
Os apresentadores realçaram que é um livro para todos os cidadãos, que deveria ser leitura obrigatória.