PALCO 132 – IV FESTIVAL DE TEATRO JOSÉ GUIMARÃES – por Roberto Merino

“Necessitamos de um teatro que não nos proporcione somente as sensações, as ideias e os impulsos que são permitidos pelo respectivo contexto histórico das relações humanas (o contexto em que as ações se realizam), mas, sim, que empregue e suscite pensamentos e sentimentos que desempenhem um papel na modificação desse contexto.

(Brecht, 2005, p.142)

 

 


(*) Há 422 anos, em 17 de fevereiro de 1600, uma quinta-feira ensolarada, Roma presenciou um espetáculo dantesco. Centenas de pessoas lotaram o Campo dei Fiori (Campo das Flores), uma praça no centro da cidade, para assistir à morte na fogueira de Giordano Bruno, por ordem da Santa Inquisição, nesse local encontra-se hoje a estátua que homenageia o cientista da cidade de Nola.

“Nas mesmas salas em que Giordano Bruno foi interrogado, pelas mesmas razões importantes da relação entre ciência e fé, no início da nova astronomia e no declínio da filosofia de Aristóteles, dezasseis anos depois, o cardeal Bellarmino, que então contestou as teses heréticas de Bruno, convocou Galileu Galilei, que também enfrentou um famoso julgamento inquisitorial que, felizmente para ele, terminou com uma simples abjuração”

(In «Summary of the trial against Giordano Bruno: Rome, 1597». Vatican Secret Archives. Consultado em 18 de setembro de 2010. Cópia arquivada em 9 de junho de 2010)

No ano de 1982, encenei para o Teatro Experimental do Funchal o espectáculo “Uma terra de Paz”, a partir de poemas e contos de B. Brecht, retirados de “As Histórias de Almanaque”, entre eles o conto “O Manto do herege”, que narra um episódio fictício/real (?) sobre os últimos dias de vida de G. Bruno.

As “histórias de almanaque” foram escritas ao longo de muitos anos e a princípio dão a impressão de ser uma obra de uma irredutível heterogeneidade: poemas, narrações cujos protagonistas são figuras históricas (Giordano Bruno, Francis Bacon, César ou Sócrates), histórias que se passam em tempos antigos (a Guerra dos Trinta Anos) ou na contemporaneidade (as últimas batalhas da Segunda Guerra Mundial), aforismos e provérbios (como os expressos e comentados pelo Sr. Keuner, uma das personagens do poeta e dramaturgo alemão).

 

Programação do Festival- Tuna de Santa Marinha R. Cândido dos Reis 188, Vila Nova de Gaia.

Os espectáculos são sempre às 21.30 horas

 

 

 

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