Na Fundação Caluste Gulbenkian decorrem três iniciativas.
Um Colóquio comemorativo do centenário de Agustina Bessa-Luís, “Agustina. O riso de todas as palavras”, cujo programa pode ser consultado em
https://gulbenkian.pt/agenda/agustina-o-riso-de-todas-as-palavras/
Tem entrada livre e o evento será transmitido em direto e disponível na página da Fundação.
Exposição de ilustração “Reflexos duma luz”
Lembra Inês Fonseca Santos: “No final de Fanny Owen (1979), Agustina Bessa-Luís refere-se à vida como “o reflexo duma luz” e ao facto de, uma vez desaparecida a vida, esse reflexo não poder ser nunca mais vislumbrado. As personagens de romance raramente perdem a vida para os leitores atentos; permanecem neles, inscrevem-se nas suas próprias vidas, cintilando e projectando luzes, iluminando o entendimento do mundo e da existência. Tornam-se memória e, por vezes, modelo. Foi essa a proposta feita aos artistas visuais que integram esta exposição, realizada no âmbito do Colóquio que recuperassem memórias das suas leituras de Agustina, que se apropriassem da visão originária de determinadas personagens para construírem a sua, que solicitassem a algumas das mulheres imaginadas pela escritora a possibilidade de se tornarem modelos dos seus desenhos.”
Nesta mostra que reúne dez retratos de dez artistas (Alain Corbel, Cláudia R. Sampaio, João Fazenda, João Maio Pinto, Luis Manuel Gaspar, Mantraste, Pedro Lourenço, Sebastião Peixoto, Susa Monteiro e Tiago Manuel), está Quina, a Sibila, assim como está Fanny Owen. E Lourença, Purinha, Ofélia, Camila, Ema, Fisalina, Rosalina e Ana. Através delas, destas mulheres e das suas narrativas, reencontramo-nos com dez livros de Agustina; através deles, destes retratos e do modo como foram recriados com traços, confrontamo-nos com dez perspectivas de leitura da obra de Agustina. Que podem ou não coincidir com a nossa. É esse caleidoscópio que permite celebrar a riqueza infinita de uma obra e, simultaneamente, é a riqueza infinita de uma obra como a de Agustina que permite ampliar esse caleidoscópio, adicionar-lhe vidros, espelhos, reflexos ou, como diria a escritora, “humanas provas de amor, de justiça, de verdade”.

