DARCY RIBEIRO NASCEU HÁ CEM ANOS, em 26 de OUTUBRO de 1922

(1922-1997)

 

Darcy Ribeiro nasceu há cem anos em Montes Claros, Minas Gerais. Chegou a estudar medicina, mas depois dos primeiros contactos com as ciências sociais preferiu seguir antropologia. Dedicou-se ao estudo dos povos indígenas, e à sua promoção e inclusão no mundo moderno. Também participou intensamente nos problemas da Educação, tendo chegado a ser ministro da educação no governo de João Goulart. Teve uma longa carreira política, antes e depois da ditadura. Esteve exilado vários anos no Uruguai.

Foi autor de O Povo Brasileiro: a formação e o sentido do Brasil. Transcreve-se a seguir o trecho seguinte:

Todos nós, brasileiros, somos carne da carne daqueles pretos e índios supliciados. Todos nós brasileiros somos, por igual, a mão possessa que os supliciou. A doçura mais terna e a crueldade mais atroz aqui se conjugaram para fazer de nós a gente sentida e sofrida que somos e a gente insensível e brutal, que também somos. Descendentes de escravos e de senhores de escravos seremos sempre servos da malignidade destilada e instalada em nós, tanto pelo sentimento da dor intencionalmente produzida para doer mais, quanto pelo exercício da brutalidade sobre homens, sobre mulheres, sobre crianças convertidas em pasto de nossa fúria.

A mais terrível de nossas heranças é esta de levar sempre conosco a cicatriz de torturador impressa na alma e pronta a explodir na brutalidade racista e classista.

A seguir, propomos a leitura do artigo “Darcy Ribeiro: 100 anos do visionário que lutou por indígenas, pela educação e fugiu de UTI para concluir livro”, escrito por Márcia Carmo e publicado na revista electrónica da AEPET, incluído na homenagem a este grande brasileiro:

“Fracassei em tudo o que tentei na vida. Tentei alfabetizar as crianças brasileiras, não consegui. Tentei salvar os índios, não consegui. Tentei fazer uma universidade séria e fracassei. Tentei fazer o Brasil desenvolver-se autonomamente e fracassei. Mas os fracassos são minhas vitórias. Eu detestaria estar no lugar de quem me venceu.”

Esse trecho do discurso que o antropólogo, etimólogo, educador, escritor e político Darcy Ribeiro (1922-1997) proferiu na Universidade Sorbonne, em Paris, quando recebeu o título de Doutor Honoris Causa, resume a singular e brilhante carreira do intelectual mineiro que não ficou circunscrito aos limites da academia.

Nesta quarta-feira (26/10), sua vida e obra são celebradas e relembradas por ocasião de seu centenário de nascimento.
Ele mesmo costumava dizer que era um homem com muitas vidas. Suas expedições acabaram virando livros e filmes, e são vistas hoje por acadêmicos e por seus seguidores como uma das etapas “visionárias” na sua trajetória.

“Visionário” foi a definição citada tanto pelo indigenista Toni Lotar, conselheiro da Fundação Darcy Ribeiro (Fundar), no Rio de Janeiro, que observou a preocupação do antropólogo com os indígenas e o meio ambiente, como pelo professor argentino da Universidade San Martin (Unsam), de Buenos Aires, Andrés Kozel, coautor do livro Os futuros de Darcy Ribeiro (Elefante Editora), lançado neste ano.

“Darcy estudou muitos assuntos que hoje estamos vivendo”, disse Kozel.
Seu amigo e escritor Eric Nepomuceno, que o visitou até os últimos de seus dias, disse à BBC News Brasil por que entende que Darcy foi um intelectual diferente.

“Darcy foi um desses pouquíssimos exemplos de intelectual que não fica de longe examinando números e estudando situações para depois teorizar soluções. Não, não: ele, que ao lado de Celso Furtado foi o intelectual brasileiro que mais peso e influência exerceu na América Hispânica na segunda metade do século 20, jamais ficou na contemplação”, diz Nepomuceno.

“Foi à luta, foi à realidade. Era um visionário, talvez, mas um visionário que foi para as trincheiras batalhar pelo que acreditava”, complementa.

Apaixonado pela questão indígena

Quando tinha 24 anos, mudou-se de São Paulo para uma comunidade indígena no Pantanal, em Mato Grosso do Sul. Mais tarde, moraria com outros indígenas entre o Pará e o Maranhão.

Eram os anos 1940 e 1950, e Darcy, ex-estudante de medicina, queria entender a vida dos povos originários. Não exatamente pelos estudos específicos da Medicina, mas por seu interesse pelos povos. Conta que acabou se apaixonando pela questão e ficou amigo dos indígenas.

Continue a ler clicando em:

AEPET – Associação dos Engenheiros da Petrobrás – Darcy Ribeiro: 100 anos do visionário que lutou por indígenas, pela educação e fugiu de UTI para concluir livro

Propomos também que cliquem em:

Darcy Ribeiro – Wikipédia, a enciclopédia livre (wikipedia.org)

e em:

Darcy Ribeiro: biografia, obras, pensamentos e frases – Toda Matéria (todamateria.com.br)

 

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