Espuma dos dias — A Presidente da Comissão Europeia enfrenta uma Investigação por Corrupção relacionada com os Contratos com a Pfizer. Por Martin Jay

Seleção e tradução de Francisco Tavares

5 min de leitura

A Presidente da Comissão Europeia enfrenta uma Investigação por Corrupção relacionada com os Contratos com a Pfizer

 Por Martin Jay

Publicado por  em 20 de Novembro de 2022 (original aqui)

 

                      Foto: Reuters/Dado Ruvic

 

A UE não pode deixar que as suas próprias marionetas levem uma vida à tripa forra tratando dos seus próprios negócios, não vos parece?

Será possível que a Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, não esteja tão impecavelmente limpa como alguns poderiam supor? Será que tais pesos pluma, que se definem pelo muito que não conseguem alcançar, que vêm das entranhas da obscuridade política na Alemanha, sobem a tal proeminência sem que tenham uma pequena ajuda de elites poderosas, ligações maçónicas e corporações corruptas?

A resposta é, claro. Na verdade, no âmbito da União Europeia e das suas instituições em Bruxelas e no Luxemburgo, esta é em grande medida a tradição: ou instalar marionetas que servem governos poderosos e os seus interesses corruptos, ou a própria indústria gigante. A corrupção manda.

Por isso, não deve surpreender que Ursula tenha sido implicada num papel obscuro num negócio de vacinas de 35 mil milhões de euros, que cheira tão mal que tem os muito sombrios poderes de Bruxelas a trabalhar ao longo do tempo num plano de limitação de danos para salvar o pescoço colectivo da UE enquanto se dirige para o abismo: as suas próprias eleições em 2024, que se espera que tenham a menor taxa de participação de todos os tempos, com grupos de extrema-direita fazendo uma razia no Parlamento Europeu.

O Ministério Público Europeu abriu uma “investigação” sobre a compra das vacinas contra o coronavírus da UE, um anúncio que irá lançar uma luz sobre o estranho comportamento de Ursula von der Leyen nessa altura, de acordo com o órgão de comunicação social mais pró-establishment de Bruxelas, o Politico.

O órgão de comunicação social apoia e é de tal forma favorável à UE que o facto de os seus jornalistas estarem a divulgar a história é importante, pois indica que são os poderes ocultos da UE, a cabala em Bruxelas e no Luxemburgo que nunca estão na esfera dos meios de comunicação social, que estão preocupados com von der Leyen e os seus negócios obscuros.

Não é claro porque é que o Ministério Público Europeu (EPPO), que afirma ser um órgão independente da UE responsável pela investigação e perseguição penal de crimes financeiros, incluindo fraude, branqueamento de capitais e corrupção, está a tratar do caso quando tradicionalmente seria o OLAF – a própria unidade interna antifraude da UE. No passado, o OLAF foi sempre acusado de não ser suficientemente objectivo nas suas investigações, muitas vezes protegendo funcionários de alto nível da UE. Será que os poderes estão a tentar realmente fazer o impensável e investigar genuinamente von der Leyen por corrupção?

Até este ponto, toda a história é opaca, sem sequer o esboço de um caso.

O EPPO não especificou quem estava a ser investigado, ou quais os contratos que estavam a ser objecto de investigação. Mas, dito isto, duas outras agências de vigilância chamaram a atenção para o acordo von der Leyen – Pfizer, sendo provavelmente uma delas o OLAF.

Contudo, o OLAF ou a EPPO, como qualquer instituição da UE, não estão isentos de serem manipulados pelos interesses dos estados-membros nacionais e, neste caso, parece que os belgas têm um machado para afiar, com, nesta fase, apenas mensagens de texto interceptadas para continuar.

Kathleen van Brempt, deputada socialista belga do Parlamento Europeu (MEP), disse que “vários aspectos” do contrato Pfizer precisam de ser analisados, incluindo “as mensagens de texto entre a Presidente da Comissão e o facto de não haver um rasto de papel das negociações preliminares em primeira instância”. Van Brempt refere-se a mensagens de texto para o CEO da Pfizer.

Em Abril de 2021, o New York Times relatou pela primeira vez estas mensagens trocadas entre von der Leyen e Albert Bourla, CEO da Pfizer, no período que antecedeu o maior contrato de aquisição de vacinas da UE – até 1,8 mil milhões de doses de vacina BioNTech/Pfizer, sendo potencialmente até 35 mil milhões de euros quando tudo fosse finalizado.

Em Janeiro deste ano, bizarramente, o Provedor de Justiça da UE acusou a Comissão de má administração por não ter procurado as mensagens de texto em resposta a um pedido de liberdade de informação. A Comissão jogou ao gato e ao rato e fingiu que tais mensagens já não existiam.

Toda a velha guarda da UE anda à volta de von der Leyen, o que indicaria que ela quebrou as regras da casa ao colocar a sua mão na massa.

No mês passado, o Tribunal de Contas Europeu publicou o referido relatório, no qual afirmava que a Comissão recusava a transparência relativamente aos pormenores do papel pessoal de von der Leyen no contrato Pfizer.

Nele, o organismo de vigilância do orçamento constatou a chefe da UE agiu de forma desleal a fim de fazer pessoalmente um acordo preliminar com a Pfizer, em vez de confiar em equipas de negociação conjuntas.

Tudo isto aponta para que os poderes estabelecidos querem certificar-se de que a imagem da UE é preservada. É bem possível que a infeliz chefe da Comissão seja transformada num bode expiatório, mas autorizada a permanecer em funções até 2024.

A corrupção, mesmo de alto nível, dentro da UE não é, evidentemente, nada de novo. Em 1999, todo um gabinete da Comissão Europeia de 20 membros foi forçado a demitir-se sob uma nuvem de alegações de corrupção, que incluía uma comissária francesa a dar ao seu dentista enormes contratos da UE no valor de centenas de milhões de euros, outros comissários que empregavam amigos e familiares e uma comissária que presidia ao desvio descontrolado do fundo humanitário da UE.

A corrupção de alto nível dentro dos corredores das instituições da UE é uma tradição amplamente protegida pelas instituições da UE supostamente criadas para impedir tal corrupção. No caso de Úrsula, ela parece ter sido desonesta e não respeitou as regras da casa, pelo que terá de se tornar um exemplo. A UE não pode deixar as suas próprias marionetas levem uma vida à tripa forra e a fazerem os seus próprios negócios, não vos parece?

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O autor: Martin Jay é um premiado jornalista britânico baseado em Marrocos, onde é correspondente do The Daily Mail (Reino Unido), que anteriormente relatou a Primavera Árabe para a CNN, bem como para a Euronews. De 2012 a 2019 esteve baseado em Beirute onde trabalhou para uma série de títulos internacionais de media, incluindo BBC, Al Jazeera, RT, DW, bem como reportagens numa base freelance para o britânico Daily Mail, The Sunday Times mais TRT World. A sua carreira levou-o a trabalhar em quase 50 países em África, no Médio Oriente e na Europa para uma série de importantes títulos mediáticos. Viveu e trabalhou em Marrocos, Bélgica, Quénia e Líbano.

 

 

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